Segunda-feira, 31.03.08
Os sociais-democratas, que há pouco elegeram Menezes para presidente, acham que este é mau candidato a primeiro-ministro, ficando atrás de Marcelo (o preferido), de Santana ou de Rui Rio. Normal; não espanta. Agora, precisam de ter cautela, porque Menezes, despeitado e magoado, pode demitir os militantes do PSD e eleger outros.
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Os socialistas madeirenses estão zangados com Jaime Gama e têm razão para isso, porque um partido não é, propriamente, um fórum de debate para filósofos (muito menos o PS, apesar de o seu líder se chamar Sócrates), mas um corredor que dá ou devia dar acesso ao poder. Os socialistas madeirenses lembram que Jaime Gama chamou Bokassa (o ditador africano) a Alberto João Jardim há dezasseis anos, e que agora lhe elogia a obra e o trajecto; ora, dezasseis anos são uma eternidade que pode ter mudado quer Jardim quer Jaime Gama. Pelo que conheço de Jardim, não parece que se tivesse alterado muito do perfil e da substância da sua figura política; já de Jaime Gama não sei, mas tenho as minhas impressões sobre o PS – e uma delas é a de que o presidente do Parlamento (e segunda figura do Estado) não costuma dar ponto sem nó, ou seja, nunca é inocente num deslize, se se trata de um deslize. Jaime Gama a elogiar Jardim significa que ignora o partido – e que Jardim deve ser reanalisado. E que quis dizer aquilo que disse.
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Sábado, 29.03.08
Ponto final. Ponto final mesmo. Como estive fora uns dias não reparei neste fragmento de uma notícia do Público e do Correio da Manhã: «Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.» [bold meu]
O que isto significa? Que estão bons uns para os outros. Ponto final. Uma pessoa vê as notícias, lê os relatos e ouve testemunhas; forma uma opinião, não só porque a opinião é barata mas porque tem de ter opinião ou então não vale a pena andar por cá. E de repente, faz-se luz: estão bem uns para os outros. Bom proveito e, como diz o João G., parabéns à prima. Vão pentear macacos.


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Descobri que já as engarrafam; é desleal. Que será de nós, agora, que podemos encomendá-las?


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Sexta-feira, 28.03.08


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Tudo começou com uma entrevista de José Eduardo Agualusa ao Angolense. Nela, Agualusa dizia isto: «Uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre. O mesmo se pode dizer de António Cardoso ou de António Jacinto. Foram todos eles grandes figuras do nacionalismo angolano, e eventualmente muito boas pessoas, não sei, não conheci nenhum deles, mas eram fracos poetas. Ruy Duarte de Carvalho é um bom poeta. Ana Paula Tavares tem um trabalho muito interessante. David Mestre merecia ser mais conhecido a nível internacional.»

Quem não gostou foi o Jornal de Angola, que publicou um editorial sobre o assunto: Agualusa procurava «humilhar figuras de relevo da História e da Literatura Nacional». Antes disso, Artur Queiroz, também no Jornal de Angola, protestava pela genialidade da poesia de Neto – mas alongava-se, tranformando a entrevista de J.E. Agualusa num problema de regime: «A grandeza da obra literária de Agostinho Neto foi reconhecida em todo o mundo por académicos, professores, críticos literários e confrades. Vem agora uma flatulência retardada do colonial fascismo sujar a sua memória com uma tentativa de assassinato de carácter.» No mínimo, duvidoso; mas não original, porque não é a primeira vez que este género de reacções tem perseguido escritores que não estiveram do lado certo em Luanda, de David Mestre a Sousa Jamba, passando, claro, pelo ódio de estimação a José Eduardo Agualusa.

Entretanto, Sousa Jamba publicou, no Angolense, um texto em defesa de Agualusa, a que se juntou outro de Justino Pinto de Andrade, logo depois de o director do Inald (Instituto Nacional do Livro e do Disco) ter declarado, para a posteridade, a genialidade da literatura angolana, e de o Jornal de Angola ter retomado o ataque a Agualusa («Agualusa foi longe demais ao atacar grandes figuras emblemáticas da literatura nacional, nomeadamente: Agostinho Neto, António Cardoso e António Jacinto. Afinal em que critério se baseia o agrónomo para fazer tal juízo do mais velho “Kilamba”? Agualusa precisa preparar um trabalho melhor elaborado para refutar todos os ensaístas que escreveram sobre Neto.»).

Guerras antigas de Angola. Convém estar atento, para que não pensem que ninguém ouve.


 

Entretanto, este é o texto de José Eduardo Agualusa publicado este fim-de-semana no jornal A Capital, de Luanda.



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Quinta-feira, 27.03.08


 


«Ilha, velha ilha, metal remanchado,/ minha paixão adolescente,/ que doloridas lembranças do tempo/ em que, do alto do minarete,/ Alah - o grande sacana! – sorria/ aos tímidos versos bem comportados/ que eu te fazia.// [...] // Mas retomo devagarinho as tuas ruas vagarosas,/ caminhos sempre abertos para o mar,/ brancos e amarelos filigranados/ de tempo e sal, uma lentura/ brâmane (ou muçulmana) durando no ar,/ no sangue, ou no modo oblíquo como o sol/ tomba sobre as coisas ferindo-as de mansinho/ com a luz da eternidade.»
Rui Knopfli, A Ilha de Próspero


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Nampula, fim da tarde.

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Terça-feira, 25.03.08
A nova teoria que vale a pena ter em conta pertence ao secretário de Estado Valter Lemos, segundo parece: o mal não está nas escolas, um retrato do paraíso, mas na sociedade (o «lá fora»), que às vezes entra na escola. Esta variação do melhor Rousseau pode fazer escola e tudo se resolverá com os programas de vigilância «lá fora»; um dia destes, além de autarcas e de pais, também teremos os agentes policiais à porta da sala de aula, caso o «lá fora» se escape para «cá dentro». Todos os casos de violência são importados de fora da escola, porque, evidentemente, naqueles corredores passam rios de mel e há vasos com flores. Bem-vindo ao reyno maravilhoso.

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Cimeira à beira do Índico com livros imaginários sobre a mesa.

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A propósito dos noivos: a questão não está em perseguir os que escapam ao fisco. A questão é de princípio, e mais vasta, quando se quer transformar a sociedade boa em fiscal e polícia da sociedade má. E não me venham dizer que é a única maneira de controlar a fuga ao fisco.


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A Gradiva também anuncia o seu prémio em parceria com a Estoril Sol: Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, em homenagem à escritora, no valor de 25 mil euros para distinguir, anualmente, um romance inédito de autor português, sem qualquer obra publicada no género e com idade não superior a 35 anos

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Parece que a Direcção-Geral de Impostos (DGCI) está a enviar cartas a contribuintes recém-casados pedindo-lhes que prestem informações de natureza fiscal sobre o copo d’água, o número de convidados, a quantidade de crianças presentes, quanto custou e quem pagou o vestido de noiva ou as flores, entre outras matérias. Um dia, para alimentar o Estado, há-de querer taxar os presentes oferecidos aos noivos. A terminar as circulares enviadas aos contribuintes em idade casadoira, depois de fazer pedagogia, as repartições ameaçavam com penalidades e multas caso não obtivessem respostas. Porém, isto aconteceu durante a manhã. À tarde, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, reconheceu que os pedidos de informação eram “excessivos” e ia haver uma “correcção”. Alguém lembrou que não podia ser assim. Que há ou deve haver um mínimo de decência e de inteligência. Ou seja: os cidadãos devem estar alerta para o facto de o Estado nem sempre ter os neurónios no lugar certo.

[Da coluna do Correio da Manhã.]



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Segunda-feira, 24.03.08


Só o céu.

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O Vitória de Setúbal ganhou a Taça da Liga; foi uma vitória contra o “destino português”. Recuei no tempo e lembrei-me de Nandinho, o capitão do Vitória de Setúbal em Dezembro de 2005, a assumir “a corrida ao título”. Evidentemente que era um excesso. Ninguém compreendia uma equipa que estava em terceiro lugar, a dois pontos do FC Porto, com salários de quatro meses em atraso. Um jornalista perguntou-lhe então: “Mas sente que têm condições para correr para o título?” Nandinho nem sorriu: “Não. Condições não temos.” A isto chama-se contornar o destino num país em que “as condições” nunca estão reunidas. A carreira do Vitória de Setúbal (o clube com orçamento mais baixo no campeonato português) e a história do trabalho de Carlos Carvalhal e daqueles jogadores deviam reconfortar-nos e servir-nos de lição. Nem tudo se vence com dinheiro e “condições”. Há um brilho de vontade e de desafio nesta vitória do Setúbal. Assim se portasse a pátria, mesmo sem chuteiras. Uma lição.

[Da coluna do Correio da Manhã.]



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Domingo, 23.03.08


Exactamente por esta ordem: a piscina do hotel, o fio de coqueiros e o pôr-do-sol. Há coisas que, um dia, têm de lembrar uma ordem, e essa ordem era a forma como o mundo se ordenava há muitos anos, quando existia paraíso. Porque, necessariamente, o paraíso não existe no futuro mas apenas naquilo que se perdeu.

[...] O paraíso é só isso. Um nome. E uma ordem para as coisas. Essa ordem, exactamente essa ordem: a piscina do hotel, o fio de coqueiros e o pôr-do-sol.


1. Sim, há a «natureza literária», todos sabemos. Mas fica-se emocionado com outras coisas, além disso. Por exemplo, quando alguém, em Maputo, diz: «Gostei do livro. Mas o que eu queria saber era o seguinte: aqui, onde é que você morava?»


2. Há três anos que não vinha a Moçambique. Sem saber, tinha saudades. Tudo isto mudou muito desde os anos oitenta, desde os anos noventa. Desde há cinco, três anos. O que não mudou foi a sensação de chegada, a poeira alaranjada, a chuva morna, as acácias que restam desde há muitos anos – as sobreviventes, as transplantadas, as recuperadas, as que cresceram. A primeira recordação que tenho de Moçambique é essa: «Lourenço Marques, a cidade das acácias.» O umbigo de uma colega de liceu, que era da Beira. Os babás da pastelaria Princesa. O cheiro do mercado. O pó do Arquivo Histórico. O ruído do Piri-Piri. O resto é tudo literatura.


De qualquer modo, vistos do quarto do hotel, não poderia dizer que os coqueiros fossem necessários, mas ajudavam a reconstituir aquilo que vira também há muito tempo, e por isso o Índico era o mesmo, azul nuns lugares, acastanhado de aluviões noutros, quando as correntes arrastavam a lama da Inhaca e a depositavam ao largo da língua de areia que ia da Polana Mar à Costa do Sol. Ele lembrava-se das tempestades, dos aluviões, das correntes de lama e da imagem da Inhaca, onde as águas eram límpidas mas não bastavam para esconder a cor amarela e barrenta da praia depois das chuvas, a água do Inkomati, a água do Umbelúzi, a água do Maputo, a água do Matola, a água do Fúti, a água dos rios conhecidos e desconhecidos, a água arrastada desde as aldeias, as correntes de barro, lama, poeira, a água do Inkomati sobretudo, a água quente das praias. Essa paisagem ameaçava-o sempre, nos seus sonhos, como um quadro amarelado, exactamente como aqueles quadros amarelados pendurados no corredor do Hotel Polana, instantâneos de Lourenço Marques

 

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Sexta-feira, 21.03.08
Pergunta o Eduardo Pitta, a propósito do caso Carolina Michäelis: «Onde é que está a novidade?» Precisamente aí, Eduardo. Ao contrário de Laranja Mecânica, pelo menos, este não é «o resultado de um sistema que exclui largas franjas da sociedade». Nada a ver. É o caso de um sistema que absorveu todos os vícios de todas as franjas da sociedade. Não, não é na Cova da Moura, para onde «o sistema» enviaria polícias com medo de alterações na ordem pública; é no Carolina Michäelis, se me posso explicar assim, onde em Dezembro passado uma aluna agrediu uma professora por esta lhe ter dado negativa, para não falarmos de outros casos. Pode não se ser sociólogo para compreender estatísticas, mas a ideia é simples e o Manuel Jorge Marmelo escreve-a de forma clara neste post. Pode não haver novidade em relação ao fenómeno, à violência, ao bullying entre estudantes e contra professores; mas não creio que baste considerar que é inevitável a nossa entrada no cosmopolita mundo das agressões dentro das escolas.
Compreendo a ideia: não vale a pena fazer escândalo, só porque isto acontece a cada passo. Se é assim, de acordo.

Por outro lado, não vejo como o governo deva ser ouvido no parlamento a propósito disto. Levar a ministra ao parlamento por este caso é, naturalmente, um exagero; tudo devia ser resolvido na própria escola, com recurso a um processo disciplinar simples. Tirar conclusões sobre o sistema de ensino a propósito de uma aluna que agride uma professora e de um grupo de vândalos que lhe chama velha é, manifestamente, exorbitar. Mas trata-se de um retrato que não vale a pena desvalorizar.

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Escreve Gabriel Mithá Ribeiro nos comentários ao post anterior:

«Lecciono desde 1991 e cedo ficou claro para mim, como provavelmente para a maior parte dos professores do ensino não superior, que os dois maiores problemas do sistema são a indisciplina e o facilitismo. A questão arrasta-se porque o discurso político e público em geral (mas especialmente o primeiro) insistem em inventar outros problemas ou transformar, por incompetência, questões laterais em essenciais (como é o caso do ECD, das aulas de substituição, etc.). Essa incapacidade doentia em pensar o sistema a partir dele próprio é que fez com que, na última década, se fossem sucedendo medidas que agravam até ao absurdo esses problemas: manutenção do número máximo de alunos por turma, «invenção» de áreas curriculares absurdas - «área de projecto», «estudo acompanhado» ou «formação cívica» -, aulas de 90 minutos, incapacidade de se perceber o valor estratégico dos exames nas políticas educativas, ou o ataque, desde 2005, à dignidade dos docentes sem se perceber que, independentemente dos dinheiros, estão a degradar-se ainda mais as réstias simbólicas que permitiam salvar alguma coisa. E como são problemas estruturais, o pior é debatê-los em cima dos factos para ver quem leva a taça. Se há área da política muito mal servida há décadas, e com sucessivos agravamentos, é a da educação. Tinha escrito em 2003 «A pedagogia da avestruz» e em 2007 foi a vez d'«A lógica dos burros». Esse parece-me, infelizmente, o sentido evolutivo da espécie. É a triste realidade.»

 
Gabriel Mithá Ribeiro é autor dos livros A Pedagogia da Avestruz e A Lógica dos Burros. Nasceu em Moçambique em 1965, é professor do ensino secundário.

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É cada vez mais frequente ouvirem-se especialistas em educação (que existem e devem ser respeitados) afirmarem que «todos comentam assuntos de educação». É verdade. De facto, todos falamos de educação. E não é pecado. Porque todos estamos, de uma forma ou outra, implicados no assunto.
É estranho, aliás, que alguns desses especialistas, que tencionam meter nas escolas (além dos estudantes, dos professores, do pessoal administrativo e auxiliar) os pais, os autarcas e a «sociedade civil», achem que ninguém tem inteira legitimidade para discutir assuntos de educação. Estranha contradição, mas adiante.

Ora, o caso da escola Carolina Michäelis, de facto, não é isolado. Recordo, não sem uma pontinha de comoção invejosa, o dia em que publiquei este post («duas agressões por dia [a professores] nas escolas portuguesas»); logo apareceram comentários, em outros blogs, ruminando que «a média não era muito alta». Santa estatística: duas agressões por dia em escolas portuguesas não era um número por aí além. Eu pensava que uma agressão por dia já era excesso. Eu compreendo: nesse post ironizava sobre «o bom selvagem». O pessoal não gosta que mexam no «bom selvagem, porque a existência do «bom selvagem» lhes proporciona momentos de grande elevação teórica e de generosidade pedagógica, transformando o professor nesse oleiro que trabalha o puríssimo barro em que as crianças, bem espremidas, consistem. Daí até à avaliação dos professores como oleiros vai um passo.

Passei a manhã a ler comentários na imprensa e na blogosfera. Grande parte deles, na imprensa online, pedia dois estalos na aluna. Compreensível. Acredito que não seria considerado um caso de violência familiar ou «cometida sobre o bom selvagem». Mas o cepticismo ficou reconfortado com os comentários que: 1) achavam que a culpa era da professora, que não soube lidar com a situação; 2) atribuíam a culpa às companhias de telemóveis; 3) achavam que a culpa era do mundo actual, cheio de indisciplina e de benevolência; 4) defendiam que a coisa não se resolvia punindo a adolescente que tratava a professora por «tu» (em «dá-me o telefone já!») nem a turma que dizia «a velha vai cair», precisamente porque «é preciso compreender».

sociólogos que alertam para a existência de bullying sobre os professores; grande novidade. Como escreve Maria Manuel Viana, nos comentários ao post anterior:
«A cena que vimos não é um caso isolado, por mais que o Mministério, a DREN, o conselho executivo nos queiram fazer crer. É uma cena, com contornos mais ou menos semelhantes, frequente nas turmas de básico e sobretudo nessas turmas de 'sucesso' que dão pelo nome de Novas Oportunidades. Se a tutela tem tido, ao longo destes 3 últimos anos, um discurso desvalorativo e humilhador para com os professores, como poderia pensar-se que esse discurso não seria reproduzido pelas famílias e depois pelos filhos? Que ninguém se atreva a falar em falta de autoridade ou em fragilidade, como já vi um psicólogo fazer do alto da sua cátedra. E não, isto não acontece só aos outros. Experimentem estar fechados numa sala com 20 e tal adolescentes descontrolados, pendurados nas janelas, de cadeiras em riste, a gritar obscenidades, a agredirem-se, sem nenhum funcionário por perto, durante 90 minutos 4 vezes ao dia, 5 vezes por semana e então podem falar com conhecimento de causa. Já nos anos 90 Marçal Grilo escolhera para título de um dos seus livros a lúcida frase: O difícil é sentá-los.»

Ler a crónica de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias. E a de Manuel António Pina no JN.

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Quinta-feira, 20.03.08
O vídeo em que se mostrava uma aluna da E. S. Carolina Michäelis, do Porto, a agredir uma professora, foi retirado do You Tube pelo aluno que filmou os acontecimentos e dizia coisas divertidas durante a gravação, «altamente», «sai daí, deixa ver». Gostava de saber, pessoalmente, quanto tempo vai demorar o processo disciplinar a esta aluna. Mantenham-me informado, quem puder.

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Os colegas, a princípio, vibraram com a ideia; só foram em defesa da professora 1m 20s depois de ter começado a cena. No Carolina Michaelis, do Porto.

(Via Blasfémias.)

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Quarta-feira, 19.03.08
Hoje, 19 de Março, a partir das 18.30, vai realizar-se uma vigília diante da embaixada da China. O objectivo é o de chamar a atenção para as “violações sistemáticas dos direitos humanos” – dito assim, não faço mais do que repetir os textos das agências noticiosas, encarando o problema como uma relativa anormalidade. Não é. É uma anormalidade de base, profunda e brutal, que não tem a ver apenas com a repressão e a violência agora usada no Tibete – o historial é enorme, vasto, perde-se na história do império e do comunismo chinês. Dirão que se trata de uma “questão cultural” que deve ser resolvida pelos próprios chineses, o que é de uma hipocrisia insustentável. O capitalismo perdoa aos chineses todas as perversões cometidas, em nome do mercado; alguma esquerda perdoa à China todos os desvios em nome de um realismo incalculável. Os Jogos Olímpicos, até agora, têm sido cenário de grandes cedências e de grandes hipocrisias – mas nenhuma ultrapassa as de Pequim.


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Depois de várias notícias sobre o assunto (aqui, aqui e aqui) seria impossível não comentar a saída de Manuel Alberto Valente da Asa e do grupo LeYa. Foi o Manuel Alberto Valente, meu companheiro de blog, que me levou para a Asa, quando a editora começou a publicar literatura, em 1991; fui o primeiro autor da Asa, o que me honra muito. Tenho muito orgulho nisso. Devo-o ao Manuel.
A sua demissão da Asa constitui o sinal de uma mudança na editora, mais do que na vida do Manuel, que continuará dedicada ao mundo dos livros, como editor ou como leitor. Como editor dos meus livros, o Manuel A. V. foi o melhor dos profissionais e o mais atento dos amigos. Separámos amizade e trabalho, respeitando-nos mutuamente, como editor e como autor. Sei que é um dos últimos grandes editores clássicos portugueses. Para ele, a vida dos livros não se reduz ao negócio da edição; acompanhou cada um dos autores, cada fase do processo dos seus livros e construiu e manteve amizades fortes no meio editorial, em Portugal e no estrangeiro, o que diz bem da qualidade do seu trabalho e do seu prestígio como editor. Como autor, sei que não será possível ter um editor como ele, excepto ele mesmo.

Dados os mails e telefonemas depois da publicação desta notícia, devo esclarecer que também saí da Asa enquanto autor. Guardo ali a memória de amigos bons e de excelentes profissionais. Não tenho razões de queixa em relação ao Grupo Leya, que agora é proprietário da editora e que certamente tem boas expectativas para o seu trabalho. Simplesmente, percebi que, também eu, precisava de mudar. São caminhos que se separam.

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Terça-feira, 18.03.08
Luís Quintais lembra, e bem, que as pessoas se esquecem frequentemente dos textos originais. Neste caso, trata-se de Yeats.

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O Daniel Oliveira foi condenado por um tribunal madeirense a pagar €2.000 de indemnização a Alberto João Jardim, por lhe ter chamado palhaço. Nada de mais. Daniel, bem-vindo sejas ao clube: por bem menos do que isso (apenas lhe chamei candidato a palhaço) um tribunal local condenou-me, há uns anos, a pagar €12.500 a Alberto João Jardim.

PS - Depois de recurso, a Relação de Lisboa mandou repetir o julgamento...


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O governador de NY demitiu-se do cargo por ter «requisitado» (é este o termo, parece, como se fosse uma questão de almoxarifado ou economato) «os serviços de uma prostituta» (estes eufemismos são simpáticos). Não é novidade. Bill Clinton foi perseguido por causa da sala oval, e uma notável série de senadores e políticos americanos ficou já presa pelas virilhas em episódios mais redundantes do que o facto de haver homens e mulheres no mundo. A vida sexual dos políticos é uma questão pessoal e privada e os políticos têm o direito de mentir sobre essa matéria, como qualquer outra pessoa, a menos que incorram em crimes puníveis pela lei geral. Não sei se governador de NY incorreu em algum dos crimes previstos pela lei geral, mas decerto conhecia as regras (escritas e orais, como em outros casos) do sistema. Já há algum problema quando uma pessoa se põe em bicos dos pés numa cruzada moral contra a pornografia e a prostituição, como vem no nosso Conde de Abranhos («ele há grandes problemas...») e depois é apanhado na contramão.
[Da coluna do Correio da Manhã.]


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Segunda-feira, 17.03.08


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Parece que o PS vai tentar meter-se com os ‘piercings’, proibindo o seu uso, bem como o de tatuagens, por menores de 18 anos. É uma bela tentativa, digo-vos eu, que detesto ‘piercings’ e acho o excesso de tatuagens uma infantilidade grotesca. Mas, se eu fosse interpretar o “bem comum” (‘piercings’ e tatuagens podem ser perigosos e são esteticamente questionáveis) e transformar “todos os princípios” em lei, não havia código civil que bastasse. Isto não assusta os que pensam que a sociedade precisa de regras que nos levem ao paraíso na terra. O mundo andaria “melhor” – estaríamos vigiados e haveria sempre gente para nos obrigar a escolher o caminho da vida saudável. Nas utopias e nas repúblicas utópicas, havia disso: horas de rezar, de trabalhar e de gozar. No papel, esse mundo era quase maravilhoso – mas na “vida real” era uma antecâmara do horror. Curiosamente, não por causa dos “maus” – mas por causa dos “bons”, que se transformaram em déspotas grotescos e tiranos.

[Da coluna do Correio da Manhã.]



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Pedro Mexia é o novo subdirector da Cinemateca. É bom ver o talento reconhecido. Sorte e bom trabalho, Pedro.

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Domingo, 16.03.08

1. Eu disse-te logo de manhã: cuidado com o Ytalo.



2. Associação de Amizade Marrocos-Argentina: Lisandro aos 76, Tarik aos 81. Para estender mais umas semanas. Dezasseis pontos são dezasseis pontos.

3. Encontrei o Miguel na quinta-feira e retive, emprestado, um argumento: é injusto pedir-lhe o esforço de permanecer mais um ano no FC Porto. Elegância é quase tudo na vida.


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Sábado, 15.03.08
Sobre a intimidade dos políticos revelada em público, sobre os discursos reles, sobre o estado de sítio, nada melhor do que este post já antigo do Filipe: «Gente sem densidade, sem passado, sem miolos, sem livros, sem dinheiro - dos ministros aos rapazitos do shopping - e que assiste impotente a este desvario. Há excepções, claro, mas são mais raras do que o broche de pino.»


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Imagens do vídeo em Jerusalém.


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O Pedro Correia cita George Steiner (de As Lições dos Mestres) para falar, por exemplo, da importância da memória na aprendizagem; ainda sobre o meu post «A guerra das escolas. Um ponto da situação», é outro dos pontos essenciais da balbúrdia pedagógica promovida pelas autoridades pedagógicas: a desvalorização da memória.

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Está tudo dito. Mesmo para mim, que odeio piercings. Esta é a notícia sobre a guerra aos piercings. E, como me faltam palavras, peço para ler a Teresa Ribeiro, o João Gonçalves, o Paulo Gorjão, Ana Margarida Craveiro e o Rui Carmo. Às vezes, o absurdo toma conta de tudo, e de tal maneira, que é muito difícil convencer as pessoas de que vivem rodeadas de gente absurda.


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José Pacheco Pereira paga a conta. Mas diz uma coisa muito certa: a estratégia é, quase sempre, «meter gente séria no saco de gente pouco séria, para ver se na balbúrdia todos ficam sujos». Há aí bastantes exemplos desta estratégia, que tem vindo a anular muitos processos judiciais.

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Quinta-feira, 13.03.08
O porta-voz do PS, Vitalino Canas, descobriu um princípio que,  a ser seguido por todos os portugueses, aumentaria a nossa auto-estima até níveis de grande esplendor. Cito da imprensa as suas doutas palavras: “Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal.” Vitalino Canas, que há tempos se declarou uma espécie de George Smiley, o personagem silencioso, discreto e amargurado de John Le Carré, vai chegar longe na vida e há-de registar êxito atrás de êxito, até não caber mais em si. É certo que o seu papel é precisamente esse: o de anunciar a salvação do mundo e as boas notícias para os socialistas – e o de reduzir as críticas à dimensão mínima. Tão bem cumpre o seu papel que a sua credibilidade está reduzida a quase nada – ele diz uma coisa, seja sobre o que for, e ninguém acredita. Esse é o motor do seu sucesso. John Le Carré ia adorar.
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Quarta-feira, 12.03.08
As queixas sobre a educação encontraram agora um argumento político de força, graças à manifestação dos professores. A avaliação iria pôr termo a todos os males e levar-nos ao caminho da civilização. Mas, na verdade, a guerra contra os professores e os pedidos para que as autoridades actuem sem recuo faz esquecer o pormenor: avaliem o trabalho do Ministério nos últimos vinte anos. Não dos proprietários ou ocupantes temporários da pasta, mas dos verdadeiros donos do ME, uma classe de experimentalistas que elaboraram programas, preâmbulos a programas, ordens burocráticas e documentos sobre procedimentos burocráticos, escalas de reuniões e curricula absurdos (e que, inclusive, autorizou curricula ainda mais absurdos para valorização «profissional» de professores hábeis, muito hábeis), ausência de razoabilidade em processos disciplinares, reformas e contra-reformas curriculares ao sabor de pantomineirices (como a TLEBS, a imbecilização no ensino da Matemática, da História e da Ciência) que favoreceram a falta de cultura científica e de hábitos de trabalho dos estudantes. Esses são os verdadeiros responsáveis. Meter na escola – essa arena onde o ME sempre esteve impune e sempre defendeu a sua autoridade para impor regras e princípios sem discussão e sem participação – pais, autarquias, estatísticas, julgamentos pelos pares, inspectores sem competência científica e até gente analfabeta mas com todo o conhecimento da novilíngua ministerial providenciada por génios que raramente ou nunca deram aulas ou estiveram mais de dois anos seguidos numa escola, não é o melhor método de nos levar ao caminho da civilização.
Claro que se pode questionar uma avaliação feita contra os professores, mas essa é uma guerra fácil e cheia de armadilhas. Basta ver os blogs, de esquerda e de direita, pedindo autoridade, disciplina e avaliação. Avaliam-se resultados, sim; mas com que instrumentos, com que programas escolares, com que linguagem técnica?
A questão, aqui, não é a de dar crédito aos sindicatos ou às multidões, a de apoiar a ministra (mais uma vez, aliás, é o secretário de Estado Jorge Pedreira que vem salvar a nau...) ou a de considerar que qualquer recuo é uma derrota de José Sócrates. Outras equipas optaram por outro caminho: primeiro, tratar da matéria educativa, dos programas, dos curricula, de um estatuto do aluno sério e capaz, da chegada do rigor (esse sim) ao ensino das ciências e das humanidades – depois, tratar também da avaliação dos professores. Estranho, por isso, que tanta gente caia na armadilha.
Na verdade, esta ministra não tratou de reformar a escola, nem o ensino, nem a educação; tratou, isso sim, e com razoável eficácia, de melhorar as estatísticas e de disciplinar o funcionamento da rede ministerial (desde os célebres corredores da Av. 5 de Outubro às regras para auxiliares administrativos, comportamento de professores e de sindicalistas). Fez bem. Era um ponto. Mas a verdadeira reforma, aquela que este sistema de avaliação há-de esconder, essa não me parece que esteja a ser feita. Coisas simples: o que defende o ME sobre a utilização de calculadoras no ensino básico?; o que diz o ME sobre o programa de ensino de Português?; por que razão entrega de mão beijada o ensino da Literatura e da Filosofia?; por que razão se continua a autorizar o aumento do preço do livro escolar (vem aí, vem aí, preparem-se...)?; foram os professores ouvidos sobre as reformas curriculares? Eu queria um ME que se preocupasse com isso. Argumentarão que a avaliação é o primeiro passo para que o ME deixe de tratar todos os professores como «os professores» e passe a distinguir os bons, os maus e os outros. Mas a fazer o quê, nas escolas?


FJV
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“Chegou, empurrou a porta com força e deitou o meu irmão [José Torres] ao chão.” Ele tinha sido “um pouco bruto”, diz a crónica do crime de Boticas, publicada ontem no jornal. O que fez então José Torres, de 78 anos? Conta a própria irmã: “Com os nervos foi buscar a pistola e disparou.” Atingiu o outro com dois tiros no coração. O leitor passa por esta história e não lhe encontra o sabor da “criminalidade urbana” que atinge os subúrbios e as noites de Lisboa e do Porto; é um homicídio de vinganças antigas, no intervalo de um jogo de futebol – mas hoje mata-se mais, mais friamente, com o sentido da banalidade muito apurado. Há umas semanas, depois de ter disparado por duas vezes um revólver contra o peito de um antigo amigo com quem andara a jogar à bola da vizinhança (depois, as namoradas separaram-nos), o rapaz olhou à sua volta e perguntou: “Queriam que eu fizesse o quê?” Não é a imagem de um país, mas ajuda a compor o retrato com cores vivas. Ou mortas.

[Da coluna do Correio da Manhã.]


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FJV
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Terça-feira, 11.03.08
Luís Filipe Menezes tem uma tese curiosa sobre o seu lugar na política e no coração dos portugueses: o povo ama-o e votará nele, na proporção inversa à crítica que recebe das “elites” e da imprensa. Mas convém não confundir coisas que são distintas. Um exemplo? O povo aprecia pantomineiros, mas não gosta deles no governo.
[Da coluna do Correio da Manhã.]


FJV
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É certo que se trata de futebol, assunto a que se deve dar um crédito de noventa minutos. Mas a forma como José Antonio Camacho se despediu na noite de domingo foi honesta e serena; além disso, foi também uma lição de dignidade. Poucos poderiam fazê-lo desta forma, sem atirar culpas para cima de outros ou sem mencionar “as condições” (que, como se sabe, quase nunca estão reunidas no nosso país). Camacho já tinha estreado uma nova forma de justificar alguns resultados do seu clube ao mencionar que “a bola não entra”, uma evidência indesmentível que não era apenas candura – era também verdade. Desta vez, no seu adeus ao Benfica, Camacho disse mais coisas evidentes: que não conseguiu entusiasmar os jogadores, que eles andavam desanimados e que era melhor contratarem outro treinador. Dito assim, o assunto deixa de ser futebol e passa a ser matéria de carácter. Comparando com o que se diz nestas ocasiões nos nossos estádios, resulta que Camacho é um cavalheiro.
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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FJV
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Em memória de Rogério Ribeiro, Aldina Duarte, a mais autêntica das novas intérpretes do fado.


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MAV
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Morreu hoje um grande pintor português, mais conhecido do grande público, provavelmente, pelas ilustrações que fez para Até Amanhã, Camaradas, o romance de Manuel Tiago / Álvaro Cunhal.

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MAV
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Segunda-feira, 10.03.08
O Luís Januário chama a atenção para dois títulos «interessantes»: um, é Da Plurivocidade Vocabular em Agustina aos Galimatias do Medialecto; o outro é Dinâmica Metamórfica e Impura de uma Ana-prolepse Catacrética.

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FJV
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O passado é uma armadilha e invocá-lo como garantia de pureza democrática é uma porta aberta para a desgraça. Parece que uns arruaceiros chamaram “fascista” ao ministro Santos Silva. Coisa imbecil. Mas o ex-sociólogo Santos Silva, o mesmo que anunciava um golpe de estado caso Cavaco ganhasse as eleições, tentou ali separar as águas, falando dos heróis da liberdade em 1975, como Soares, Alegre ou Zenha. Nesses anos, Santos Silva queria com toda a certeza uma ditadura do proletariado e, quanto a esses homens, deve tê-los insultado, como era da regra. Maria de Lurdes Rodrigues, a actual ministra da Educação, era, nos finais da década de oitenta, redactora da revista A Ideia, de “cultura e pensamento anarquista”, e na época devia pensar exactamente o contrário daquilo que hoje propõe. Os arquivos estão cheios desses textos. Não vem daí grande mal; as pessoas evoluem, às vezes melhoram, ou basta que mudem. Mas é pena que conservem, lá no fundo, os tiques da época.
[Da coluna do Correio da Manhã.]

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FJV
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Já acabou. Hoje, de manhã, as rádios ainda faziam emissões especiais de Madrid, com a maior parte dos jornalistas contentes com os resultados. Hoje estou compreensivo, e acho natural. Mas  estou contente por outro motivo, puramente linguístico, fonológico e fonético: pelo menos durante uns tempos não ouvirei falar de «Rrrarroy praqui, Rrrarroy prali». E bendigo os argentinos: eles diriam «Rajoi», sempre é mais líquido. E quanto ao número de votos (millones, millones), também estou com os argentinos: eles diriam mijones.

P.S. - De resto, há um fenómeno de vogais abertas na rádio e televisão: Cárdozo, Mákukula; ontem era Ássis e Cámácho.

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FJV
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Compreendo a lógica do negócio com a Venezuela e, como português, devia ser mais sensível à nossa moeda de troca pelo crude: azeite e bacalhau, por exemplo. Mas não sou. Não sei o que me parece.


FJV
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Domingo, 09.03.08
1. O Benfica está em segundo lugar no campeonato; não é nada mau. Bem pelo contrário. Mesmo assim, Camacho despede-se; diga-se de passagem, que de forma muito digna.

2. Sobre o jogo do Benfica propriamente dito, abstenho-me de comentar. Como sempre, a melhor leitura é do Filipe: «O sr. Vieira - "de certeza que um dia mais tarde nos iremos encruzar" ( sic) - vai ter de arranjar alguém que o ature. E que treine o Luís Filipe.»

3. Sobre o jogo do Sporting, também me abstenho, mas rejubilo com o estádio do Vitória de Guimarães eufórico; aquela gente merece. Sinceramente, acho estranho que Paulo Bento continue como se não acontecesse nada, à espera do jogo com o Bolton Wanderers, com um único adepto indefectível na bancada.

4. Sobre o FC Porto, cá vos esperamos.

Actualização: queriam um treinador. N' A Bola já começaram a arranjá-lo. Pensam em tudo, os assessores de imprensa competentes, perdão, os jornalistas, perdão, A Bola.


FJV
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Enezaide do Rosário da Vera Cruz Gomes, ou Naide Gomes. Campeã do mundo.

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FJV
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