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por FJV, em 08.08.07
||| Fashion.





Uma grande notícia, que descubro na Veja, é que deixam de estar na moda as calças de cós baixo. Ou seja: as mulheres voltam a ter cintura e deixamos de ter de ver excrescências deselegantes e disformes a saltar das calças. Guardado passará a estar o bocado, como deve ser. A devolução da cintura às mulheres (os jeans Diesel e Levis já não produzem calças de cós baixo há longos meses) constitui um marco estético de primeira grandeza, acabando com corpos desfigurados pela moda de calças mais pirosa dos últimos tempos, desde a boca-de-sino. O cós baixo das calças transformou a barriga (a barriguinha, esse pedaço fatal e delicioso) em pança e material elástico transbordante, deformando o corpo de milhões de adolescentes e traumatizando outros milhões de mulheres maduras que deixaram de poder comprar calças decentes, com cintura normal.
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por FJV, em 08.08.07
||| João Vário (1937 - 2007).










Morreu nesta madrugada, no Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde, o poeta João Vário (aliás cientista e neurocirurgião João Manuel Varela, aliás poeta Timóteo Tio Tiofe, aliás contista G. T. Didial), o meu eterno candidato africano ao Prémio Camões.

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E então subimos aquele grande rio
e as portas do Ródão, chamadas. Era em abril
dois dias depois da neve
e da cidade dos nevões, na serra.
E olhamos para os penhascos da beira-rio,
as oliveiras, o xisto, a cevada
as ervas de termo, e as colinas.
E, junto da via férrea, os homens do pais
miravam-nos como se fossemos nós
e não eles os mortos desta terra,
homens do medo e do tempo da discórdia
que trazem para o cimo das estradas
a malícia que vai apodrecendo
seus pés neste mundo e em terras de outrém.
Que fazeis do mundo e da sua chama imponderável, os homens,
perdidos que estais, hoje como ontem,
entre a casa e o limiar?
E evocamos, mais uma vez, esse provérbio sessouto.
E, na verdade, porque regressaremos,
após tantos anos, a este tema?
Será que a morte nos ensinou
a olhar para o homem com pavoroso êxtase?

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Há muito passado no estar aqui com o tempo,
Fim e reconhecimento, e não sofrendo nada mais do que o tempo concede,

Fim de novo e reconhecimento de novo
E tudo é crime, ou crime sempre, crime ou crime,
Criminosissimamente crime,
Quando arriscamos a intensidade, comemorando.
Aumento e festa, ou cilício, e tempo de cair e tempo de seguir,
Tempo de mal cair e tempo de mal seguir,
Oh amamos tanto, amamos tanto estar aqui com o tempo
E sabendo que há nisso pouco passado.
Porque maiores que os desígnios da vida
São os desígnios da medida e, divididos
Em dois por eles, com eles indo, se por eles
Ganhamos o tempo, pedimos a forma mais fácil
De indagar que vamos morrer e, um dia, se
O tempo for deles e, a memória, de outros,
Havemos de ser úteis como mortos há muito,
Sem que a causa, o delírio, a designação,
O julgamento nossa medida abandonem,
Dividida em duas por elas, e ganhando constância.

Depois, depois faremos ou fará o tempo, por sua vez,
Aquele blasfemíssimo comentário,
E então consta que amámos.


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Mais poemas de João Vário aqui.

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por FJV, em 08.08.07
||| As crianças.











Mesmo compreendendo a objecção teórica do João Miranda, acho que o assunto merece reflexão: «Cozinhar, acordar cedo para levar os filhos à escola, dar-lhes os medicamentos... a lista do que alguém pode precisar aprender para exercer melhor as suas funções parentais pode ser vasta.» Na verdade, há «formas de negligência que são recuperáveis, pais que não abusam dos filhos, mas que cuidam mal das crianças». Não me parece mal que as crianças sejam poupadas a essas negligências parentais. Os professores do ensino básico, um pouco por todo o país, têm testemunhos dessa forma de crueldade sobre as crianças – a negligência e a impreparação absoluta dos progenitores. Miúdos que dormem mal, que ouvem demasiados gritos, que assistem a demasiada negligência, que não tomam o pequeno-almoço, que não lavam as mãos, que não têm atenção; o retrato podia ser mais cruel ainda. Pessoalmente, acho a indigência parental um crime a precisar de atenção. Noutros casos, a precisar de prevenção e de preparação dos pais. Acho que, em muitos casos, devia ser atribuída uma licença de uso & porte de criança. Para que, mais tarde, o Estado não se meta onde não é chamado (no interior das casas, na vida das famílias, promovendo na escola inquéritos maliciosos sobre a vida dos pais, por exemplo), o melhor seria pensar no assunto. As crianças sobrevivem, sim; mas era bom que vivessem melhor; nem como monstrinhos nem como apêndices: como crianças apenas.
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por FJV, em 08.08.07
||| Bibliotecas andinas.








Esta notícia, vinda directamente dos nossos correspondentes em Espanha, merece ser lida: «Venezuela's four-legged mobile libraries: A university in Venezuela is using a novel method to take books into remote communities and encourage people to read. As James Ingham reports, the scheme is proving a great success.»
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por FJV, em 08.08.07
||| Natalidade, 2.










A propósito do post Natalidade, ler este, de José Rentes de Carvalho: «A Obrigação da Europa para com os Portugueses».

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por FJV, em 08.08.07
||| Pérolas.









A Isabel comemora dois anos do Miss Pearls. Perdão, nós é que comemoramos: «Pérolas, memórias, canções vinil, fins de tarde, coisas de amigos.»

Saudações, também, ao Miguel: por dois anos de Combustões, um dos blogs de referência.
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por FJV, em 08.08.07
||| BCP.
Joe Berardo foi Joe Berardo, na SIC. A acusação de se estar diante de uma «fraude de colarinho branco» é séria e grave. Não faço ar sério nem grave; nem sequer sou leitor compulsivo da imprensa económica. Mas a acusação é, digamos, «contundente». Passei algum tempo a ler o que a imprensa publica desde há uns meses sobre «o caso BCP» e descubro as linhas de uma novela de Robert Ludlum a que faltam, naturalmente, os cadáveres. Não é caso que me interesse; são coisas da banca, enredos com contas e acusações. Mas o retrato que fica é mais do que a poeira da imprensa económica, o suficiente para criar suspeitas que não podem ser afastadas com uma investigação sobre o caos informático e as inimizades entre grupos de influência e de interesse. Se eu me interessasse pela banca, tomaria cuidado. O espectáculo é degradante e dá uma ideia da piroseira em que anda essa gente, agarrada ao telemóvel ou enredada em falhas no sistema informático. Por isso, a entrevista de Berardo, na SIC, não pode ficar por aqui.

Ver este post de Eduardo Pitta, e mais este.

[FJV]

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