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Filhas de Bragança.

por FJV, em 24.04.08

O Expresso deste sábado avançará com uma reportagem sobre as meninas de Bragança. Ora, nós somos um país sério, em pantufas, metidos connosco, sentado diante da televisão, com uma província cheia de melros a cantar nas oliveiras que ainda restam. Em 2004, a Time não tinha nada que nos vir incomodar com aqueles retratos, aquelas declarações citadas entre aspas (como manda a decência jornalística), aquelas revelações sobre as meninas de Bragança. O que é divertido, no entanto, não é a confirmação da existência de «meninas de Bragança» pelo país fora. Até dá um certo colorido. É a existência das Mães de Bragança, entretidas com a moral. Mas Bragança evoluiu, Bragança cresceu, Bragança modernizou-se, Bragança vai na senda do progresso; segundo parece, como conta um agente do SEF, os pobres homens de Bragança, em vez de passearem pelo Largo da Sé e subirem e descerem a Rua Direita discutindo a geada, o futebol e o isolamento do Nordeste, ou consultarem o catálogo do Museu do Sr. Abade de Baçal, são seduzidos por «anúncios publicados na imprensa» e caem na perdição, dirigindo-se na calada da noite até apartamentos alugados por brasileiras. Ah, fossem cidadãs de Vila Flor, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé ou Vinhais -- e tudo se explicava. Mas ainda por cima são brasileiras, não têm bigode e sabem-na toda.
Mas como o Altíssimo é perverso, o Expresso contará ainda mais esta miséria: «Duas das quatro mulheres mais activas do movimento contra a presença das meninas brasileiras na cidade, estão hoje divorciadas. E uma delas perdeu o marido para uma das prostitutas que tanto repudiava.»
Tudo isto ficaria bem num romance de Jorge Amado, se o retrato tivesse uma luz de decência ou de malandrice. Mas no meio do país sonso, de plástico sujo, incomodado com o espelho, eu limito-me a sugerir que Bragança deve ser defendida como uma explosão de sensualidade. E exorto bandos de machos fesceninos e malandros, a perderem a vergonha e a encaminharem-se para as portas da cidade, ao engate: às senhoras de Bragança, rapazes, às senhoras de Bragança!

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Punk marketing. O regresso do rongorongo.

por FJV, em 24.04.08
«O Santanismo é uma espécie de Sebastianismo pós-moderno. Com a diferença de que no primeiro o "desejado" é apenas desejado por ele mesmo.»
{Hidden Perusader, no Bicho-Carpinteiro}

«A candidatura de Santana Lopes parece apenas um ajuste de contas com o passado. Um ajuste de contas motivado pela vontade de se vingar finalmente de quem julga ter começado por minar a sua ascensão a primeiro-ministro.»
{Paulo Pinto Mascarenhas, no Blogue Atlântico}

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Altíssima conspiração.

por FJV, em 24.04.08
Isto, sim, começa a ser interessante. Eduardo Dâmaso publicou um livro (A Invasão Spinolista) em que toca o assunto; eu recomendo a sua leitura.

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Punk marketing. Suplemento.

por FJV, em 24.04.08
Depuralina autorizada a voltar ao mercado: Santana Lopes anuncia candidatura à liderança do partido.

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É a vida.

por FJV, em 24.04.08

Bagão Félix tem razão; ele queixava-se das leis laborais agora propostas pelo governo, que seguem a par e passo aquilo que o próprio Bagão Félix definiu quando estava no governo de direita. No mínimo, trata-se de um plágio; no máximo, estamos diante de uma traição. Na época, o PS (com o actual ministro à frente) fez ruído e, com o PCP e o BE, prometeu a revolução social, protestos na ruas e imolações nos sindicatos, com toda a esquerda à volta. Hoje, no governo, o PS não só não apagou a herança de Bagão, como até ‘dramatizou’ certos artigos da lei dos despedimentos. Ninguém de bom-senso vem para a rua queixar-se de o PS ‘não ser socialista’. A tentação socialista do PS, actualmente, é apenas 'fracturante & moderna', reduz-se ao aborto, à lei do divórcio, à ideia de que o povo é bom, e a pouco mais. António Costa dizia há uma semana que defender ideias de esquerda é bom quando se está na rua, mas muito aborrecido quando se chega ao poder. De facto, é a vida.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Descida aos infernos.

por FJV, em 24.04.08
Enquanto o país segue em frente, o PSD dilui-se numa pequena série de ‘bluffs’ para nos alegrar a semana. Neto da Silva e Patinha Antão? Conhece-os? Alberto João Jardim, conhece-o?  Uns por não serem conhecidos, outros por o serem demais, não dão para candidatos a não ser neste “teatro cómico” em que se transformou o partido. Ontem, os chefes do PSD do Porto e de Lisboa puseram A.J. Jardim na lista de hipóteses para a chefia do partido, lançando o isco às bases. Não vale a pena lembrar que arrebatar votos na Camacha ou em Porto Moniz não é a mesma coisa que ir buscá-los a Almada ou a Ermesinde. Começa a ser preocupante o suicídio desta gente, que se prepara para – se pudesse – destruir o PSD e transformá-lo num saco de gatos ou numa ninharia irrelevante, preparada para um cowboy vir tomá-la ao cair do pano. Infelizmente, o bom-senso não se mete nos neurónios destes cavalheiros. Às vezes é preciso descer aos infernos para regressar renovado; mas descer até este ponto?
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Punk marketing. O PSD e os soldados.

por FJV, em 24.04.08
Há coisas que se aprendem com o tempo, mas convém fazer o desenho para não sermos surpreendidos: o que os caciques procuram não é um número razoável de soldados para combater, mas sim a soldadesca que lhes permita avançar até ao campo de batalha como rufias ou apenas gente suficientemente ruidosa. Nessa altura, todos perdem. E eles sabiam isso antes.

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Punk marketing. O PSD e as rimas.

por FJV, em 24.04.08
Os discursos de Santana Lopes estão cada vez mais parecidos com as primeiras canções de João Pedro Pais, com aquelas rimas de primeira: aqui, aí, por aqui, por aí, estou aqui.

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