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O medo.

por FJV, em 09.02.09

 

Parece que, a avaliar pelos relatos da imprensa, há gente «com medo» no PS e pessoas que prezam que haja «medo no PS». Ambas as posições não merecem muito crédito. O medo, em democracia, combate-se falando alto e bom som, coisa que não se podia fazer durante a ditadura, com imprensa silenciada. Se é medo de «perder o emprego», talvez aconteça que o emprego tenha sido oferecido em troca de silêncio (regra de ouro do sistema «job for the boys»), e deve (num rasgo de coragem pessoal, muito admirável) denunciar-se publicamente, mesmo se se perder o emprego (logo veremos); se é medo de violência física, tipo «eles batem-me pela calada da noite» ou «dão-me um tiro no joelho», pois que se denuncie abertamente, publicamente, diante do Presidente, do PGR, da imprensa -- com provas, papéis, documentos, ameaças visíveis e invisíveis. Quem está aí, entre gente crescida, que tenha medo? Medo de não ter subsídio ou dos chefes na repartição? Medo de Augusto Santos Silva? Que mariquinhas.

O medo é um dos inimigos da democracia; deve combater-se com dignidade e voz à altura. Apregoar aos sete ventos que «estou cheio de medo» não é uma garantia do denunciante; é uma amostra de mariquice. Medo? Não me lixem. Se têm medo, falem.

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O cantinho do hooligan. Justiceiros!

por FJV, em 09.02.09

Ó João, bem podias limpar as teclas do computador à parede. E, em matéria de elegância, em vez de falares de Bruno Alves (não por lhe faltar elegância), podias comentar o tom superior das sarrafadas de Katsouranis (que limpou as pernas do Anderson sem lhe ter acontecido nada – nem um cartãozinho), as carícias de cotovelo de Luisão ou os ligeiros toques de canela de Binya. Tens muito por onde gastar caracteres na tua equipa, escusas de fazer de queixinhas em público. Em relação aos penáltis, a verdade é que não foi assinalado o penálti cometido sobre Lucho na primeira parte e é só para começar. Só para começar.

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por FJV, em 09.02.09

Francisco Seixas da Costa, o nosso novo embaixador em França, está oficialmente na blogosfera com Duas ou Três Coisas (o título do blog é uma homenagem a Deux ou trois choses que je sais d'elle, de Jean-Luc Godard).

 

Francisco S. C. recorda uma frase recente de Luis Sepúlveda no Libération: «A vida em sociedade torna-se estranha quandos nos aproximamos dos 60 anos; eu falo de livros que os outros não leram e os outros falam de livros que eu não tenho nenhuma vontade de ler

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Carmen.

por FJV, em 09.02.09

 

Na sua monumental biografia de Carmen Miranda, Ruy Castro estabelece, em definitivo, que a cantora nasceu em Marco de Canavezes. Muitos brasileiros não gostaram – Carmen (a voz, o corpo, o menear dos quadris, os dentes brancos) é um emblema nacional. Têm razão: o transatlântico que transportava Carmen devia ter partido mais cedo para que ela nascesse no Rio, a que pertence. Portugal não tem muito a ver com aquela mulher luminosa cheia de aventuras, sexo, malícia e divertimento. Ficaria, como no poema de O’Neill («Um Adeus Português»), submetida à melancolia cinzenta da pátria. Aquela malícia só seria possível nos trópicos, aquela voz só brilharia mais alto com os músicos do outro lado do mar. Nasceu em Portugal; mas há cem anos, nos limites da velha pátria, ela estaria condenada a um destino menos feliz.

[No Correio da Manhã]

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