Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Amos Oz, no «Público». Palavra por palavra.

por FJV, em 31.12.08

Deserto do Negev, Midreshet Ben-Gurion

 

«O mundo árabe irá cerrar fileiras em torno das imagens atrozes que a Al-Jazira irá emitir de Gaza e o tribunal da opinião pública mundial apressar-se-á a acusar Israel de crimes de guerra. Este é o mesmo tribunal da opinião pública que se mantém insensível perante o bombardeamento sistemático das povoações de Israel.»

 

«Vai haver muita pressão sobre Israel pedindo-lhe contenção. Mas não vai haver nenhuma pressão semelhante sobre o Hamas, porque não existe ninguém para os pressionar e porque já não há praticamente nada que possa ser usado para os pressionar. Israel é um país; o Hamas é um gang.»

 

«Os cálculos do Hamas são simples, cínicos e pérfidos: se morrerem israelitas inocentes, isso é bom; se morrerem palestinianos inocentes, é ainda melhor. Israel deve agir sabiamente contra esta posição e não responder irreflectidamente, no calor da acção.»

 

Amos Oz

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

He gave all his heart.

por FJV, em 31.12.08

Acabou o Estado Civil.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Por ordem alfabética.

por FJV, em 30.12.08

Os meus blogs pessoais do ano: A Terceira Noite, Albergue dos Danados, Alexandre Soares Silva, Ana de Amsterdam, Complexidade e Contradição, Estado CivilIrmão Lúcia, Life and Opinions of Offely, Gentleman, Mar Salgado, Ouriquense, Pastoral Portuguesa, Sinusite Crónica, Teatro Anatómico, Vida Breve, Vontade Indómita, Voz do Deserto.

 

Os meus blogs políticos do ano: Atlântico, Bicho-Carpinteiro, Blasfémias, Corta-Fitas, Da LiteraturaHoje Há Conquilhas, Jugular, Mar Salgado, O Cachimbo de Magritte, O Insurgente, Portugal dos Pequeninos, Vox Populi.

 

Livros: A Terceira Noite, Almocreve das Petas, Bibliotecário de Babel, Blogtailors, Cadeirão Voltaire, Ciberescritas, Da Literatura, ManchasOs Livros Ardem Mal, Pastoral Portuguesa, Pó dos Livros, Rua da Castela.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Para uma definição de blogosfera. O jdanovismo.

por FJV, em 30.12.08

Pedro Mexia responde a Pacheco Pereira acerca do estado geral da blogosfera.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Eu gosto é de ser bem alimentada.

por FJV, em 30.12.08

Juntamente com este, do Rogério Casanova, um dos melhores posts do ano, de João Bonifácio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Smiley.

por FJV, em 30.12.08

Por vários motivos estou a reler O Peregrino Secreto, de John Le Carré. Não é o melhor Le Carré (na minha lista estão Um Espião Perfeito, O Espião que Veio do Frio, Gente de Smiley, A Casa da Rússia, O Alfaiate do Panamá e, sem dúvida, O Fiel Jardineiro -- tal como o pior de todos é Um Homem Muito Procurado), mas reenvia a um dos personagens mais admiráveis que conheço, George Smiley. É o regresso de Smiley, no auge da sua reforma, para enfrentar os seus fantasmas e os nossos desesperos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O Presidente.

por FJV, em 30.12.08

Quase nada a dizer: Cavaco esteve à altura, denunciando uma lei mal feita, e explicando-o com clareza aos portugueses. Consequências? Temos um ano pela frente. Talvez agora se perceba (sobretudo os brincalhões do costume, de piada fácil sobre Cavaco) o que significa «cumprir a Constituição». Todos saem mal do retrato: o PS, que tomou por guerra uma birra para «meter o presidente na ordem», lutou por uma lei inconstitucional; José Sócrates, que o permitiu deslealmente, apoiou o comportamento irresponsável de um grupo de arrivistas que julga que a maioria absoluta permite fazer aprovar leis iníquas; o PSD, que inclusive proibiu deputados de votar contra a lei, foi desleal com o Presidente e comportou-se, no Parlamento, como uma múmia sem dignidade. Contra tudo isto, o Presidente foi mais do que claro: está aberto o jogo. Temos quem nos defenda e quem defenda a democracia.

 

PS - Caro Eduardo: não podes alterar a qualidade dos eleitores de Cavaco conforme as circunstâncias, nem interpretar a sua opinião de acordo com as perguntas de Mário Crespo, essas sim, dignas da Somália.

 

P.S.2 - Ler o texto de João Gonçalves.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ano que termina assim.

por FJV, em 29.12.08

O governo termina o ano em baixa. Primeiro, com a suspeita de que o presidente da República não vai deixar passar o Orçamento sem uma palavra; depois, com uma mensagem de Natal muito dispensável, em que José Sócrates vestiu a pele de um propagandista em vez de se apresentar como um estadista em que os portugueses confiassem – falando da crise no plural. A questão do Orçamento não é inocente. O governo e o PS quiseram a guerra com o presidente, “pondo-o no sítio”. Cavaco, que é discreto e não gosta de cometer o mesmo erro duas vezes, não deixará o pobre orçamento à solta e à mercê de operações de propaganda ou de “contabilidade política”. Os eleitores, na verdade, podem não confiar na oposição – mas começam a descrer de um governo que os trata como ignorantes ou patetas.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nevoeiro.

por FJV, em 28.12.08

 

Cinco graus abaixo de zero, frio, humidade, as montanhas à volta à espera da neve. E as  árvores da minha infância: castanheiros, carvalhos, faias, choupos. E o silêncio no meio do frio. Um dia ou dois bastam para recuperar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Disciplina.

por FJV, em 28.12.08

Não se pode pedir disciplina, porque é uma palavra de imbecis, segundo ouvi hoje na rádio. O caso da Escola do Cerco do Porto, não vale a pena exagerá-lo ou ceder à tentação da disciplina. Que uma professora seja ameaçada, isso é um pormenor nas estatísticas anuais. Também não se pode dizer que os miúdos andam mais mal criados, porque isso é desconfiar das novas gerações. A fabulosa responsável da DREN pergunta se nós nunca fomos adolescentes ou tivemos uma brincadeira na sala de aula; apetecia-me responder que já fui adolescente e que tive brincadeiras na sala de aula, mas incomoda-me que as brincadeiras de hoje sejam assim. Estamos definitivamente ultrapassados pelo andar dos tempos, pelas novas pedagogias, pelos interesses das Associações de Pais e pela necessidade de arranjar culpados que não apontaram uma arma de plástico à professora. Bom, a professora é culpada, não há dúvida, porque não conseguiu motivar os alunos de forma criativa e «inclusiva». De facto, a culpa também é dos telemóveis, porque permitem pôr estas imagens no You Tube. Como diz a fabulosa responsável da DREN, «no Norte acontecem sempre coisas no último dia de aulas», é Natal, ninguém leva a mal. Entendam-se.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Alerta amarelo.

por FJV, em 28.12.08

De há uns tempos para cá, a pátria está mais frágil. Chove um pouco mais e os noticiários da rádio abrem com a informação, escaldante, de que não sei quantos distritos «estão em alerta amarelo». Também é verdade que, graças aos maravilhosos urbanistas que tomaram o poder nas autarquias (ou não o tomaram, é outra questão), um pouco mais de chuva significa inundações. Alerta amarelo. A nossa Protecção Civil trata-nos bem.

Neva um pouco e entramos em alerta amarelo no Marão (queriam que nevasse onde?), na Serra da Estrela e na Serra da Nogueira, vá lá. E se há vento? Acima dos 70km/h, as rádios andam à procura de meteorologistas para obterem uma declaração que seja sobre o vendaval que vem aí para varrer o lixo das ruas.

Andamos mariquinhas com o clima. Chove na época das chuvas? Neva no Inverno? Faz calor no Verão? Caiu granizo? Há geadas em Novembro? Alerta amarelo. Há um vírus de gripe por aí? As urgências entupidas e alerta amarelo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Literaturas.

por FJV, em 28.12.08

 

O Eduardo Pitta lista os livros que o Ipsílon considerou o seu best of de 2008. Nada contra, evidentemente, mas isto assusta-me um pouco. Sei que se trata de literatura, mas custa-me a crer que, ao longo de um ano, nenhum destes meus amigos tivesse seleccionado um título de ciência ou de filosofia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Os velhos, sempre.

por FJV, em 24.12.08

Segundo parece, o “jantar de consoada” é cada vez mais encomendado de fora ou servido nos hotéis. Nas sociedades tradicionais, as festas tradicionais são essencialmente domésticas, caseiras, familiares – e Portugal está a mudar de hábitos. Não vem daí grande mal, a não ser a revelação de que as pessoas já não sabem nem gostam de cozinhar. Ou não têm tempo para isso, porque trabalham muito. Também não têm tempo para os seus velhos, e isso é mais grave: por esta altura, há famílias que entregam os seus velhos nos hospitais e dão, em troca, números de telefone falsos para não serem incomodados. Uma sociedade sem generosidade nem compaixão, fria e sem paciência – e com vergonha dos seus velhos, que incomodam e relembram que todos morremos e envelhecemos. É um retrato abjecto.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

Autoria e outros dados (tags, etc)

O cantinho do hooligan. Engano da meteorologia.

por FJV, em 23.12.08

 

Depois de quinze anos com o Benfica campeão na pré-época de Agosto, rádio, tv e jornais alteram a meteorologia para festejar condignamente o título mais ambicionado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Palavrório.

por FJV, em 23.12.08

Vejamos. Portugal não é diferente dos outros países em matéria de excesso de palavrório. Mas é uma pena que, no meio de tanto discurso, declaração, comissão parlamentar de inquérito, audições e audiências, se percam às vezes coisas que valia a pena reter. António Ribeiro Ferreira fala do assunto na sua crónica de ontem, no CM. Por exemplo, o Procurador-Geral da República afirmou no Parlamento que o senhor Governador do Banco de Portugal foi alertado para uma grande fraude internacional que envolvia o BPN. Quando? Há quatro anos. Devia o BP estar de sobreaviso? Sim. Esteve? Não. O Procurador disse também que não tem meios para investigar crimes de corrupção. Ao ouvir isto, os deputados o que fizeram? Peocuparam-se? Não. Mas devem estar a nomear uma comissão de inquérito.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

Autoria e outros dados (tags, etc)

A indústria da crise.

por FJV, em 22.12.08

A “indústria da crise” está em grande actividade. Em momentos politicamente difíceis – ou ‘complexos’ – a palavra “crise” é ambivalente. Serve para a oposição e serve para o governo. Vacinados contra o queixume, os eleitores já não se deixam embalar pelo discurso mais fácil que brada por soluções evidentes e quer aplicar receitas milagrosas. Pelo contrário, detectam nos outros a sua própria malandrice. Desconfiam – e fazem bem. Assistem, com a ironia disponível, ao festival dos membros do governo que mencionam “a crise” para justificar a maior parte das medidas de carácter político excepcional. A “crise” é real – mas é também uma muleta para quem já não pode cumprir mais promessas. Em 2009 a “crise” vai justificar tudo. A maioria vai aceitar. Mas sabe que está a ser enganada.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Múmias.

por FJV, em 19.12.08

Uma pessoa quer estar de boa-fé, mas acaba sempre mal servido. O PSD abstém-se na terceira votação sobre o estatuto dos Açores sabendo que faz mal e que podia ter-se arrependido da asneira inicial, mas tem medinho do anti-ciclone. Mais: proibiu mesmo alguns deputados de votarem contra. Ah, disciplina partidária, tão cumpridor que está o partido. Ainda bem, como diz o Tomás Vasques, que o PSD «não está para concordar com presidentes da República que não conhece de lado nenhum». Que nem uma múmia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Agora que me apetecia «ossobuco di vitello alle verdure con patate pasticciate».

por FJV, em 19.12.08

 

Ouço uns amigos na televisão a dizerem eu não como fritos como vegetais e fruta não fumo não bebo faço ginástica levo uma vida saudável e então esqueço-me das vírgulas trata-se de uma traição e vai assim mesmo fico só sem vírgulas ainda dá para pôr um ponto final mas só isso mesmo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

75 por cento.

por FJV, em 19.12.08

Houve um tempo de completa indigência nas escolas. Uma parte da “classe” safava-se como podia e fazia o papel do funcionário público previamente cansado, evitando o trabalho, aproveitando o artigo 4.º, subindo com diuturnidades e antiguidades, gozando férias prolongadas, recusando avaliações e formação. Com o tempo, a coisa mudou. A escola era vigiada e, ela própria, exigia mais atenção. Ontem, um estudo mostrava que 75 por cento dos professores escolheria outra profissão. É um bico de obra. Não se pode ter uma escola pública de qualidade com o actual ambiente de desconfiança. Por um lado, tem de haver mais exigência e mais rigor; por outro lado, os professores não podem ser tratados como sentinelas de aula ou funcionários do Ministério. É esse o dilema dos dias de hoje.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O cantinho do hooligan. Lista metálica.

por FJV, em 18.12.08

 

Cá vos espero amanhã, amiguinhos. Mas sem rancor.

Como dizia um comentador da TSF, citado por um amigo meu, a equipa «tem dificuldade na retaguarda, sobretudo ao nível das diagonais». É de mestre e explica tudo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Limpinho.

por FJV, em 18.12.08

Manuel Alegre diz que quer tudo limpinho: “Que as forças conservadoras se assumam e que a esquerda seja esquerda.” Nada mais simples. O retrato desse mundo vem nos manuais, explicado com clareza e ilustrado por esquemas providenciais que mostram duas cores distintas – a da esquerda e a da direita. Infelizmente, essa realidade a duas cores está longe do espectro em que as pessoas se movem: aqui e ali contam mais as tonalidades, as sombras, os declives e até as aparências. Geralmente, queremos que os outros sejam como achamos que eles devem ser. Mas o problema é que a realidade, muito sacana, vem atrapalhar tudo e encher a vida de surpresas. No caixote de lixo da história e da política há bastantes desses manuais feitos para gente simples; alguns nem para reciclar são úteis.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Twingly.

por FJV, em 17.12.08

Obrigado, Twingly. 14º lugar nos blogs de língua portuguesa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vender, vender.

por FJV, em 17.12.08

Esta ideia supimpa de que é agora mais fácil vender o Património parece-me exagerada. Infelizmente, as autoridades ainda não exploraram convenientemente a vantagem de transformar os Jerónimos em centro de lazer, com esplanadas, lojas de artesanato e cybercafés, além de entregarem o andar superior dos claustros a uma empresa de hotelaria. Falta de visão. A vetusta e vazia sala de refeitório podia ser alugada aos fins-de-semana para banquetes de empresas. O mesmo se pode dizer da Batalha, que podia ser, com vantagem, transformada em hotel de charme com um call-center acoplado, gerando emprego e fundos. A lei não contempla outros casos, a meu ver com prejuízo das contas públicas, como a Torre de Belém que podia ser destinada a um complexo multi-restaurantes. Que queiram conservar o Património, está bem, mas porquê ir mais além da fachada? Veja-se Roma. O Coliseu está transformado num shopping e a Coluna de Trajano alugada a uma empresa de telecomunicações. O nosso património é menos chinfrim do que o deles?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Psicólogos da treta.

por FJV, em 17.12.08

B., ao telefone, contou-me que a psicóloga tinha «explicado» ao seu filho, na escola, que a sua recusa em ler se devia ao facto de tanto a mãe como o pai trabalharem «no mundo dos livros». Tratava-se de «uma revolta», não tão violenta como a dos gregos, mas enfim, uma revolta contra a família, o totem & o tabu. Sugeri que mãe e pai deviam ir fumar charros para o quarto do filho, encher-lhe os ouvidos com death-metal e acid, queimar os clássicos gregos na varanda em cerimónias rituais ou projectarem filmes da Bücherverbrennung nazi, e por aí adiante.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pacificar as massas.

por FJV, em 17.12.08

Uma das tácticas é a de pacificar as massas. Alguns téoricos fantasiam sobre a necessidade de tranquilizar as massas, travando-as com dinheiro ou «condições» para que elas não destruam a Acrópole nem incendeiem Paris. São duas coisas diferentes, é certo, mas tanto a Europa como os EUA optam pelo mais fácil, contentando «os banqueiros» e «as pessoas». Salvo erro, há um mês toda a gente criticava o dinheiro fácil.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Agitação.

por FJV, em 17.12.08

O ano editorial promete ser agitado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sapataria.

por FJV, em 17.12.08

Alguns jornais interrogavam-se, ontem, sobre se Muntadar al-Zaidi, o jornalista iraquiano que atirou um sapato a George Bush, era um herói ou um delinquente num país onde heroísmo e delinquência se cruzam várias vezes por dia. Trata-se, portanto, de uma pergunta deslocada, até porque um sapato não é propriamente uma pedra – e tem mais graça. Mas é um sapato. O gesto corre o risco de virar moda, se bem que as pessoas não achassem tanta graça se o sapato atingisse a cabeça de Hugo Chávez ou de Lula da Silva, ideologicamente protegidos contra o arremesso. Cada sapato tem a sua ideologia. E, desculpando-se o gesto hoje, quem sabe se não o justificaremos amanhã. Mesmo que o sapato de Muntadar al-Zaidi sirva apenas para mostrar que o presidente americano não passa de um alvo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O capital.

por FJV, em 15.12.08

 

Alberto João Jardim acha que há “grupos dentro do PSD” que querem a vitória de José Sócrates para poderem, diz ele, “defenderem os seus interesses económicos”. Não é grande novidade. Para retomar um lugar-comum de séculos, o capital não conhece pátria nem se empata com minudências. Pode ser cruel, mas não deixa de ser verdade. Os “interesses económicos” vêem os tempos de crise a flutuar no horizonte e fazem contas aos milhões de euros que Sócrates anunciou para “apoio à economia”, aos pacotes de “incentivos fiscais” e às “linhas de crédito” que se anunciam – seja lá o que isso for. O pequeno capital lusitano é obrigado a pagar o crédito com o seu silêncio. Jardim esbraceja, como é seu hábito, mas tem razão. Não porque lhe valha grande coisa, mas porque as coisas são como são. Vem nos livros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Smoking again.

por FJV, em 12.12.08

 

Um dos novos desportos para preencher o vazio da cabeça é o de vigiar os hábitos de Barack Obama, como o de fumar. Os parvinhos elegantes, de ideologia tetraplégica, e as tias do século passado ficaram embasbacados com a novidade – Obama fuma; como é que ele vai fazer na Casa Branca, onde não se pode fumar? Naturalmente, vem até à porta das traseiras onde escapará dos moralistas. Interrogado pela imprensa, o presidente americano lá se justificou: “Mas olhem que tento ter uma vida mais saudável...”  Para começar, estar no poder não é nada saudável. Depois, desde que inventaram os políticos com “uma vida saudável” que deixámos de ter bons políticos. Um bom político precisa de um certo suplemento de vício. Olhem para a União Europeia e confirmem: saudáveis, sim, mas uma merda.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Oliveira.

por FJV, em 12.12.08

Durante o dia de ontem muitos portugueses se perguntaram sobre o que tinham eles a ver com Manoel de Oliveira. Tem sentido, a pergunta – sobretudo porque o cineasta fez cem anos. Gostando ou não de Oliveira, ele transformou-se num monumento, e um monumento raramente se discute; está ali, à chuva, atravessado pelas intempéries, sujeito às caganitas dos pombos e à passagem das estações, é visitado para homenagens e fotografado pelos turistas. Oliveira, portanto, merece – é um monumento que mostramos com dignidade e algum orgulho. Não concordo com aquele crítico espanhol que referiu Oliveira como um dos cineastas mais livres do mundo. Essa ‘liberdade’ foi possível com o generoso dinheiro do Estado e dos contribuintes, o que também foi uma sorte para o seu talento. Não é para todos.

[Na foto: O Dia do Desespero, o filme de que mais gosto.]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/2




Blog anterior

Aviz 2003>2005


subscrever feeds