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Spam.

por FJV, em 18.12.07
Uma tradicional forma de spam: boas festas. E etc.

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Lugares no meio do mar.

por FJV, em 18.12.07


O Francis C. Afonso publicou esta foto no seu blog. É uma das paisagens mais bonitas de Portugal, a das falésias de Porto Formoso e Praia dos Moinhos vistas a partir do Miradouro de Santa Iria. Andei à procura de outra palavra para escrever em vez de «bonitas», mas acho que fica mesmo essa. Canaviais, muros a dividir os pastos, dois ou três cumes de criptomérias, cedros, buxos e hortênsias, um relvado firme a descer a colina até cair perpendicular sobre o areal e as rochas negras, um jacarandá (que eu sei) numa das curvas dessa estrada (vem da Ribeira Grande e parte na direcção da Maia e do Nordeste), antes da casa dos cantoneiros. Isto, à direita. De memória, se avançarmos um pouco para lá do pequeno muro, à esquerda fica uma língua de pastagens verdes e de caminhos perdidos entre canaviais que vão dar à Ponta do Citrão e ao farol, uma das paisagens crepusculares mais estranhas de São Miguel. Este lugar lembra-me uma felicidade sem nome, feita de viagens e de passeios vagarosos sempre com o fio do horizonte cheio de verde e azul, com a copa das nuvens pairando sobre a Maia. Sim, há o Nordeste propriamente dito, e a Serra da Tronqueira, o amanhecer na Ponta da Madrugada ou no Faial da Terra, ou na Água Retorta. E há os declives monumentais do Salto do Cavalo, a pequena elevação da Serra de Água d'Alto, a beleza intransitiva da Caloura -- mas este lugar é um dos meus lugares no meio do mar.

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Cousas dramáticas & decisivas ou por que razão o Director-Geral da Saúde etc, etc.

por FJV, em 18.12.07

C
oisa dramática a chegada da lei do tabaco (abreviemo-la assim). Como fumador, estou de acordo quanto à letra da lei. Primeiro ponto. Por isso não compreendo o ar choraminguinhas do Director Geral da Saúde, com quem até simpatizo, ameaçando demitir-se se a lei não for levada à prática. Ele tem aquele ar de barba mal aparada, ligeiramente apopléctico, de quem gosta de boa mesa e tem com a saúde uma relação simpática. Demitir-se se  o quê? Pessoalmente, acho que o bom-senso vai ser a nota dominante, apesar de notas verdadeiramente civilizadas de alguns porta-vozes de restaurantes chiques de Lisboa, que em vez de serem atenciosos para com os seus clientes, independentemente da sua condição de fumadores, dizem «quem quer fumar vai para a rua». Já tomei nota dos nomes e endereços.
De resto, como disse, concordo com a lei e não me assusta; certamente deixarei de ir a muitos restaurantes para refeições prolongadas, mas todas as outras medidas são aceitáveis. Nada de dramas.
Noto, além da declaração despropositada de Francisco George, uma onda alarmante de outras declarações trágicas em nome de pessoas que sofrem de asma e de inclemência pituitária. Portugal vai ser um país mais saudável; não tenho dúvidas. Mas esperemos que continue amável e sensato, mesmo se isso acarretar a demissão do Dr. Francisco George, a quem envio uma suavíssima poeira de H. Upmann Cigarritos que é o que estou a fumar neste momento, em zona autorizada -- pedindo-lhe que reconsidere. Gosto de o ver na televisão.

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Revista da imprensa. Questões de justiça e a carne descoberta.

por FJV, em 18.12.07
«O rei Abdullah perdoou uma jovem que tinha sido condenada a seis meses de prisão e 200 chicotadas depois de ter sido vítima de uma violação colectiva, noticiou ontem o diário Al-Jazirah», lê-se no Público.
Eles têm razão. Recordo as sábias palavras do eminente xeique Taj el-Din al-Hilali, por exemplo. Ele tinha dito com inegável sabedoria: «Se você pegar um pedaço de carne descoberta e deixar na rua, no jardim, ou no parque, e os gatos vierem e comerem… de quem é a culpa, dos gatos ou da carne descoberta? O problema é a carne descoberta. Se a mulher estivesse na sua sala, na sua casa, no seu hijab, não teria acontecido nada.» Mesmo assim, tendo sido violada, esta jovem foi perdoada; é infinita a generosidade dos homens.

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Revista da imprensa.

por FJV, em 18.12.07
Leiam e aprendam. Página de doutrina política. Sócrates confessa-se.

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Os romances. A beleza.

por FJV, em 18.12.07


Não consigo ler Jane Eyre, de Charlotte Brontë, sem achar que se trata de um dos grandes romances. Poderia ser o grande romance, se não houvesse Tristram Shandy, que não sei bem o que é. Sinto o mesmo em relação a uma série de títulos como Orgulho e Preconceito (apetece sempre dar um empurrão a Fitzwilliam Darcy), de Jane Austen, e, sobretudo, acerca de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë. Este último, Wuthering Heights, deixa-me sempre perplexo, obviamente por causa da frieza de Heathcliff e do drama de Catherine – e do seu mau julgamento acerca do amor. Wuthering Heights é também uma imagem brutal que vem da minha adolescência e que me lembra o conformismo da obsessão amorosa; e tem aquelas paisagens belíssimas – desde logo, a própria paisagem do título. Mas Jane Eyre é uma história que não necessita de consolo, a de um confronto entre deserdados da beleza (tanto Jane como Edward Rochester); e Jane é o modelo da mulher independente que ganha o direito a sobreviver. Em quase todos os romances de que gosto há essa luta pela independência e pela sobrevivência, em que a ideia de dignidade é o cenário em que tudo decorre; deve ser outro tipo de obsessão. Agora, que folheei Jane Eyre de novo, insisto que um grande romance pode ser também poético, cheio de paisagens e de incêndios.

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