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Blogosfera.

por FJV, em 20.01.09

 

Há amigos que têm blogs e às vezes desistem; e há blogs que continuam. Há outras pessoas que têm blogs e não são meus amigos. Há pessoas que conheço e outras que não conheço. De vez em quanto há a tentação de fazer um balanço sobre a blogosfera e o seu ressentimento, a sua inutilidade, a sua maldade -- tanto como sobre as coisas indispensáveis que ela trouxe. Evito. Há coisas que nos deixam irritados com os outros e coisas que nos deixam despertos para os outros; os blogs fazem, em todos nós, parte da irritação e da sensação de partilharmos ideias comuns ou incomuns. Já gostei mais de blogs e já os li mais, logo de manhã. Por vários motivos, continuo a lê-los e encontro neles grandes virtudes, a par de coisas dispensáveis (a verdade é que, antigamente, muitos idiotas andavam anónimos pelas ruas e, hoje, grande parte deles se encontram na blogosfera). O género humano é assim. E há quem escreva maravilhosamente, quem escreva superiormente; e quem devia escrever mais. E quem leio sempre com prazer; há blogs que nunca leio pelo simples motivo de que não concordo com uma única palavra do que possa estar lá escrito (porque uma coisa é não concordar e discutir, e outra, inteiramente diferente, é evitar encarar o ressentimento e a ignorância); há blogs com que raramente concordo mas que leio todos os dias; e há blogs que fazem parte do meu roteiro de leituras diárias. Gostava de fazer uma lista, mas tenho medo de esquecer este e aquele; e se é uma injustiça para esses blogs, também o seria para mim. De modo que já várias vezes pensei em acabar com o blog, «acabo com esta merda do blog», mas a idade vai aconselhando cuidado com «estados de alma» e alguma persistência. Nem sempre escrevo o que quero; nem sempre escrevo quando quero; e nem sempre quero escrever no blog. Debater sobre a blogosfera é capaz de ser uma coisa muito fragmentária se não se tem uma agenda, um plano & objectivos para o quinquénio. De modo que vou escrevendo; quando posso, quando tenho tempo, quando -- mesmo não tendo tempo -- invento tempo para não perder o blog. Já tive mais tempo disponível. Tenho menos. Tenho menos tempo e mais idade. Quando comecei um blog, o Aviz, eu tinha mais tempo e menos idade e escrevia a todas as horas possíveis, de madrugada, de manhã cedo, pela tarde dentro. Depois, o Aviz acabou e Aviz também, pelo menos para mim. O Origem das Espécies era uma homenagem a coisas dispersas: ao título de um livro, ao seu autor, às suas viagens, às suas descobertas, ao espírito do tempo, a um tom, a uma dúvida, a uma perturbação sobre a origem das coisas. Mas o Origem das Espécies não é um blog íntimo, pessoal, autobiográfico; não é o meu GPS senão em relação ao mapa onde circulam a política, as leituras, as imagens, as irritações, tudo isso. É uma coisa inútil só porque quero que seja inútil, dependendo apenas da minha disponibilidade, do «hoje sim, amanhã talvez». Estamos hoje muito vigiados; somos vigiados por leitores, vizinhos, colegas de trabalho, pessoas que nos amam ou nos detestam, gente irrelevante, gente a que damos importância, gente que não tem importância. A net é barata, acessível e livre. Dá para tudo, para o melhor e para o pior, para a maledicência e para a aldrabice, para as cartas de amor (ridículas, evidentemente) e para a banalização de tudo. É aí que estamos todos. Perdeu-se muita inocência na internet. Às vezes, ainda bem; de outras vezes, infelizmente. Provavelmente hoje devia ter escrito sobre Obama, ou sobre o descaramento de o dr. Rendeiro ter perorado sobre economia & finanças apesar do pântano do BPP, ou devia ter comentado uma frase muito boa do Maradona  e que se devia repetir de vez em quando («pessoas de má índole vieram aqui desmentir-me, utilizando para tal, à falta de melhor, argumentos»), mas não tenho agenda nem isto é a delegação de um jornal diário. Chegados a este ponto, o leitor prepara-se para o anúncio de que o blog vai terminar, mas desengane-se. O Origem vai para férias daqui alguns dias; depois, na próxima semana, regressará à vida com um novo desenho. E é assim; para acrescentar alguma falta de sentido a tudo isto.

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Ler.

por FJV, em 20.01.09

Dois posts do Lourenço sobre uma insignificância: ler.

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O porta-estandarte.

por FJV, em 20.01.09

Ó João, não é preciso fazer a arqueologia de uma vocação de propagandista. O homem que actualmente se faz passar por aquele que era, antigamente, o sociólogo A. Santos Silva, foi o que lembrou os eleitores de que a eleição de Cavaco seria «um golpe de Estado constitucional», uma «ameaça ao regime» e «um risco de proporções incalculáveis». Depois das eleições desvalorizou a coisa com o argumento de que «se estava em campanha».

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Onde estão os nossos liberais quando deles precisamos?

por FJV, em 20.01.09

O Vasco M. Barreto faz esta pergunta a propósito dos 12 anos de escolaridade obrigatória prometidos por José Sócrates caso ganhe as eleições. Vasco, só isto: 1) já se devia ter avançado, há mais tempo, para a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano; 2) legislar é muito fácil, tão fácil como tirar sal do pão; 3) é de considerar a hipótese, já mencionada por António José Saraiva, de colocar um «Dr.» ou um «Eng.» logo quando um pré-adolescente vai tirar o primeiro BI.

 

A Fernanda esperava que, por exemplo, eu, reagisse «aos guinchos que ai jesus é o totalitarismo higienista e tal» à ideia de os deputados legislarem sobre o sal no pão. Ora, acontece que a Fernanda reagiu «que lá vem a brigada 'anti-politicamente-correcto' aos guinchos» antes de eu ter reagido «aos guinchos que ai jesus é o totalitarismo higienista e tal». Parece que me limitei a propor que «se estabeleça uma lista de coisas que nos fazem mal e que é necessário corrigir quanto antes – para que a sociedade seja mais perfeita e as pessoas mais saudáveis, sem insónias, etc.», nem que seja para ver onde é que a coisa pode vir a parar. Por mim, pão sem sal à vontade. Já anteriormente a Fernanda «tinha reagido» ao meu tabagismo confesso e que, na sua opinião, me obrigaria a reagir «aos guinchos que ai jesus é o totalitarismo higienista e tal». Curiosamente, e independente da polémica que na altura mantive com o sr. Director-Geral da Saúde (acerca das discotecas, com polícia à porta, que vendiam shots a 1€ a miúdos de 12 anos), defendi (isto também é para ti, Vasco) que a lei anti-tabaco era adequada e informei que tinha sido pioneiro em eliminar o tabaco da sala de uma redacção (que, por acaso, era paredes meias com a dela). Lá se foram os guinchos. Portanto, ficamos nisto: quando eu vier reagir «aos guinchos que ai jesus é o totalitarismo higienista e tal», eu aviso logo. Quanto ao pão sem sal, insisto, é à vontade. Quero ver é onde a coisa vai parar.

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A educação em geral.

por FJV, em 20.01.09

[Abelardo e Heloísa.]

 

Através do Jansenista fico a saber que o bispo católico de Lancaster, Patrick O'Donoghue, atribui à educação superior grande parte dos males de que a sua igreja padece ou, pelo menos, afirma padecer – para o bispo, as pessoas que frequentaram escolas superiores e universidades andam por aí a «espalhar o cepticismo» em vez de seguir à risca os mandamentos e, além do mais, são pessoas egoístas que valorizam o hedonismo. A educação, acrescenta, tem um «lado negro»: semeia a dúvida. Ora, eu acho interessantes estas declarações. Normalmente, ouvir-se-ia um coro de insultos e de denúncias contra o cavalheiro. Mas eu limito os danos à pergunta: a quem diz respeito esta arenga bispal? Aos católicos. Limito-me a pedir aos responsáveis da igreja que nos esclareça sucintamente: são todos assim ou é só um vírus de Lancaster?

 

O Jansenista faz, justamente, um link para esta notícia da BBC onde se relata o ataque de uma milícia talibã a jovens adolescentes afegãs, em Kandahar: com ácido, primeiro; à bomba, depois. Parece que os «estudantes de teologia» são contra a educação das mulheres. À atenção superior.

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A verdade.

por FJV, em 20.01.09

Clamar pela verdade em política, coisa bonita e séria. No entanto, podem acusar Manuela Ferreira Leite de tudo, inclusive de inabilidade, mas não da forma como citam o caso do TGV. A ideia de que MFL assinou um pacto para a vida e para a morte em nome do TGV com os espanhóis, é verdadeiramente deliciosa, sobretudo feita por quem mudou de opinião várias vezes e prometeu uma coisa e fez outra (ainda que tenha desculpas). Infelizmente, o PSD foi varado por uma onda de inabilidade, sim. Qualquer um podia dizer, «sim, acordámos nisso do TGV com os espanhóis, mas as condições mudaram; não podemos ficar amarrados a um acordo que nos prejudica; é necessário revê-lo». Conversa de surdos e de casmurros, o que anda por aí, e vai andar até Outubro.

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As coisas que eles dizem.

por FJV, em 20.01.09

Causa estranheza, por exemplo, ser possível afirmar que «as condições económicas se degradaram e que, caso o banco central apresentasse agora previsões, estas seriam mais negativas que as divulgadas no passado dia 6 de Janeiro». Ou seja, como é que uma entidade como o Banco de Portugal, mesmo com a desculpa de estar a lidar com «dados disponíveis até Novembro», faz afirmações tão definitivas e públicas a 6 de Janeiro e ignora o que vieram a ser «as notícias dos últimos 10 dias»? Para a próxima, mais vale esperar pelas notícias dos jornais e desconfiar do BdP.

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A memória.

por FJV, em 20.01.09

 


[Magníficas fotos publicadas na edição de domingo do El Mundo.]

 

Pena que José Medeiros Ferreira não escreva a magistral lição que hoje deu no Rádio Clube Português sobre a política externa americana nos anos Bush, recordando como tudo se alterou a partir do 11-S e terminaram as críticas ao seu isolacionismo.

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