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Siza.

por FJV, em 26.02.09

Hoje, Álvaro Siza Vieira vai receber em Londres a medalha de ouro do Real Instituto dos Arquitectos Britânicos, juntando-se a Niemeyer, Le Corbusier, Gehry ou Lloyd-Wright. Trata-se de uma distinção que se deve festejar – não apenas por Siza Vieira ser português, mas porque o seu enorme talento marca a história da arquitectura moderna. Nem sempre se gosta do que é genial e do que há-de, sem dúvida, ficar para a posteridade. Revisitando os trabalhos de Siza, em Portugal ou no estrangeiro, há obras a que aderimos sem dificuldade e outras de que não gostamos. A arquitectura não serve apenas para ser vista – mas para ser vivida e habitada. Nós, burgueses, traímos a arte com grande facilidade, em nome do conforto. Mas reconhecemo-la sem favor: Siza é um dos nomes do Olimpo.

[No Correio da Manhã.]


 

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Redes sociais. A nostalgia do marco do correio.

por FJV, em 26.02.09

Habituado à palavra «social» e à sua utilização em «fórum social», «preocupações sociais», «assuntos sociais», só tarde demais aprendi o significado de «redes sociais» (o Twiter, o Hi5, o Facebook) e de «internet social» ou coisa parecida. Verifico agora que as «redes sociais» são uma espécie de «messenger», que serve para «comunicar» com toda a gente e para nos andarmos a perseguir uns aos outros. No Twiter aprendi, com grande surpresa, que fulano me «segue»; e que eu decidi «seguir» uma certa quantidade de gente. Creio que é para saber o que essa gente (que eu sigo) anda a fazer, o que certas pessoas andam a ler ou o que recomendam que eu leia, a um ritmo alucinante. Como passei de um livro de 600 páginas para outro de 1128, isso não me dá tempo para contactos «sociais» e durmo a «seguir» personagens de romance. Ontem, no Chiado, alguém (com um iPhone na mão) me disse que alguém (pelo Twiter) me tinha citado a dizer não sei o quê. Ou seja, alguém andava mesmo a «seguir-me» porque eu tinha dito aquilo há meia-hora. Seja como for, tive uma enorme nostalgia da D. Judite, a funcionária dos CTT da minha aldeia, no Douro, que apenas «seguia» endereços escritos à mão num sobrescrito vendido a três tostões e que oferecia óptimas transparências. Parece que uma socióloga diz que as «redes sociais» vão «mudar o cérebro das próximas gerações: menos capacidade de concentração, mais egoísmo e dificuldade de simpatizar com os outros e uma identidade mais frágil». É praticamente o contrário do que eu pensava sobre as «redes sociais». O meu amigo Valdemar, domingo, no Porto, anunciou-me que tem renunciado ao mail: comprou um pacote de selos de correio e anda entretido a escrever à mão a pessoas que não o «seguem». 

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Ortogafia, sintaxe e algazarra. A Língua Portuguesa.

por FJV, em 26.02.09

 

Por exemplo: a algazarra contra a Dra. Margarida Moreira, directora-regional de Educação do Norte, a propósito da sua forma singular de escrever Português naqueles gentis ofícios que envia aos professores. Há ali um problema geral de sintaxe e de ortografia. Não se trata, creio eu, de um descuido ou de uma distracção pontuais -- depois de ver outros documentos, verifico tratar-se de uma repetida incompatibilidade entre a Sra. Directora e a Língua Portuguesa. É claro, dir-me-ão, que ninguém, só por ser funcionário superior de um órgão da administração pública, é obrigado a ser um Vieira, uma Marquesa de Alorna (que escrevia um Português de primeira), por aí fora; verdade. O problema, aqui, reside na repartição em que esse funcionário cumpre o horário, ocupa o lugar, preenche impressos, vigia os subordinados, emite ordens. Neste caso, trata-se da Direcção-Regional da Educação do Norte, vulgo DREN, ao qual respondem escolas, professores, alunos, encarregados de educação, pedagogos, terapeutas, técnicos de informática para o Magalhães, uma vasta lista de gente relacionada com educação. Ora, em casos destes o que deve o Ministério da Educação fazer? Avaliar. O que fez o ME? Nada. Encolheu os ombros, murmurou: «Lá estão os pândegos a malhar na DREN.» Do fundo do corredor, veio alguém e perguntou: «E que fez ela desta vez? Instaurou mais um processo disciplinar?» «Não. Escreveu uma carta.» Arrepio geral nos corredores da 5 de Outubro. A mesma voz de há pouco ouve-se de novo: «Mas foi coisa privada, não foi?» «Não, tu sabes, hoje em dia tudo vai parar à net.» «Isso é que não pode ser. Não se pode proibir?» «O aspecto que isso dava.» «Então vamos encolher os ombros.» E lá encolheram os ombros.

Acontece que não vale encolher os ombros. Se a ortografia e a sintaxe sofrem tratos de polé, o mínimo que os cidadãos munidos de dicionário e de gramática de Celso Cunha podem fazer é exigir que os altos quadros do Ministério da Educação, respeitem a norma. Não se lhes exija um soneto, um texto de antologia. Mas que as ordens sejam escritas em Português. E é lamentável que o ME encolha os ombros, como se não fosse nada com ele. Trata-se de Língua Portuguesa e trata-se do Ministério da Educação. Com que moralidade se exige à população escolar um mínimo de decência na prática do Português e se desculpam a uma funcionária do ME (e que funcionária!) erros de palmatória? Começa aqui uma campanha pela decência linguística. Onde estão os avaliadores quando precisamos deles?

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