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por FJV, em 16.08.07
||| Coisas fatais: o jogging é de direita?
Não tinha reparado no assunto, mas a última coluna de Diogo Mainardi retomou o assunto. Ver aqui a pergunta, feita pelo Libération: «Le jogging est-il de droite?» O tema parece riquíssimo, académico. Ironia: «Alors, on comprend enfin : le jogging, c'est un gadget d'affreux types de droite, capitalistes, de démagos. Parce que c'est trop éloigné des valeurs actuelles de la gauche française. Alors, c'est un truc de Sarkozyste. Et donc, c'est un truc dangereux pour la démocratie.» Parvoíce: «Le jogging, bien sûr, se retrouve du côté de la performance et de l’individualisme, valeurs traditionnellement attribuées à la droite
Quando virem José Sócrates fazer jogging, debatam.
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| A Wikipedia não dorme.
Ver as maravilhas da Wikipedia portuguesa, a propósito do caso Universidade Independente, ou de como não se pode dormir em serviço, por Vasco Carvalho.
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| Revista de blogs. Vontades.
«Enquanto comia li a Cássia Kiss contar que tem bulimia e é bipolar e deu-me uma enorme vontade de ser a Mulher Samambaia, da Playboy deste mês. Tão linda de cara quanto de bunda.»
{Mónica Marques, no Sushi-Leblon}
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| Revista de blogs. RTP Memória.
«Dava um bom início de romance: um inspector [da PJ]com ar seco de Boliqueime, prostrado em frente de uma secretária estilo escola primária do Estado Novo, literalmente afogado por jornalistas e folhas de papel que, de repente, começaram a aspirar o estrado, o estuque, as notícias, a prosódica e até o móbil do crime. Um vórtice prodigioso. Adorava revê-lo na RTP-Memória.»
{Luis Carmelo, no Miniscente}
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| Revista de blogs. A febra.
«O "circuito da febra" tem sentido num partido popular em que muita gente nunca poderia ver um "notável" ou dizer umas verdades a um ministro se não fosse a ocasião da "febra".»
{José Pacheco Pereira, no Abrupto}
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| Revista de blogs. Perto do fim.
«Por muito que me custe ver pessoas que gosto porem fim a relações, penso sempre que o Eusébio não se devia ter arrastado até ao União de Tomar.»
{Bruno Sena Martins, no Avatares de um Desejo}
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por FJV, em 16.08.07
||| Revista de blogs. Felicidade.
«As férias pequeno-burguesas estão aí para meu deleite. Os regimes iluminados tentaram sempre controlar as férias do povo ( Hitler organizava acampamentos de Verão, os soviéticos recomendavam leituras, Salazar tinha a FNAT e etc...), por isso gosto desta debandada mansa e desordenada para lugares previsíveis.
A única nuvem é a mania das fotografias. Tiram-se muitas. Demasiadas famílias inteiras. Vai custar, mais tarde, esta suposição de felicidade. Todos juntos, só no papel.»
{Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.}
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| Revista de blogs. Agosto.
«...e, mais certo do que eu me chamar Carlos, em Agosto, o Sporting ganha a Supertaça. Há coisas que nunca mudam.»
{Carlos Malmoro, no Geração Rasca.}
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| Revista de blogs. A vidinha deles.
«Os mais ricos de entre os mais ricos estão assim por causa da especulação e não necessariamente porque a produtividade do país aumentou. Não aumentou. Eles é que tratam bem das respectivas vidas.»
{João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.}
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| Quando somos alguma destas nossas coisas.











Sabem de nós coisas estranhas que nós não sabemos. O que deixamos num lugar de uma biblioteca, num cartão multibanco, no cartão magnético de um hotel. Quando alugamos uma bicicleta ou preenchemos um papel insignificante acerca da rua onde moramos. Os retratos dos filhos, dos avós, dos netos, dos amigos, se mandamos emoldurar as fotografias. Os telefonemas que nos ouvem. Sabem de nós coisas estranhas. Quando pedem a nossa declaração de IRS em lugares comuns e fáceis. Quando passamos numa auto-estrada, compramos um bilhete para o cinema, ou dizemos os filmes da nossa vida, os livros que levamos para uma ilha – sabem tudo de nós. Sabem de nós coisas estranhas que nós não sabemos. Quando passamos numa fronteira, quando assinamos um papel, vamos ao banco, matriculamos os filhos numa escola, compramos um carro. Todos nos pedem a identificação. Sabem de nós coisas estranhas que nós não sabemos.
[FJV]

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por FJV, em 16.08.07
||| A memória não se apaga, mas o esquecimento é indigno.












Eu tive a minha fase de leitor de Miguel Torga. Vivia em Trás-os-Montes, conheci o poeta, passeei com ele na companhia de um dos seus melhores estudiosos e biógrafos, Fernão de Magalhães Gonçalves – o autor do “Manifesto por uma literatura legível”, que havia de morrer mais tarde, só e longe, em Seul –, e tive dele a impressão de um portento. Os torguistas, no entanto, sempre me surpreenderam; não só eram desgraçadamente muito piores do que Torga como tentaram sempre reduzir Miguel Torga à respiração assistida de um regionalista de Trás-os-Montes. Ele era-o, também; mas onde aparecia o brilho luminoso de um relâmpago (o “orfeu rebelde” da sua poesia em luta contra um deus misterioso e pagão), os torguianos viam apenas uma consequência do seu regionalismo. Não sou um leitor da sua ficção; fui da sua poesia. Quem me afastou da leitura de Torga foram os seus “dependentes funcionais”, os guardiães de um país desenhado à imagem do “reino maravilhoso” que já não existia e que viam em Torga (não me interessa muito como ele se via a si próprio) uma espécie de “reserva moral” que vigiaria (pensavam eles) deslizes e cosmopolitismos.
Essa construção moral e política, “o Torga”, era muito inferior à sua poesia, mesmo se o tivermos na conta de um homem que já não era do seu tempo.
Recentemente, reli a sua poesia. Contrariamente ao que aconteceu na minha adolescência, não vi esse “brilho luminoso de um relâmpago” – mas pode pressentir-se nela aquilo que ela foi: uma luta intensa, uma consciência religiosa, uma mitologia. Isso é uma coisa; outra, foi o papel desempenhado ou representado por Miguel Torga ao longo destes cem anos, que agora se comemoraram, e que largamente ultrapassou a sua obra – uma obra do cânone, um nome da história da literatura do século XX.
Parece que houve uma polémica porque o Ministério da Cultura não se fez representar nas comemorações; pessoalmente, acho mal que não o tivesse feito; foi triste. Cem anos de um criador que teve essa importância não são comparáveis a uma efeméride qualquer que esteja “mais na moda”. A função do MC, neste caso, poderia ter sido meramente representativa, simbólica, circunstancial. Não configuraria um capítulo da “política do gosto” – assim, foi chocante (além do mais porque Torga sempre esteve próximo do PS). O que estava em causa, neste centenário, não era “um poeta determinado”, mas a importância da sua memória num país que o venerou e o leu tanto. Podemos não gostar de um único verso seu, do seu regionalismo, do seu drama religioso; não importa. Quando a memória se corrompe tão facilmente, não merecemos grande coisa.
[FJV]

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