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Blogosfera.

por FJV, em 20.01.09

 

Há amigos que têm blogs e às vezes desistem; e há blogs que continuam. Há outras pessoas que têm blogs e não são meus amigos. Há pessoas que conheço e outras que não conheço. De vez em quanto há a tentação de fazer um balanço sobre a blogosfera e o seu ressentimento, a sua inutilidade, a sua maldade -- tanto como sobre as coisas indispensáveis que ela trouxe. Evito. Há coisas que nos deixam irritados com os outros e coisas que nos deixam despertos para os outros; os blogs fazem, em todos nós, parte da irritação e da sensação de partilharmos ideias comuns ou incomuns. Já gostei mais de blogs e já os li mais, logo de manhã. Por vários motivos, continuo a lê-los e encontro neles grandes virtudes, a par de coisas dispensáveis (a verdade é que, antigamente, muitos idiotas andavam anónimos pelas ruas e, hoje, grande parte deles se encontram na blogosfera). O género humano é assim. E há quem escreva maravilhosamente, quem escreva superiormente; e quem devia escrever mais. E quem leio sempre com prazer; há blogs que nunca leio pelo simples motivo de que não concordo com uma única palavra do que possa estar lá escrito (porque uma coisa é não concordar e discutir, e outra, inteiramente diferente, é evitar encarar o ressentimento e a ignorância); há blogs com que raramente concordo mas que leio todos os dias; e há blogs que fazem parte do meu roteiro de leituras diárias. Gostava de fazer uma lista, mas tenho medo de esquecer este e aquele; e se é uma injustiça para esses blogs, também o seria para mim. De modo que já várias vezes pensei em acabar com o blog, «acabo com esta merda do blog», mas a idade vai aconselhando cuidado com «estados de alma» e alguma persistência. Nem sempre escrevo o que quero; nem sempre escrevo quando quero; e nem sempre quero escrever no blog. Debater sobre a blogosfera é capaz de ser uma coisa muito fragmentária se não se tem uma agenda, um plano & objectivos para o quinquénio. De modo que vou escrevendo; quando posso, quando tenho tempo, quando -- mesmo não tendo tempo -- invento tempo para não perder o blog. Já tive mais tempo disponível. Tenho menos. Tenho menos tempo e mais idade. Quando comecei um blog, o Aviz, eu tinha mais tempo e menos idade e escrevia a todas as horas possíveis, de madrugada, de manhã cedo, pela tarde dentro. Depois, o Aviz acabou e Aviz também, pelo menos para mim. O Origem das Espécies era uma homenagem a coisas dispersas: ao título de um livro, ao seu autor, às suas viagens, às suas descobertas, ao espírito do tempo, a um tom, a uma dúvida, a uma perturbação sobre a origem das coisas. Mas o Origem das Espécies não é um blog íntimo, pessoal, autobiográfico; não é o meu GPS senão em relação ao mapa onde circulam a política, as leituras, as imagens, as irritações, tudo isso. É uma coisa inútil só porque quero que seja inútil, dependendo apenas da minha disponibilidade, do «hoje sim, amanhã talvez». Estamos hoje muito vigiados; somos vigiados por leitores, vizinhos, colegas de trabalho, pessoas que nos amam ou nos detestam, gente irrelevante, gente a que damos importância, gente que não tem importância. A net é barata, acessível e livre. Dá para tudo, para o melhor e para o pior, para a maledicência e para a aldrabice, para as cartas de amor (ridículas, evidentemente) e para a banalização de tudo. É aí que estamos todos. Perdeu-se muita inocência na internet. Às vezes, ainda bem; de outras vezes, infelizmente. Provavelmente hoje devia ter escrito sobre Obama, ou sobre o descaramento de o dr. Rendeiro ter perorado sobre economia & finanças apesar do pântano do BPP, ou devia ter comentado uma frase muito boa do Maradona  e que se devia repetir de vez em quando («pessoas de má índole vieram aqui desmentir-me, utilizando para tal, à falta de melhor, argumentos»), mas não tenho agenda nem isto é a delegação de um jornal diário. Chegados a este ponto, o leitor prepara-se para o anúncio de que o blog vai terminar, mas desengane-se. O Origem vai para férias daqui alguns dias; depois, na próxima semana, regressará à vida com um novo desenho. E é assim; para acrescentar alguma falta de sentido a tudo isto.

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Ler.

por FJV, em 20.01.09

Dois posts do Lourenço sobre uma insignificância: ler.

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O porta-estandarte.

por FJV, em 20.01.09

Ó João, não é preciso fazer a arqueologia de uma vocação de propagandista. O homem que actualmente se faz passar por aquele que era, antigamente, o sociólogo A. Santos Silva, foi o que lembrou os eleitores de que a eleição de Cavaco seria «um golpe de Estado constitucional», uma «ameaça ao regime» e «um risco de proporções incalculáveis». Depois das eleições desvalorizou a coisa com o argumento de que «se estava em campanha».

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Onde estão os nossos liberais quando deles precisamos?

por FJV, em 20.01.09

O Vasco M. Barreto faz esta pergunta a propósito dos 12 anos de escolaridade obrigatória prometidos por José Sócrates caso ganhe as eleições. Vasco, só isto: 1) já se devia ter avançado, há mais tempo, para a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano; 2) legislar é muito fácil, tão fácil como tirar sal do pão; 3) é de considerar a hipótese, já mencionada por António José Saraiva, de colocar um «Dr.» ou um «Eng.» logo quando um pré-adolescente vai tirar o primeiro BI.

 

A Fernanda esperava que, por exemplo, eu, reagisse «aos guinchos que ai jesus é o totalitarismo higienista e tal» à ideia de os deputados legislarem sobre o sal no pão. Ora, acontece que a Fernanda reagiu «que lá vem a brigada 'anti-politicamente-correcto' aos guinchos» antes de eu ter reagido «aos guinchos que ai jesus é o totalitarismo higienista e tal». Parece que me limitei a propor que «se estabeleça uma lista de coisas que nos fazem mal e que é necessário corrigir quanto antes – para que a sociedade seja mais perfeita e as pessoas mais saudáveis, sem insónias, etc.», nem que seja para ver onde é que a coisa pode vir a parar. Por mim, pão sem sal à vontade. Já anteriormente a Fernanda «tinha reagido» ao meu tabagismo confesso e que, na sua opinião, me obrigaria a reagir «aos guinchos que ai jesus é o totalitarismo higienista e tal». Curiosamente, e independente da polémica que na altura mantive com o sr. Director-Geral da Saúde (acerca das discotecas, com polícia à porta, que vendiam shots a 1€ a miúdos de 12 anos), defendi (isto também é para ti, Vasco) que a lei anti-tabaco era adequada e informei que tinha sido pioneiro em eliminar o tabaco da sala de uma redacção (que, por acaso, era paredes meias com a dela). Lá se foram os guinchos. Portanto, ficamos nisto: quando eu vier reagir «aos guinchos que ai jesus é o totalitarismo higienista e tal», eu aviso logo. Quanto ao pão sem sal, insisto, é à vontade. Quero ver é onde a coisa vai parar.

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A educação em geral.

por FJV, em 20.01.09

[Abelardo e Heloísa.]

 

Através do Jansenista fico a saber que o bispo católico de Lancaster, Patrick O'Donoghue, atribui à educação superior grande parte dos males de que a sua igreja padece ou, pelo menos, afirma padecer – para o bispo, as pessoas que frequentaram escolas superiores e universidades andam por aí a «espalhar o cepticismo» em vez de seguir à risca os mandamentos e, além do mais, são pessoas egoístas que valorizam o hedonismo. A educação, acrescenta, tem um «lado negro»: semeia a dúvida. Ora, eu acho interessantes estas declarações. Normalmente, ouvir-se-ia um coro de insultos e de denúncias contra o cavalheiro. Mas eu limito os danos à pergunta: a quem diz respeito esta arenga bispal? Aos católicos. Limito-me a pedir aos responsáveis da igreja que nos esclareça sucintamente: são todos assim ou é só um vírus de Lancaster?

 

O Jansenista faz, justamente, um link para esta notícia da BBC onde se relata o ataque de uma milícia talibã a jovens adolescentes afegãs, em Kandahar: com ácido, primeiro; à bomba, depois. Parece que os «estudantes de teologia» são contra a educação das mulheres. À atenção superior.

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A verdade.

por FJV, em 20.01.09

Clamar pela verdade em política, coisa bonita e séria. No entanto, podem acusar Manuela Ferreira Leite de tudo, inclusive de inabilidade, mas não da forma como citam o caso do TGV. A ideia de que MFL assinou um pacto para a vida e para a morte em nome do TGV com os espanhóis, é verdadeiramente deliciosa, sobretudo feita por quem mudou de opinião várias vezes e prometeu uma coisa e fez outra (ainda que tenha desculpas). Infelizmente, o PSD foi varado por uma onda de inabilidade, sim. Qualquer um podia dizer, «sim, acordámos nisso do TGV com os espanhóis, mas as condições mudaram; não podemos ficar amarrados a um acordo que nos prejudica; é necessário revê-lo». Conversa de surdos e de casmurros, o que anda por aí, e vai andar até Outubro.

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As coisas que eles dizem.

por FJV, em 20.01.09

Causa estranheza, por exemplo, ser possível afirmar que «as condições económicas se degradaram e que, caso o banco central apresentasse agora previsões, estas seriam mais negativas que as divulgadas no passado dia 6 de Janeiro». Ou seja, como é que uma entidade como o Banco de Portugal, mesmo com a desculpa de estar a lidar com «dados disponíveis até Novembro», faz afirmações tão definitivas e públicas a 6 de Janeiro e ignora o que vieram a ser «as notícias dos últimos 10 dias»? Para a próxima, mais vale esperar pelas notícias dos jornais e desconfiar do BdP.

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A memória.

por FJV, em 20.01.09

 


[Magníficas fotos publicadas na edição de domingo do El Mundo.]

 

Pena que José Medeiros Ferreira não escreva a magistral lição que hoje deu no Rádio Clube Português sobre a política externa americana nos anos Bush, recordando como tudo se alterou a partir do 11-S e terminaram as críticas ao seu isolacionismo.

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O cantinho do hooligan. Nunca se sabe.

por FJV, em 19.01.09

No futebol nunca se sabe. Estava no Funchal (abençoado sejas), sentado e a provar as primeiras ostras da temporada, catrapiscando um peixe-espada luzidio e carnudo, e deitando o olho ao FC Porto-Académica. O que vi deixou-me disponível apenas para as alegrias do jantar; vi uma equipa cheia de talentos, sim senhor, mas indisponíveis para o mostrar. Claro que um hooligan quer goleadas, cilindros de compressão, vendavais de génio – e às vezes ignora que o adversário também existe. Mas não sei, não sei, continuo a não saber. Mesmo que às vezes haja a tentação de enterrar cedo de mais quem tem potencialidades para o tetra, acontece que outras tantas sou levado a concordar com os fanáticos do Illiabum. Ou, como diria o rei dos árcades, «o espectáculo se calhar até foi bom, mas não foi visível». Ora, eu queria que fosse visível.

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Tereza.

por FJV, em 19.01.09

Éramos da mesma idade mas de gerações diferentes. Ela chegou antes a vários lugares – a muitos livros e intuições. Tereza Coelho, que agora partiu, não foi apenas uma das nossas melhores jornalistas da área da cultura; foi também uma editora que mudou o mundo à sua volta. No ano passado morreram dois editores invulgares, corajosos e cultíssimos, que transformaram o mundo da edição, Rogério de Moura (Livros Horizonte) e Figueiredo de Magalhães (o genial criador da Ulisseia). De algum modo, é uma parte do mundo da edição que desaparece e fica mais pobre. Não podia ser de outra maneira: editar não é publicar livros. É chegar antes a vários lugares; aos livros, mas sobretudo aos livros que fazem falta a alguém que não é como nós. É escolher. É imaginar. Imaginar o mundo.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Sal e outras coisas.

por FJV, em 13.01.09

Se os deputados querem fazer-nos bem à saúde, preparando-se para ocupar algum do seu nobre tempo a legislar sobre a quantidade de sal que um pão deve levar, proponho que se estabeleça uma lista de coisas que nos fazem mal e que é necessário corrigir quanto antes – para que a sociedade seja mais perfeita e as pessoas mais saudáveis, sem insónias nem otites ou joanetes, para que as nossas refeições sejam um exemplo para a humanidade e até para que os deputados demasiado saudáveis não sejam tão feios, mas isso é um pormenor.

 

A Helena Matos já falou dos saltos dos sapatos.

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Elevador.

por FJV, em 12.01.09

João Cândido da Silva e Vítor Matos regressaram, animadíssimos, ao Elevador da Bica. Com companhia.

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Marmelo galego.

por FJV, em 12.01.09

Manuel Jorge Marmelo no programa «Libro Aberto», da televisão galega, entrevistado sobre o seu novo romance, As Sereias do Mindelo.

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Escândalo.

por FJV, em 12.01.09

Os burocratas estão escandalizados com esta exposição, mas supõe-se que ela cumpre um serviço aos europeus: é cruel.

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Morbidez.

por FJV, em 12.01.09

 

Damien e Charlotte Hall foram impedidos pela câmara de Leeds de adoptar uma criança porque Damien é obeso: «The council’s adoption service has a legal responsibility to ensure that children are placed with adopters who are able to provide the best possible lifelong care.

“Part of this responsibility is advice for applicants on a range of suitability criteria, including any health and lifestyle issues which may impact on an applicant’s long term ability to adopt»

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O cantinho do hooligan. Roteiro de Geografia de Portugal. Ou de como pela boca morre o peixe.

por FJV, em 12.01.09

 

Imagens do concelho e da cidade da Trofa cujo clube local de futebol já não é o último da Liga.

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Magalhortografia.

por FJV, em 11.01.09

A senhora directora da DREN escreveu uma carta sobre a distribuição dos computadores Magalhães. Um mimo de estilo, como se vê e como prova a Ana Cristina Leonardo.

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Transa Atlântica.

por FJV, em 11.01.09


 

Mónica Marques na coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, hoje, no O Globo. Sobre Transa Atlântica, o livro, isto: «Há muito tempo que não saía um romance tão encharcado das ruas da cidade.»

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Rodrigues da Silva.

por FJV, em 11.01.09

[Foto de Margarida Ferra, no Bibliotecário de Babel]

 

Morreu José Manuel Rodrigues da Silva, 69 anos, editor do JL, jornalista que conhecia há muito, do Diário Popular, do Diário de Lisboa ou de O Jornal. Doente há algum tempo, prometia resistir mesmo quando desanimava. Era um homem de outro tempo, rodeado de livros e de cinema. Vai, agora, encontrar-se com outros amigos para continuar conversas interrompidas.

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Alerta amarelo, 3.

por FJV, em 10.01.09

Outra coisa interessante: as reportagens da televisão no velho interior português. Aparece uma repórter embrulhada em roupa importada do Canadá, de microfone estendido, procurando reacções ao frio em Bragança, Vinhais, Montalegre, Terras de Bouro ou Manteigas. Encontra um grupo de cidadãos locais a quem aponta o microfone: «Então, está frio?» Os cidadãos locais entreolham-se: «Está, de facto, está frio... Em Agosto não está assim...» Ela: «Mas está mesmo frio, não está?» Os cidadãos locais, voltando-se de novo para a repórter: «Sim, sim, é capaz de nevar, é...» Ela: «Então é porque está frio...» Os cidadãos locais sorrindo: «Sim. Um friozito. Ontem fez aí dois ou três graus negativos.» E o cidadão local ajeita um pouco o casaco sobre a camisa de flanela: «Bom, no ano passado nevou por esta altura.» Ela: «Nevou? Brrrr... E então como é que fazem?» O cidadão local: «Agasalhamo-nos. Acendemos a lareira mais cedo e tal, um bagacito, e esperamos que passe. A água congela na canalização, mas isso é todos os anos. Em Janeiro não vamos para a rua em tronco nu, pelo menos de manhãzinha.»

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Alerta amarelo, 2.

por FJV, em 10.01.09

 

Não sei quem meteu na cabeça das novas gerações a ideia de que somos um país de clima moderado. Não somos. Portugal é destemperado. Só isso explica a parvoíce e a histeria dos jovens jornalistas que se exaltam com temperaturas negativas como se fosse o fim do mundo e que tratam o fecho de uma estrada no Minho ou «para lá do Marão», por causa da neve, como uma catástrofe a pedir Protecção Civil, «alerta laranja» e primeira página. Muita telenovela carioca, só isso explica a tentação de colocar Portugal nas Caraíbas, ou muito optimismo por causa do aquecimento global. Só assim se compreende esta coisa, citada por «A Protecção Civil recomenda que, em caso de frio, se vista várias peças de roupa em vez de só uma.»

Quando eu era miúdo (bom, eu vivia no meio do frio) vestíamos de Inverno, de meia-estação (bem vistas as coisas, a estação «mais elegante») e de Verão. No Inverno, se havia frio, vestíamo-nos para o frio. Hoje, na verdade, algumas pessoas queixam-se do frio mas estão vestidinhas para um Outono morigerado, com brisas tépidas durante a tarde e sopro de Norte depois do crepúsculo. Portanto, sim, entendo que é necessário que a Protecção Civil avise a pátria, no ecrã da televisão: «Está frio, cidadãos. Tempo de roupinha interior, flanelas, lã à antiga, luvas e cachecol. Se chover, usem botas ou guarda-chuva além da gabardina. Em caso de neve, cuidado com o calçado. Não tomar banho de mar nestas condições. Segue-se um espaço de pedagogia cidadã em que o nosso especialista em meteorologia vai explicar como se usam ceroulas. Continuamos em alerta amarelo.»

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Os papistas.

por FJV, em 10.01.09

 

Uma coisa ridícula.

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Corram às bancas.

por FJV, em 10.01.09

Saiu hoje. Para as bancas.

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A Cinemateca e o cortejo de amigos.

por FJV, em 10.01.09

Há uma coisa interessante no adeus de João Bénard da Costa na Cinemateca: dois coros de assobios. Um deles, habitual em todas as actividades, é o coro de ressentimentos contra quem ocupou um lugar só porque esteve na Cinemateca depois de Luís de Pina, um dos nossos outros «apaixonados pelo cinema» (sem ironia nenhum); o outro, mais estranho, é o das «conjunções adversativas» – Bénard era muito bom «mas» dirigiu a coisa como se estivesse em casa. Verdade que ele estava em casa. Graças a ele e às suas equipas a Cinemateca foi o que foi: um lugar para ver cinema, para ir protegendo os clássicos (coisa fundamental, como se esquecem com alguma frequência) e para se falar de cinema. Bénard da Costa esteve lá muito tempo? Sim. Conhecendo o saco de gatos que é cada «área da cultura», melhor que fosse Bénard, respeitado e com história, do que um «moderno» que estivesse na disposição de tanto modernizar a Cinemateca que ela deixaria de fazer sentido e estaria a concorrer com as salas comerciais ou com os ciclos de vídeo. A Cinemateca, desculpem lá, deve ser um museu e, já agora, um museu do cinema; o destaque essencial e quase absoluto deve ir para os clássicos e para o património do cinema – apesar de muita gente ignorar o trabalho subterrâneo da Cinemateca em matéria de preservação e restauro, por exemplo. Pessoalmente, e das pessoas que conheço (uma delas é minha amiga), só vejo duas ou três com perfil para dirigi-la neste sentido. Bénard imprimiu um gosto pessoal à programação da Cinemateca? Sim. E estranhava-se o contrário.
Mas agora há outra coisa perigosa. Chama-se Pedro Mexia. O João Gonçalves acha que o ciclo vicioso vai continuar. Eu escrevi «Pedro Mexia é um nome capaz de renovar a casa», coisa que me pareceu inocente, e o João atribui a esta afirmação a suspeita de Mexia se estar a transformar em «outro sério candidato à eternidade e a novo cortejo de amigos» (do qual eu faço parte, portanto, o que é estranho porque não tenho nada a ver com o assunto nem frequento os «interesses do cinema»). Percebo isso noutras pessoas, mas aborrece-me que o despeito cresça e que a suspeita se multiplique, sobretudo a partir de pessoas que prezo muito, como o João. Acontece que o Pedro Mexia (que, quando apareceu nos blogs e nos jornais, era tratado como um vagabundo «de extrema-direita», «jovem turco», «jovem velho», etc.) é uma das pessoas mais talentosas quer para escrever sobre cinema, quer para falar sobre literatura, quer para fazer o que lhe apetecer, excepto, salvo erro, ser um burocrata da política e da cultura ou lidar com ele próprio (o que faz dele uma pessoa ainda mais séria). Tenho uma grande admiração pelo Pedro Mexia, que não deriva, apenas, de ser amigo dele – num mundo de ignorantes e de meias leituras, de nababos experimentais e de gente sem humor, o Pedro Mexia nem precisava de muito esforço para se distinguir. Mas, como é uma pessoa séria (mesmo que não se concorde com ele nisto ou naquilo), ele trabalha muito, não diz as coisas por dizer e não precisa de um partido político para ser quem é. Num mundo de pequenos sevandijas incultos, isto não faz apenas uma pequena diferença; faz toda a diferença. Portanto, caro João, eu não faço parte de um «novo cortejo de amigos» de Pedro Mexia; eu faço parte do «velho cortejo de amigos» do Pedro Mexia; e isso aplica-se a outros amigos, em cujos «velhos cortejos» me incluo e dos quais só sairei muito dificilmente. Sei distinguir o que é pura amizade da admiração intelectual, e suponho que sei distinguir aquilo que é o «valor intelectual» da «capacidade para exercer um cargo» (sendo que há pessoas com grande «capacidade para exercer o cargo» que não têm «valor intelectual» substantivo). Acontece que o Pedro Mexia tem ambas as coisas, embora ele suponha que não tem a segunda delas e nunca se pôs em bicos de pés para chamar a atenção para a primeira.
Suponho, também, que de entre as pessoas capazes de gerir a Cinemateca (e entre as quais estão essas «duas ou três com perfil») é preciso procurar alguém capaz de manter um «perfil clássico» para a instituição. Porque é esse o seu papel. Num país onde tudo tem de ser «novo», «moderno», «atrevido», «divertido», «inovador», «fracturante» e, até, pasme-se, «jovem», tem de haver instituições que mantêm o seu perfil clássico, conservador, de museu, tranquilo, e até regular. A Cinemateca, até porque o cinema está sempre a fazer-se, é uma delas.

 

PS - Disto isto, há ainda o seguinte: não conheço pessoalmente Bénard da Costa. Li os seus livros e acompanhei, como toda a gente, a programação da Cinemateca. A única vez que falámos, num festival de cinema algures, ele cravou-me um cigarro e eu ouvi-o, deliciado, a falar sobre, repito, as mamas de Jane Russell, que nesse dia tinha chegado a Lisboa e matéria sobre a qual tinha escrito um artigo no O Independente.

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Para lá do ressentimento.

por FJV, em 09.01.09

Muitas coisas se poderiam dizer sobre Bénard da Costa e o seu papel à frente da Cinemateca Portuguesa, que agora abandona. Uma delas tem a ver com a sua paixão pelo cinema (o seu olhar aproxima-se do cinema como um tigre amável, devorando-o sem crueldade), obviamente. Outra, com as suas escolhas para a programação, sempre discutíveis ou indiscutíveis – mas boas. A Cinemateca, graças a Bénard e às suas equipas, transformou-se num lugar essencial da nossa geografia cultural. Talvez ela precise de outro sangue, e Pedro Mexia é um nome capaz de renovar a casa. Eu lembro sobretudo os seus textos (sobretudo um deles, o mais notável e genial, intitulado «As Mamas de Jane Russell») e o seu sofrimento amoroso pelo cinema. E acho que ele merece a nossa homenagem. E o nosso respeito.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Quotas da Antárctida.

por FJV, em 09.01.09

Portugal instituiu a quota mínima de um terço de mulheres presentes nas listas de candidatos ao Parlamento. Pessoalmente, acho injusto: se se trata de representar a população, quota por quota, o número deveria oscilar pelos 52%. É essa a percentagem de mulheres na população portuguesa. Mesmo assim, o governo socialista só tem duas mulheres nos ministérios, o que o deixa na cauda da Europa. Na Argentina não foi preciso recorrer a quotas. O exército acaba de enviar uma guarnição de nove mulheres para uma base da Antárctida, a 3.500 kms ao sul de Buenos Aires. Sozinhas. É a primeira vez que isso acontece na história militar, tirando a Atlântida, de que não sabemos nada. Portanto, que desculpem os leitores: o meu coração está a 14.000 kms com a operadora de rádio Vilma Cardozo.

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O que eu gostaria de ter escrito também.

por FJV, em 06.01.09

Luís Januário: «Para não dar azo a muitas especulações vou sintetizar: quero que Israel ganhe a guerra contra o Hamas, o Hezbollah, o Irão e os fundamentalistas árabes. Que os palestinianos tenham uma pátria. Que em Israel e na Palestina os moderados consigam impor uma negociação.»

Rui Bebiano: «Não parece que devamos ir para a rua gritar indiscriminadamente «a favor do Hamas» ou «contra Israel», sendo apenas «pelos palestinianos» e «contra os judeus». Nem escolher obrigatoriamente a posição contrária, de aplauso de tudo aquilo que o governo israelita resolva fazer, incluindo o bombardeamento metódico de populações civis com as quais os «heróicos combatentes» do Hamas resolveram misturar-se.»

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Originalidade e ressentimento.

por FJV, em 05.01.09

 

Os periódicos não escondem a sua brutal originalidade na escolha dos títulos; mas não escapa a ninguém o despeito ressentido daquele «Porto velho» na capa do meio.

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Som.

por FJV, em 05.01.09

 

CambaTango, Fangal, de Enrique Santos Discépolo

 

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Uma viagem.

por FJV, em 05.01.09

No A Causa Foi Modificada, um relato de viagem de comboio do Algarve para Lisboa com princípio de uma outra para norte de Vila Franca de Xira. Aprendam.

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