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China.

por FJV, em 19.03.08
Hoje, 19 de Março, a partir das 18.30, vai realizar-se uma vigília diante da embaixada da China. O objectivo é o de chamar a atenção para as “violações sistemáticas dos direitos humanos” – dito assim, não faço mais do que repetir os textos das agências noticiosas, encarando o problema como uma relativa anormalidade. Não é. É uma anormalidade de base, profunda e brutal, que não tem a ver apenas com a repressão e a violência agora usada no Tibete – o historial é enorme, vasto, perde-se na história do império e do comunismo chinês. Dirão que se trata de uma “questão cultural” que deve ser resolvida pelos próprios chineses, o que é de uma hipocrisia insustentável. O capitalismo perdoa aos chineses todas as perversões cometidas, em nome do mercado; alguma esquerda perdoa à China todos os desvios em nome de um realismo incalculável. Os Jogos Olímpicos, até agora, têm sido cenário de grandes cedências e de grandes hipocrisias – mas nenhuma ultrapassa as de Pequim.

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Declaração de interesses.

por FJV, em 19.03.08
Depois de várias notícias sobre o assunto (aqui, aqui e aqui) seria impossível não comentar a saída de Manuel Alberto Valente da Asa e do grupo LeYa. Foi o Manuel Alberto Valente, meu companheiro de blog, que me levou para a Asa, quando a editora começou a publicar literatura, em 1991; fui o primeiro autor da Asa, o que me honra muito. Tenho muito orgulho nisso. Devo-o ao Manuel.
A sua demissão da Asa constitui o sinal de uma mudança na editora, mais do que na vida do Manuel, que continuará dedicada ao mundo dos livros, como editor ou como leitor. Como editor dos meus livros, o Manuel A. V. foi o melhor dos profissionais e o mais atento dos amigos. Separámos amizade e trabalho, respeitando-nos mutuamente, como editor e como autor. Sei que é um dos últimos grandes editores clássicos portugueses. Para ele, a vida dos livros não se reduz ao negócio da edição; acompanhou cada um dos autores, cada fase do processo dos seus livros e construiu e manteve amizades fortes no meio editorial, em Portugal e no estrangeiro, o que diz bem da qualidade do seu trabalho e do seu prestígio como editor. Como autor, sei que não será possível ter um editor como ele, excepto ele mesmo.

Dados os mails e telefonemas depois da publicação desta notícia, devo esclarecer que também saí da Asa enquanto autor. Guardo ali a memória de amigos bons e de excelentes profissionais. Não tenho razões de queixa em relação ao Grupo Leya, que agora é proprietário da editora e que certamente tem boas expectativas para o seu trabalho. Simplesmente, percebi que, também eu, precisava de mudar. São caminhos que se separam.

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