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Intimidade dos sentidos (1)

por FJV, em 29.11.07









Sou um grande leitor de pedaços de livros. Ontem, por exemplo, li o primeiro capítulo de Um Diário de Leituras, do Alberto Manguel, dedicado a A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares. Ficou-me esta frase do diário de Bioy:

«Sempre disse que escrevo para o leitor, mas o facto de continuar a escrever, numa altura em que os leitores (os leitores a sério, comprometidos) deixaram de existir, é uma prova irrefutável de que escrevo, muito simplesmente, para mim próprio.»

 

[MAV]

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Foram gigantes...

por FJV, em 29.11.07







Eu hoje visto de vermelho... mas pelo Braga.
[MAV]

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Portugal-Brasil. É hoje.

por FJV, em 29.11.07










QUE IMAGEM TRAZEM DO OUTRO AS RELAÇÕES CULTURAIS PORTUGAL/BRASIL?
Há duzentos anos, ameaçada pelas invasões napoleónicas, a Corte portuguesa atravessou o Atlântico e fez do Rio de Janeiro a capital do Império. Dois séculos depois diversos escritores portugueses têm vindo a redescobrir o Brasil em obras de ficção.
Na sessão de Novembro dos Livros em Desassossego, como sempre moderada por Carlos Vaz Marques, o crítico e professor universitário Abel Barros Baptista, o sociólogo Ivan Nunes e os escritores Miguel Real e Francisco José Viegas debatem o estado actual das relações culturais e literárias entre Portugal e o Brasil.
Antes, Hugo Xavier, coordenador editorial da Cavalo de Ferro, escolhe três livros recentemente editados que gostava de ter visto publicados na editora de que é um dos responsáveis.

Hoje, na Casa Fernando Pessoa, às 21h30.

[FJV]

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Taiwan.

por FJV, em 29.11.07
Tudo calado em redor do assunto. Mas o título do Diário de Notícias de hoje resume todo o programa geral:
«UE 'dá' Taiwan à China e omite direitos humanos.»
Não sei se entendem.
[FJV]

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Nas livrarias, acho eu.

por FJV, em 29.11.07



















OS DIAS DE GLÓRIA
Envelheces tanto de cada vez que o dia termina
e olhas para trás. Tens medo do começo do fim,
das tardes de domingo; um dia, distraído, tens medo
do sexo, da amabilidade e da noite, e dos rostos
que foram belos – e não são mais. Envelheces muito
quando o mundo contraria as pequenas coisas,
sentes esse cansaço, nada a fazer.
Mesmo da poesia, que iluminava o tempo, vais
colhendo apenas a amargura; os outros procuram nela
sinais de um destino, datas curiosas, zangas, ventanias,
armadilhas, mas tu sabes – e só tu sabes –
que a tua vida é a tua vida e que o poema
é empurrado por outro sopro, por um reflexo,
um medo brutal, pela memória dos que morreram
e levaram uma parte de ti, um pouco do que havia
de comum entre ti e a vida, esse desperdício – às vezes –,
esses momentos de glória em dias felizes.
Envelheces com os ossos que envelhecem. Envelheces
sem querer. Por ti serias eternamente jovem, adolescente,
e percorrerias as estradas das serras, as florestas,
não para viveres sempre, mas para estares vivo
mais um instante, porque o espectáculo é belo
uma vez por outra. Envelheces pouco a pouco,
porque as coisas não são o que foram nem são o que são.



GENEALOGIA, I
Os pais dos teus pais, os filhos dos teus filhos,
é isto uma família? O que separa o futuro daquele lugar
onde os teus mortos repousam? Avós adormeceram,
abandonados, em campas cobertas de terra e xisto.
Foram despedidas rápidas, comoventes algumas, enquanto
os teus desciam à terra e, cá fora, a vida recomeçava
com mais uma ausência. Ficavas para trás. Fiquei para trás
algumas vezes, observando como a tarde morria
depois dos funerais e eu tinha de seguir pela vida fora
acrescentando ausências sobre ausências. Eu sei,
observando-te pela janela (a mim próprio), que tens medo:
a solidão dos anos avança e ninguém tratará de ti,
ninguém te amparará para subires as escadas, ninguém
te levará de visita à terra dos teus maiores para que olhes o rio,
os barqueiros, as ruínas ou os muros das vinhas.
Rodeado de estranhos, tão funesta foi a tua vida,
tão plena, tão feliz, com momentos desprezados e perfeitos.



GENEALOGIA, II
Ouves os ruídos dos filhos, retido na cama. Uma gripe
não te afasta do mundo, mas mostra-te como és fraco;
eles continuam, alegres ou deixando a adolescência,
ou permanecendo crianças, rindo.
Tinhas pulmões de aço, fumadores, adultos,
e um gosto elegante pelo futuro. Fumas de pijama,
na varanda, enquanto os turistas de domingo vão à praia,
saudáveis e comentando as notícias do dia,
vestidos de branco no meio do Verão.
Borboletas nas roseiras, cadeiras na penumbra,
sentes que a morte avisa uma e outra vez,
soletrando o teu nome, aprendendo as tuas sílabas,
o teu caminho, para depois te encontrar mais depressa.
Ouves os teus filhos, comovido. Terás de deixar-lhes
uma herança para além dos livros,
das observações sobre meteorologia, das receitas
de família, das recordações de aldeia.



BORBOLETAS
Noites sem sexo são perfeitas, também: janelas entreabertas,
sombras que passam na rua através das horas, relâmpagos
que não chegam a iluminar as paredes do quarto. Românticos
que se encontram depois de viver vidas paralelas, cansados

– mas enlaçados antes que chegue a hora de partir, sem saberem
se amanhã há outro sono igual, ou uma escolha para fazer.
Os dois sabem que são doidos, estendem os dedos na escuridão
entre as luas. Os dois sabem que mais adiante podem arder
de repente no meio do Verão, consumidos pelos segredos

e pela indiferença. Noites sem sexo são perfeitas, também;
e raras, e condenadas e incompletas. Borboletas no estômago,
batendo asas contra todas as paredes do corpo – não deixando
que ele adormeça, inquieto e insatisfeito, voltado para dentro

e para o passado. Românticos que se encontram quando nenhum
deles esperava outra oportunidade, outro caminho. Nunca estamos
preparados, diz um. Nunca estamos, repete o outro, quando
a primeira borboleta sossega depois de um beijo em dívida.












NEVA EM USHUAIA
Neva em Ushuaia por alguns instantes. São os primeiros
sinais do Outono, vindos de El Martial ao fim da tarde.
Os poetas locais compõem os versos adequados à circunstância
– o Diario del fin del Mundo publicará depois sonetos, odes,
vilancetes e até uma milonga irregular sobre a brancura
que emudece diante do canal. Para isso serve a poesia,
que é mais útil nas pequenas cidades: ilustra os museus, os jardins,
estátuas de almirantes, exploradores, viajantes da Antártida,

almocreves heróicos que atravessaram o estreito de Magalhães
para chegarem a Ushuaia. Neva em Ushuaia e comovo-me
nas ruas molhadas diante das livrarias e das lojas de tabacos,
e digo o nome dos meus filhos, Maria, Manuel, Francisco,
subo as escadarias, vejo a neve diante dos museus, das portas,
vejo os caminhantes que se abrigam nos cafés e olham
com surpresa a primeira neve do Outono. Mudo os meus versos
e empobreço-os, tocados pela primeira neve, a primeira neve

do Outono que cai sobre o fim do mundo, cai sobre a baía,
cai sobre o glaciar, cai sobre a mudez mais fria da pedra,
sobre as montanhas escuras, e nada resta do primeiro verso,
nada fica da primeira palavra, como uma ventania do sul.

Se me Comovesse o Amor
[Edição Quási. Colecção Uma Existência de Papel.]

[FJV]

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Vaidade, etc.

por FJV, em 29.11.07







Isto é crítica e interpretação literária.
[FJV]

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