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As Têmporas da Cinza

por FJV, em 26.04.08


 

Quia pulvis sum – cinza me cubra:

pó com pó, silêncio com silêncio.

 

E nenhum jejum me santifique,

nenhuma penitência me redima.

 

É melhor assim: que os meus despojos gerem

uma erva daninha, um vaga-lume,

e outra parte de mim ande no vento.

 

Sei os meus deveres, sou pontual e ordeiro.

Tomarei o meu lugar no grande carrossel.

Ninguém me acusará de falta de comparência.

Não será por minha culpa

que a roda perpétua parará.

 

A.M. Pires Cabral, As Têmporas da Cinza

[Cotovia]

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