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por FJV, em 31.07.07
||| O cantinho do hooligan, Mohammed Saeed al-Sahhaf.










Simão, o melhor jogador do Benfica, foi embora para o simpático Atlético de Madrid; isso prova que o Benfica é grande. A oferta de Berardo sobre as acções do Benfica está abaixo do seu valor de mercado; isso prova que o Benfica é grande e que a sua situação económica é invejável. O Benfica perdeu com o Al Ahly, no Egipto; isso prova que o Benfica está a melhorar e que o seu plantel está muito melhor. O Benfica conseguiu 20 milhões com a venda de Simão, enquanto o Porto vendeu Pepe e Anderson por 30 cada, e o Sporting vendeu Dani por 26; a saída de Simão é o melhor negócio do ano segundo José Manuel Delgado, o que prova que o Benfica é grande e que foi o clube que conseguiu maiores receitas com transferências de jogadores.
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por FJV, em 31.07.07
||| Ninguém está a salvo.
É no que dão as liberdades.
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por FJV, em 31.07.07
||| O homem novo.









«Durante o regime dos Khmer Vermelhos (1975-79), Duch dirigiu a prisão de Tuol Sleng (com o nome de código S-21), um antigo liceu de Phnom Penh transformado em centro de tortura, onde se estima que 14 mil pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram torturadas antes de serem executadas. Os detidos, acusados de serem inimigos da revolução lançada por Pol Pot, eram sujeitos às piores atrocidades e forçados a confessar os mais variados crimes – na maioria das vezes de serem agentes da CIA ou do KGB – antes de serem levados para campos nas imediações onde seriam executados a tiro.» Duch, aliás Kang Kek, foi hoje formalmente acusado de crimes contra a humanidade, cometidos no Camboja sob o regime de Pol Pot. Ele não queria saber de minudências. Também quis construir o homem novo.
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por FJV, em 31.07.07
||| Dez dias que abalaram o mundo.









Ana Catarina Almeida e
Miguel Urbano Rodrigues publicaram um romance intitulado Etna no Vendaval da Perestroika (edição Campo das Letras), e dedicado «aos portugueses que estudaram na União Soviética e permanecem comunistas». José Milhazes leu e comenta, chamando a atenção para «o grande número de orgasmos bem conseguidos por Etna, intervalados com citações de discursos e declarações de Mikhail Gorbatchov e de outros dirigentes soviéticos». As «aventuras “kama-sutristas” do vulcão sexual luso, fundamentalmente com homens de países oprimidos», fazem-no evocar uma reunião de militantes comunistas portugueses em Moscovo, em 1978: «Joaquim Pires Jorge, nosso controleiro e representante do PCP junto do irmão mais velho, decidiu colocar na ordem de trabalhos a discussão dos namoros e casamentos de estudantes portugueses com estrangeiros, alertando para o perigo de se estar a assistir “a uma perda de quadros para a futura revolução portuguesa”.» O «vulcão sexual luso» (daí o nome Etna, portanto) «tenta-nos convencer que Mikhail Gorbatchov conseguiu realizar, quase sozinho, aquilo a que se opunham a maioria dos dirigentes comunistas soviéticos e do povo, ou seja, a destruição da União Soviética. Um estudante que cursou História numa universidade soviética, que queimou muitas pestanas a decorar a História do PCUS, o Materialismo Histórico e Dialéctico, o Ateísmo e Comunismo Científico, apresenta-nos o decorrer dos acontecimentos, grosso modo, como uma operação planeada e realizada por Gorbatchov (claro que a CIA deveria estar algures) contra a vontade de “verdadeiros comunistas” como Vorotnikov, Ligatchov e Krutchkov e com a “passividade das massas”.» Texto de José Milhazes, completo, aqui.
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por FJV, em 31.07.07
||| À atenção das autoridades, 2.
A propósito deste post, que dava conta da situação no Chile, onde o governo se formatou em Microsoft, o leitor João Moreira, por mail, informa que há alguma polémica na adopção dos modelos do Office da Microsoft. A notícia vem aqui: «O parecer português será conhecido no próximo dia 31 de Julho e resultará da votação da Comissão Técnica (CT) – fortemente criticada pela comunidade open source por alegada proximidade à Microsoft – formada pelo Instituto de Informática. Inicialmente formada por oito membros votantes, a composição da CT foi alargada para 18 vogais representantes de empresas e instituições ligadas às TIC na reunião decorrida a 16 de Julho. »
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por FJV, em 31.07.07
||| Polícias portugueses de papel.
Ainda a propósito do «policial português», chamo a atenção dos mais distraídos para Dick Haskins, aliás António Andrade Albuquerque, bisneto de ingleses nascido em 1929 (publicou o seu primeiro livro em 1954) e que hoje vive em Peniche, diante das Berlengas. É um dos autores portugueses mais traduzidos e publicados no mundo, com livros que serviram de suporte a filmes, um best-seller na Nova Zelândia, no Canadá ou na Alemanha (milhões de exemplares vendidos). Bibliografia actualizada aqui, no catálogo Asa, mas nos alfarrabistas podem encontrar-se muitos dos seus livros publicados na Ulisseia, na DH, na Europress ou na Ática.
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por FJV, em 31.07.07
||| O estripador de Lisboa.












Prescreve, hoje, o caso do estripador de Lisboa e aparentemente ficam por esclarecer os crimes de 1992 e 1993. Uma equipa da Polícia Judiciária lidou com o caso durante anos (mesmo com o apoio pontual do FBI) sem chegar a estabelecer pistas concretas, sobretudo depois do afastamento da equipa do inspector João de Sousa.
O caso interessou-me e interessa-me. Cerca de 10 anos antes era publicado em Portugal um livro com esse título, da autoria de Luís Campos, aliás Frank Gold, aliás Luís Campos. Conheci o autor e entrevistei-o duas vezes, uma no JL (em 1986), outra na SIC («Escrita em Dia», em 1996), além de ter falado com ele várias vezes durante esses anos em que se investigavam os «crimes do estripador». Na vida real, Luís Campos era professor do Instituto Superior de Agronomia; depois era autor de «romances policiais». Como Frank Gold escreveu livros como A Rapariga de Tânger, Longa é a Noite, A Mulher de Hong Kong ou A Dama de Singapura e ainda uma homenagem a um dos históricos do romance popular, Roussado Pinto, aliás Ross Pynn, em Eu, Ross Pynn. Mas como Luís Campos, nome que passou a assinar os seus livros da década de oitenta, publicou A Morte Indecente de Mónica B., Fogo, Gata em Noite de Chuva, ou As Donzelas da Noite.
Luís Campos era um homem tranquilo, solitário e culto; várias vezes o encontrei num certo bar lisboeta onde era costume haver agentes dos homicídios da PJ e as chamadas «fontes» da noite lisboeta -- sempre sozinho. Em O Estripador de Lisboa há descrições, dados, alguns pormenores materiais que se repetem depois no caso real dos anos noventa, e Luís Campos foi alvo de investigações, tais eram as coincidências.
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por FJV, em 31.07.07
||| O ónus da prova.
Desde que o ex-presidente Sampaio resolveu propor a inversão do ónus da prova em matéria fiscal para pôr o país na linha, que este assunto mereceria fiscalização. O que o presidente da República acaba de fazer, enviando para o Tribunal Constitucional o decreto que alterou a Lei Geral Tributária e o Código de Processo Tributário é simplesmente dizer que a liberdade dos cidadãos e a sua dignidade não podem ser postas em causa, independentemente daquilo que o TC possa vir a decidir.
No entanto, se o TC decidir que o decreto não está (como se diz?) «ferido de inconstitucionalidade», isso não significa que seja justo ou que os cidadãos não tenham o direito de protestar contra ele. Como extensão de um outro princípio («Mais vale ter razão do que pertencer à maioria.»), a constitucionalidade de uma lei não significa a sua razoabilidade. Mas, para já, esta etapa.
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por FJV, em 30.07.07
||| Na árvore.
O Verão está cheio de coisas irritantes, palavra.
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por FJV, em 30.07.07
||| Nunca digas desta água não beberei.
«É melhor do que eu imaginava. Era o que faltava no meu currículo.» [Marques Mendes na SIC Notícias, sobre a sua participação nas festividades do Chão da Lagoa, Madeira.] Toda a gente queria que Marques Mendes não fosse buscar os 10 000 votos. Não se sabe se por quererem ter um líder dermatologicamente puro, se por quererem provar que a vida é mesmo assim e mais tarde ou mais cedo todos acabarem por reconhecer que a vida é mesmo assim. Isso é uma coisa. Outra, diferente, é preencher uma lacuna no currículo.
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por FJV, em 30.07.07
||| Antes e depois.
O Filipe viu o antes e o depois deste Verão social-democrata madeirense:
1) «Marques Mendes condenando, sem reservas, a bandalheira madeirense e recusando-se a comparecer no Chão da Lagoa. Somos as escolhas que fazemos e ele sabe-o.»
2) «Tal como anunciou, Marques Mendes foi animar a fête champêtre de Jardim: "faltava-me isso no currículo", para usar as suas exactas palavras. E agora já não lhe faltam 10.000 votos nas eleições internas. É a vida.»
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por FJV, em 29.07.07
||| Tripoli.
O relato de Ashraf Alhajuj sobre as torturas e o cativeiro na Líbia.
(Via Blasfémias.)
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por FJV, em 29.07.07
||| À atenção das autoridades.
No Chile, uma ciberrevolta contra a Microsoft. Porquê? Porque o governo transformou a Microsoft em provedor da Administração pública, com o argumento de que «la evidencia demuestra que la adopción de tecnologías de información es responsable directa del crecimiento económico». Ou seja, tudo o que é administração pública trabalha com Microsoft. Imagine-se um lugar onde os sites institucionais e públicos estão todos optimizados para I. Explorer, onde as ferramentas disponíveis são Microsoft, etc., etc. Claro que em Portugal não se passa nada disso.
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por FJV, em 29.07.07
||| Deserção cubana.
Como é que os companheiros e seus aliados de sempre, no Brasil, poderão explicar a deserção de cubanos para o Brasil? Aliás, a delegação cubana, com medo de que houvesse mais deserções, abandonou os Jogos Pan-Americanos.
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por FJV, em 28.07.07
||| Natalidade.
João Miranda tem razão.
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por FJV, em 28.07.07
||| O cantinho do hooligan, eu que sou madridista.
Agora com mais sentido, a Rititi republicou a sua crónica sobre a alegria colchonera: «Yo me voy al Manzanares, al estádio Vicente Calderón, donde acuden a millares los que gustan del futbol de emoción
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por FJV, em 28.07.07
||| Onésimo, novo livro.










Li o novo livro de Onésimo Teotónio de Almeida (Aventuras de um Nabogador, Bertrand, 184 pp.) numa noite de insónia – o Verão é a época delas. E isto apesar de não gostar do termo “estórias”, que já discuti com o Onésimo, um dos pioneiros na utilização do termo, muito antes da sua banalização.
Tenho, portanto, uma declaração de interesses: a de gostar de tudo ou quase tudo o que Onésimo escreve, e que eu leio logo, precisamente porque está bem escrito, porque há assunto nas suas narrativas e crónicas. Desta vez, reparei tardiamente na saída do livro e demorei um pouco mais. O cenário é, como sempre, o mundo da lusalândia, preferencialmente o dos portugueses na América, ou o seu mundo na América. Se tivéssemos lido mais Onésimo talvez não precisássemos de discutir sempre a grandeza e a miséria da América – ele é um cicerone espantoso do lado de lá do Atlântico Norte, um guia sentimental & cultural da costa leste dos EUA, um almanaque vivo do Maine, Rhode Island (Providence, onde vive), Massachussets e um pioneiro na construção de pontes – pontes vivas e amenas entre culturas e pessoas. Professor de Filosofia na Brown, onde dirigiu durante anos o departamento de estudos portugueses e brasileiros, Onésimo manuseia literatura (ficção, romance, poesia), estudos literários, estudos políticos, sociologia, história, humanidades – portanto – com uma sensibilidade muito prática: ela assenta em livros, em referências a livros, em labirintos formados por livros e, finalmente, em aproximações pessoais muito vivas à realidade americana e portuguesa e ao universo primordial das suas memórias açorianas. As suas crónicas, quase sempre autobiográficas, quando forem reunidas por um organizador dedicado (e merecem), revelarão um historiador paciente e entusiasta, um leitor obsessivo, um espírito tolerante, um americano nascido entre duas fronteiras, um português nascido entre dois mundos, e uma generosidade raríssima hoje em dia. Não é exagero: é um dos homens mais cultos que conheço.
As suas histórias (“estórias”, ele dirá, mas eu não concordo, de tal modo é utilizado o termo hoje em dia) são, por isso mesmo, de uma ingenuidade tocante. E são, no princípio, puras reportagens.
Durante anos (é um dos meus motivos de orgulho) fui editor dessas crónicas na Ler (as célebres “Diacrónicas”). Em primeiro lugar, Onésimo é um cronista no estrito sentido do termo – tem «a noção da crónica»: em espaço, em velocidade, em ritmo, em referências, em ambiente, em capacidade de relacionar os temas, e em tolerância temática, que é um valor superlativo na matéria. Há poucos cronistas na nossa imprensa e é uma pena que Onésimo não seja mais requisitado (juntamente com outro cronista excelente, José Rentes de Carvalho, por exemplo, outro estrangeirado português – na Holanda, a que dedicou um livro raríssimo).
Diverti-me com as histórias da predadora sexual californiana (uma Dolly de Santa Barbara); com a sua aventura de navegador entre as ilhotas de Bolton Landing, Lake George; com a ingenuidade com que ele mesmo se diverte escrevendo “Phalo Português” nuns calções; com o episódio de um hotel tailandês onde encontra um casal luso entretido em “cura de casamento” em período pós-revolucionário; com a aventura pela obtenção de um visto dominicano em Puerto Rico; com a narração de um voo no avião que fica sem motor a meio do Atlântico (e com o epílogo de um casal desavindo na pista das Lajes); ou com uma aventura colombiana em Cartagena (ou seja, de Barranquilla a Aracataca) à procura de Macondo. Estas não são, seguramente, as suas histórias mais identificáveis pelo leitor português, nem as suas mais populares. De certa maneira, Onésimo seria um David Lodge português, de tal modo consegue rir de si mesmo e divertir-se (e divertir-nos) com o “mundo cultural e universitário” e as suas vaidades. Se ele quisesse poderia escrever uma de duas coisas: um romance lodgiano (ou rothiano, aliás) sobre esse mundo; ou uma história da vaidade intelectual lusitana vista a partir da América e desmontada por quem não precisa de estabelecer cumplicidades com os mandarins, nem de lhes prestar homenagem. E que ricas histórias seriam, por exemplo, as suas reportagens sobre intelectuais, escritores e professores portugueses na América.
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por FJV, em 27.07.07
||| NASA.
Sabotagem de computadores, ciúmes, sequestros e amores; e, finalmente, astronautas bêbedos demais para seguir viagem. Tudo na Nasa. Crime e bebedeira.
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por FJV, em 27.07.07
||| Lontano da Manaus, no Il Manifesto.












«Non per nulla l'ispettore Jaime Ramos con il suo passato da comunista e il suo presente da gastronomo, traccia un percorso tutt'altro che singolare e non privo di una coerenza logica. Fra incontri che riecheggiano il Rilke delle Lettere a un giovane poeta («solitudini che si custodiscono, delimitano e salutano») e tratti di cupezza senile che la catarsi letteraria muta in compiacimento dei sensi («noi, i vecchi, abbiamo una certa amarezza attaccata alla pelle, e ci piace l'amaro del sigaro, una visita dal barbiere, un viaggio in treno») Lontano da Manaus sembra infine ruotare intorno alla nostalgia di un romanzo che non può più essere scritto. Ci rimane, per dirla con Maurice Blanchot, un infinito intrattenimento, un insensato gioco di scrivere sull'assenza, sulla diaspora, sulla solitudine. Riscrittura permanente di un «libro dell'inquietudine» che si arricchisce, a ogni cerchio della storia, di nuovo materiale letterario di risulta, di nuovo immaginario, di nuovi sogni.» Nando Vitale no Il Manifesto.

Outras críticas da edição italiana aqui.
Da edição francesa aqui.
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por FJV, em 27.07.07
||| Venezuela, os sinais.
O caso Raul Baduel e as críticas internas; o do hospital de Maracaibo; o Centro Integral Técnico-Productivo Socialista; notícias sobre a reforma permanente da constituição; o Ministério do Poder Popular para a Cultura atribui o Prémio Libertador ao Pensamento Crítico a Boaventura Sousa Santos.

Adenda: «
“Eu não vejo nem a curto nem a longo prazo a possibilidade de perder um processo eleitoral”, disse Escarrá [deputado governamental e advogado constitucional, que faz parte da comissão presidencial].

Ainda segundo o advogado, a reforma eliminará o limite de dois mandatos seguidos para a reeleição presidencial, “aprofundará o poder popular”, “promoverá a propriedade social sem reduzir a propriedade privada”, “implementará uma visão coletiva dos direitos fundamentais sem diminuir os direitos individuais”, além de uma reordenação territorial. Além de implementar o socialismo, a reforma irá abrir as portas para que Chávez, presidente da Venezuela desde Fevereiro de 1999, possa prolongar indefinidamente sua permanência no poder, desde que ganhe as eleições a cada seis anos e supere eventuais referendos revocatórios ao iniciar um novo mandato.

“A sociedade precisa neste momento de uma liderança”, justificou Escarrá. Desde Janeiro passado, Chávez foi investido com poderes para legislar de várias maneiras, por um período de 18 meses.»


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por FJV, em 27.07.07
||| Rongorongo.












O problema dos posts de José Pacheco Pereira sobre a crise no PSD, escritos em rongorongo é que já não é preciso ir a Hanga Roa para encontrar intérprete, dicionário ou tabela de cifra. Os moai de Rano Raraku podem ser de pedra (como os senadores e hierofantes do partido), mas a língua já se percebe, já se percebe um pouco.
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por FJV, em 26.07.07
||| Castiços e trauliteiros, ou de como a história não se escreve em linha recta.







Está tudo muito satisfeito com a onda comemorativa. O José Medeiros Ferreira que me desculpe, mas, mesmo percebendo a natureza do 24 de Julho de 1834 (sim, eu tenho um interesse puramente literário pelo Sr. D. Miguel, por Acúrcio das Neves, pelo general McDonell e pelo Remexido), não compreendo a euforia das datas e a sua apropriação. Entendo, naturalmente, a leitura da História como um fio unido por pontos desconexos (por exemplo, o 24 de Julho com o 5 de Outubro -- que não têm nada a ver). Mas caímos sempre nesse problema: o liberalismo português não é o de 34; a ideia republicana não se resume ao telégrafo do 5 de Outubro (sim, o Dr. Afonso Costa não é aquele modelo de virtudes cívicas e democráticas nem o jornalismo de França Borges é fundador de seja o que for). Também concordo consigo, naturalmente, acerca do lugar onde estão os «heróis da liberdade» (mais na blogosfera que a Dra. Margarida Moreira vigia, de sobrolho erguido, do que em redor do Prof. Charrua, que se limitou a ser um piadista). Mas, agora responda com frontalidade e humor, José: tomando a sua designação de castiços e trauliteiros, onde é que coloca a Dra. Margarida? No campo dos derrotados em 1834 ou no grupo dos amigos do Dr. Afonso Costa? Onde estão os trauliteiros e castiços?
[FJV]

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por FJV, em 26.07.07
||| Libertação da mulher. Em geral, digamos.










Janto com a minha filha, de oito anos, e comemos bifes antes da estreia dos Simpsons. Temos sempre apetite. De repente, olho à volta. Um casal com uma criança; ele, direitinho, nem um cabelo fora do lugar, risca do penteado traçada a esquadro e transferidor (por causa do cocuruto), bebe água «com sabores» e come uma salada; a mulher, gorduchinha, de ar vagamente devasso, come um bife e acompanha com uma caneca de cerveja preta (a dunkel da Lusitânia, que não é má). Do outro lado, duas moças jantam com um rapaz que tem os óculos de sol fazer de painel solar (vocês sabem, aquela coisa ridícula de segurar a marrafa com os óculos escuros depois das oito da noite); elas, bronzeadas, pediram suculentas picanhas e bebem cerveja (uma turva weissbier e uma pilsener); ele, pede uma «salada verde» e Coca Cola Zero; quando vem a salada, ele protesta com a quantidade, «esta gente serve horrores, que exagero». O mundo está, finalmente, bem feito. E é bem feito.
[FJV] [MAV]

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por FJV, em 26.07.07
||| Alegre, parte dois.
Quando Sócrates fez o seu primeiro congresso percebia-se que ia desmontar o velho partido. E não era por causa da célebre máquina do teleponto, que tanto fascinou os jornalistas na altura (a máquina, aliás, tinha sido comprada por Ferro Rodrigues). O velho partido tremeu mas não se deu conta de que tinha sido desmontado, pura e simplesmente. O último a percebê-lo foi Mário Soares que, depois de andar durante meses a disparar contra Sócrates, se impôs como o candidato do partido às presidenciais. Custa a crer, mas é por isso que Soares regressa ao temor pelo socialismo de plástico, que tinha situado em Blair e em Sócrates. Adiante.
O Paulo Gorjão chama, neste post, a atenção para uma frase histórica (de 23.2.2006) de Manuel Alegre:«Onde me sinto às vezes tratado como inimigo é dentro do meu próprio partido.» Mas isso não é novidade. Manuel Alegre, para o bem e para o mal, já não é deste partido desde 2005. Ele é desse partido que foi outrora o PS. Algum rigor: quantas propostas políticas (mesmo exceptuando essa graça da dissolução da AR por causa da política da água...) de Alegre durante a campanha presidencial seriam subscritas por Sócrates? Eles são intérpretes de tempos diferentes e de mundos diferentes (não, não é preciso ir buscar o caso de Souselas...). Por isso é que tem todo o sentido este post de Tomás Vasques.
[FJV]

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por FJV, em 26.07.07
||| Dúvidas benignas, 3.










Sobre Dúvidas Benignas, Ana Luísa Mouta, por email:
«Há algum tempo, em conversa com duas professoras do 1º ciclo, descobri que as “cópias” estão fora de moda. Hoje em dia, já quase ninguém manda os alunos fazer “cópias”, as “cópias” ficaram definitivamente fora do “ensino moderno”. Há ainda quem faça isso, mas esses professores são vistos como antiquados. Pois a mim mandaram-me fazer muitas “cópias” e olhando para trás não me parece que fosse um erro. Não será uma forma simples de interiorizar a ortografia e a gramática? As “cópias” estupidificam os miúdos? Não estimulam o raciocínio, é verdade. Mas será que para aprender temos de estar sempre a raciocinar? Será que interiorizar as ferramentas básicas não é mais importante do que sermos (parecermos?) modernos?»
[FJV]

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por FJV, em 26.07.07
||| Justiça, apesar de tudo.
O ar festivo com que se comemoram instruções de processos, indicações de arguidos e de testemunhas, idas à PJ e aos departamentos, inquéritos e anúncios de inquéritos, não significa regozijo pelo bom andamento da justiça. Quer sobretudo dizer que o ressentimento tem cada vez mais espaço público. Muitos processos caem depois no esquecimento -- mas, entretanto, já fizeram manchete, já estiveram nas primeiras páginas. Um dia, muitos deles acabarão nas colunas mais escondidas dos jornais (ver este texto de João Gonçalves e os cuidados de Tomás Vasques) e ninguém se lembrará deles. Mas entretanto satisfazem a fome de denúncia. «Corram ao Paço que matam o Mestre!», lembram-se de Fernão Lopes? E o Mestre estava de boa saúde.
No caso desportivo, a esquizofrenia é superlativa. Bandos de justiceiros dizem que a justiça já está feita e que nada será como dantes. Não que haja, até agora, um único julgamento. Na verdade, trata-se apenas de profissões de «fé na culpabilidade dos inimigos». Muitos desses jornalistas limitaram-se, durante anos, a identificar o inimigo com adjectivos e a nunca dar um único passo de «investigação jornalística», que deveria ser o seu trabalho. Covardia pura de quem se satisfaz a esconder-se atrás de uma coluna.
Ontem como hoje, o chamado «desejo de justiça» satisfaz-se com a gritaria e o desejo de vingança. O resto é papel. Gente de papel, aliás.
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por FJV, em 26.07.07
||| 90 anos.












A Festa do Avante deste ano será dedicada aos «90 anos da revolução de Outubro, assinalando a criação do “primeiro Estado proletário do mundo”. A revolução russa será tema de uma das duas exposições do Pavilhão Central na 31ª edição da festa», escreve o Público. À porta, recomendo a leitura da biografia de Estaline. Há coisas que, embora se expliquem pelas ventanias da História, só se conhecem pelos seus frutos. Avante, pois.
[FJV]

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por FJV, em 26.07.07
||| António.









O novo livro do António Manuel Venda, O Que Entra nos Livros (edição da Ambar), ontem na Casa Fernando Pessoa. Apresentação de José Eduardo Agualusa -- e casa totalmente cheia.
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por FJV, em 26.07.07
||| O cantinho do hooligan. [Actualizado]







Vantagem para a colchonera Rititi: a partir de agora já pode, com Mr. Pinheiro, rumar ao Vicente Calderón para matar saudades da galinha lusitana.

Adenda: entretanto, Mr. Pinheiro informa que o Vicente Calderónera. Pobre Atlético, uma desgraça nunca vem sozinha.

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por FJV, em 25.07.07
||| Manuel Alegre.
Corri a comprar o Público esta manhã, por causa do artigo de Manuel Alegre. Pensava encontrar, não propriamente um pronunciamento (como esperava o Eduardo), mas um ponto da situação. O que Manuel Alegre se limita a fazer (e já não é pouco) é reunir um conjunto de indignações que vêm na blogosfera, além de notas ao programa de governo e ao quão difícil é governar. De alguma maneira, reafirma o que o levou a candidatar-se à Presidência: nenhuma proposta política de interesse, mas um ponto de vista sobre a forma de fazer política. Digamos que o artigo é retórica pura; Alegre não discorda das políticas do governo; discorda da sua forma de actuar. Talvez essa retórica seja necessária para combater o deslumbramento que atacou as franjas de algumas almas.
[FJV]

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