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por FJV, em 17.11.07
||| Sim.
No mais importante referendo deste fim de semana, votei sim. Comprei dois exemplares do novo Harry Potter e os Talismãs da Morte.
[FJV]

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por FJV, em 17.11.07
||| O trabalho.
O livro de Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP (Trabalho e Sindicalismo em Tempo de Globalização, publicado pelo Círculo de Leitores) merece uma leitura. Ele compõe-se de duas partes, ironicamente: uma, dedicada ao trabalho; outra dedicada ao sindicalismo. A tese é inteligente, embora elaborada sem suficiente elegância teórica: os novos tempos desvalorizaram o papel do trabalho na sociedade. Ao premiar-se o capital de risco, o capital financeiro, a especulação, o trabalho deixou de ser um valor essencial para a criação da riqueza e para a vida em sociedade.
[FJV]

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por FJV, em 17.11.07
||| Gare do Oriente, um caso.
Passei uma década a viajar de comboio. Até escrevi um livro sobre comboios. Uma década, entre Lisboa e o que havia de Europa para conhecer. Estações minuciosamente esquadrinhadas para encontrar um restaurante, um duche, um canto para dormir, uma cabine telefónica, um terminal de autocarros ou de barcos. Tenho recordes para contar, como o de 16 dias seguidos a dormir em carruagens que atravessavam fronteiras visíveis e invisíveis, ou a companhia de viajantes ainda mais incansáveis. Linhas principais e ramais secundários. Não interessa. Do que me lembro, raras vezes senti a imagem de desprotecção proporcionada pela Gare do Oriente, onde me abasteço periodicamente de ligações ferroviárias. O Pedro Sales comenta o comentário de Duarte Calvão (já aqui comentado, por sua vez) e chama à Gare do Oriente aquilo que ela é: um apeadeiro «que custou 175 milhões de euros, o que deve ser um recorde mundial». A questão, caro Pedro, de facto, não é de ordem arquitectónica; é de respeito pelo viajante de comboio. Ela é o resultado de uma década de ouro do bacoquismo nacional, que de resto está à vista em quase todo o espaço da Expo. Gente fascinada pelas glórias da grande arquitectura deixou aquela zona entregue à desolação -- o que é matéria arquitectónica e é matéria política. Sobre o primeiro dos aspectos, pronuncio-me pouco, e a medo. Mas acho que há ali uma questão política, não no sentido em que as decisões de deixar aquilo como está foram tomadas por responsáveis políticos, mas porque tudo aquilo dá uma ideia de como eles vêem os utilizadores, os cidadãos, os viajantes, os habitantes: lixo, muito lixo; cafetarias sujas; zonas escuras onde não é seguro passar quando se chega no «comboio da noite»; labirintos mal sinalizados e cuja ordem só é apreendida depois de muitos dias de frequência; parques de estacionamento com pouca vigilância; bilheteiras ao ar livre com filas de viajantes agradecendo o vento de Inverno; salas de espera desconfortáveis; escadarias igualmente mal sinalizadas. Isto é uma questão política; os talentos da Expo permitiram que a «nova estação ferroviária» de Lisboa se transformasse num repositório de maus hábitos suburbanos, onde tudo apodrece, onde o lixo se acumula, onde não é agradável apanhar comboios num cais que não tem bancos suficientes para aguardar a hora de embarcar e que está desprotegido, onde chove e faz vento, onde o horror da camionagem está sempre presente.
Pessoalmente, prefiro apanhar o comboio em Santa Apolónia, na velha Santa Apolónia. Infelizmente, os Alfas não partem da bela São Bento. Um Estado que não garante conforto aos cidadãos; é esta a imagem definitiva. Compreendo a visão do arvoredo metálico da estação do Oriente, que deve ser um primor arquitectónico. Mas fatal, se lá pomos pessoas. Pessoas que merecem um lugar para se sentarem.

PS - No caso do «Terminal 2» do aeroporto de Lisboa, não há sequer considerandos de ordem arquitectónica. É como se ele fosse destinado aos camelos. Se me faço entender.
[FJV]

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por FJV, em 17.11.07
||| A quem possa interessar.
Caríssimo Dr. José Alberto Azeredo Lopes: li esta notícia e creio dever informar essa Entidade que neste blog não há «conteúdos sujeitos a tratamento editorial» e que, como tenho escrito, os «conteúdos» não estão «organizados como um todo coerente», coisas que me permitem escapar à superior vigilância da Entidade. Mesmo assim, nunca se sabe. Sendo verdade que os socialistas italianos (ou assemelhados) já criaram mecanismos para morigerar a blogosfera (obrigando os blogs a um registo, ao pagamento de uma taxa e a obter um alvará), espero que os socialistas portugueses (ou assemelhados) não caiam na esparrela. Ao contrário de outros «meios», este blog não tem agenda, não tem editor sempre responsável, e não costuma insultar ninguém. Uns atropelos, vá lá. Mas nada de especial. Asseguro o direito de resposta a toda a gente, desde que me respondam sem muitos advérbios. Falo de sexo apenas o indispensável, a política deixa-me desamparado e desiludido («desiludido» é uma maneira de dizer), a literatura ainda não é muito ofensiva, e não publico fotografias de cidadãos que não querem ser fotografados. Desde que o Dr. Soares mencionou o «direito à indignação» tenho, repetidas vezes, tentado insultar o aeroporto de Lisboa, a estação do Oriente, o Sport Lisboa e Benfica (ou os repolhos do meu clube de estimação), o seleccionador nacional, os táxis no aeroporto de Lisboa, o mandatario Hugo Chávez, a Asae, o Jornal da Região, os inimigos do Dr. Pinto Monteiro ou -- uma vez por outra, mas sem grande impertinência -- essa Entidade. Todos somos injustos, é o que é. Portanto, isto não é um site. Assino com o meu nome. Não tenho nenhum blog anónimo. Quem quer responder-me, responde, mas não me parece que seja necessário invocar os códigos. O senhor diz que «não há, ainda, um plano de acção elaborado», e espero que tenha em conta estas observações. Mas nunca se sabe. Em Itália, a esquerda achou que devia disciplinar os blogs, e isso, como se viu, dá má reputação. O senhor procurador-geral acha que os blogs são uma porcaria, e o senhor primeiro-ministro também partilha a opinião. Não me parece verdade, porque há blogs muito bons. Há blogs onde se escreve muito melhor do que nos sites oficiais do Estado português, e que são muito mais úteis (eu forneço uma lista, sempre pronto a delatar). A Dra. Margarida Moreira (lembra-se dela?) vigia os blogs e anota tudo o que eles escrevem sobre o seu magistério moral e político, para quando chegar o dia. Os blogs não têm poder nenhum, os blogs têm muito poder; o senhor, que é um académico muito respeitável, pode escolher qual das afirmações é verdadeira. Existem, naturalmente, blogs de sarjeta, tal como existem políticos de valeta. A vida é muito injusta nesta matéria.
A questão é que «todas as pessoas que sintam violados os seus direitos de expressão em sítios da Internet que cumpram uma função de veículo de comunicação pública possam ver as suas queixas atendidas pelo Conselho Regulador». Eu, que assino este blog, preferia poupar-lhe o trabalho, e pedir aos ofendidos que recorram aos tribunais civis. Como sabe, a lei geral é suficiente. Veja o que acontece com o o futebol, com os seus tribunais especiais, as suas leis particulares, os seus desembargadores de aluguer, os seus juízes descredibilizados: ninguém confia. Não queira o senhor passar -- injustamente, é certo -- por ser um desses desembargadores da Federação de futebol, como se houvesse um Estado dentro de um Estado.
Nós, nos blogs, geralmente exageramos muito. De uma coisa de nada fazemos (falo por mim) uma tempestade, de coisa nenhuma fazemos um carnaval.
Portanto, se a TAP ou o aeroporto se queixarem do que escrevi sobre aquela coisa miserável que é o Terminal 2, ou se os superlativos talentos da Expo 98 se queixarem do que disse sobre aquela coisa grotesca e desagradável que é a Estação de Oriente (são dois exemplos recentes), diga-lhes, por favor, que me enviem um email. Basta isso. É um mimo.
[FJV]

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