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Fashionpost.

por FJV, em 19.12.07


A Tati diz que sou habitué dos casacões. Eu?

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Lugares no meio do mar, 2.

por FJV, em 19.12.07


O Diogo Belford Henriques propõe as ilhas Aran e, de entre elas, Inismór. É outro dos grandes lugares no meio do mar; e deliciosa a viagem entre Galway (Ross-An-Mhill) e a ilha a bordo do Aran Flyer ou do Queen of Aran (eram, há anos, os dois barcos mais usados). Na altura escrevi bastante sobre as Aran, de tal modo fiquei perturbado por aquela solidão, pelo filme de O'Flaherty e pelo texto de J.M. Synge. Já tinha perdido esses textos há muito, publicados num número antigo da revista Ler. O Rui Cóias acaba de republicá-los no seu blog Fundamentos da Passagem:
«Uma das raparigas-marujas que trabalha no Arann Flyer, e que me traz de vez em quando maços de cigarros que não há à venda aqui na ilha, é de Shannon, o que me faz contar-te uma história assustadora. Sob as águas do lago Shannon existiria uma cidade lendária que de sete em sete anos aparecia na segunda noite de lua cheia (ao completar esse ciclo); quem a visse, morreria (como acontecia também com quem ouvisse a música da harpa de Aiobhell, a fada de Craig Liath - o Rochedo Cinzento -, amante de Dubhlaing ua Artigan, que morreu na batalha de Clontarf, apesar do dom da invisibilidade que lhe foi emprestado por Aiobhell). [...] Há uns anos atrás, parece que um grupo estudou a fundo a natureza destes ciclos (é preciso contar com o tipo de calendário celta, em que o ano começa em Novembro e o Verão chega em Maio) e chegou à conclusão de que se iriam perfazer sete anos em determinada noite. Foram visitar Shannon nessa altura e nunca mais apareceram. Não sei se a história é verdadeira e podes dizer, daí, que as ilhas favorecem as alucinações, as visões e, obviamente, os enganos da alma. Também creio que isso é verdade, afinal.»




Alguns dos textos dessa «Carta Sobre a Grandeza das Ilhas de Synge e O`Flaherty» estão
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, graças à generosidade do Rui Cóias, que seleccionou fotografias fatais.

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Informadores de rotina.

por FJV, em 19.12.07
Na entrevista de Marques Vidal ao Correio da Manhã, há uma passagem interessante para autores de romances policiais. O antigo director da PJ diz que «a Judiciária tinha um leque de informação que abrangia todas as áreas criminais. E muitas vezes de um furto de uma carteira ou de um automóvel pode chegar-se à solução de enorme burla, de um crime de homicídio ou até de uma associação de malfeitores.» Depois, a Judiciária passou para «uma actividade destinada à investigação daquilo a que se chama a criminalidade grave», deixando de lado a pequena criminalidade. Ou seja: perdeu uma rede substancial de informadores. O progresso é inevitável.

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Vídeo, memória.

por FJV, em 19.12.07
Há uns anos, durante o meu primeiro trabalho como jornalista fora de fronteiras (na Alemanha, em Hamburgo, onde decorria o julgamento de Konrad Kujau, o «autor» dos Diários de Adolf Hitler, que a revista Stern comprou como verdadeiros), o que mais me impressionou nesse Outono de Hamburgo foi a existência de uma associação designada como «Cidadãos Vigiam a Polícia» e cujo objectivo era identificar as câmaras de vídeo espalhadas pela cidade, publicando depois essa informação. Um pouco de folclore, claro. A Alemanha tinha vivido vários Outonos violentos e a Fracção do Exército Vermelho (Baader-Meinhof) não era uma ficção que actuava na Ribeira portuense. Um dos principais animadores da associação era um carteiro, que cheguei a conhecer, e que passava férias no Algarve. É verdade que havia um pouco de folclore. Hoje não nos importamos que instalem câmaras em todo o lado. A videovigilância serve vários propósitos, protege-nos de outros, vigia-nos nos elevadores, nas estações de correios, no metro, nas praças, nas lojas de flores. Já não somos nós; ou uma parte de nós é apenas pixels. Daqui a uns meses, reunindo as imagens das câmaras instaladas um pouco por todo o lado, seremos capazes de reconstituir uma parte substancial dos nossos passos, a forma como descemos as escadas do metro, como nos comportámos enquanto esperávamos a nossa vez numa repartição, o cigarro que fumámos numa paragem de táxi, os jornais que comprámos numa banca, se atravessámos determinada rua, se fomos a um bar e com quem. Por outro lado, as companhias de telefones poderão ajudar-nos a lembrar para que números ligámos nos últimos dois anos. Uma loja de electrodomésticos a quem fornecemos um número de «telefone de contacto» sabe que aparelhos comprámos nos últimos cinco anos e em que dia exacto. Ao verificar as gravações de um shopping, podemos recordar que lojas visitámos. A Brisa pode saber a que horas passámos numa portagem de auto-estrada, se usámos Multibanco -- e pode saber se ultrapassámos os limites de velocidade. Um hotel tem acesso a vários dados pessoais (incluindo cartão de crédito), se decidir utilizar a chave electrónica que usámos para abrir a porta do quarto. A Amazon sabe que livros comprámos nos últimos anos e faz o favor de no-lo lembrar. É fácil reconstituir a nossa vida. Espalhamos memória por todo o lado. Nem precisamos de hackers. Passamos ao lado de todos os perigos.

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