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por FJV, em 28.05.07
||| Saúde, de qualquer modo.
É claro que, depois do post anterior, li o despacho interno do nosso Director-Geral da Saúde sobre os coffee-breaks nos seus serviços.
[FJV]

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por FJV, em 28.05.07
||| Por outros motivos.
Zapatero irrita-me, e isto é absurdo. Irrita-me ele querer mudar Espanha, tornar Espanha «mais civilizada», a deitar-se a horas e a levantar-se para fazer jogging, a viver em ambientes saudáveis e livres do cheiro de Ducados e de canarinos (lembro-me sempre dos textos de Montalbán sobre o Condal n.º1, charuto de eleição de Pepe Carvalho). Irrita-me a legislação contra a siesta, aquele perfeccionismo intrometido na vida individual, que terá de passar a ser elegante, limpinha, nada promíscua, cheia de produtividade e de asseio. Mudar a Espanha é atraiçoar a nossa memória de bocadillos e de tortilla de bacallao y de patatas, de pesols a la catalana, de flamenquines asturianos, de conill a la brasa amb all i oli, de boquerones en vinagre, coquinas al ajillo, albóndigas con tomate ou cocido galego. Tenho uma grande nostalgia dessa Espanha incivilizada cheia de adeptos do Atlético e do Real, do Elche e do Ossasuna. Há uns meses, enquanto servia uns calamares fritos, uns pratinhos de pulpo de feira e umas empanadas quentes, a dona do Mesón de la Chispa (na Galiza, uma coisa que vem da minha adolescência, juntamente com o vinho branco de Monterrey) queixava-se de que agora toda a gente quer comida de fusão e que já não se encontravam apreciadores de lacón con grelos. Às vezes, quando vejo Zapatero sorrir ou revejo a comunicação ao país de Ignacio Buqueras, Presidente da Comisión Nacional de Horarios (anunciando que ia mudar os horários espanhóis para que os cidadãos vivessem mais felizes e menos angustiados), até dos velhos comboios da Renfe tenho saudades, daqueles que atravessavam Navarra a 80 kms/h, para não falar dos textos culinários de Puga y Parga (o autor de 56 Maneras de Guisar el Bacalao) ou das dispepsias de D. Álvaro Cunqueiro. Ou das tardes de café, copa y puro. Nós temos direito a essa Espanha incivilizada, quero lá saber da Espanha zapatera.
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por FJV, em 28.05.07
||| Espanha.
«Raramente se tiram ilações das frases bombásticas proferidas no calor das campanhas eleitorais.» A frase está bem situada e eu apenas substituiria «ilações» por «consequências» no post de Tomás Vasques sobre as eleições em Espanha. Passámos um bocado da noite na expectativa de «maré sobe, maré desce» para ver se a esquerda ganhava ou se a direita perdia. Sinceramente, «esquerda» e «direita», nestas coisas, são coisas para festejar com moderação. A frase de Aznar citada pelo Tomás é certamente idiota («Cada voto que no vaya al PP será un voto para que ETA esté en las instituciones»), mas Aznar não é um modelo fantástico. Se a frase fosse para levar à letra, os resultados deviam ser tidos em conta – e julgaríamos que, de facto, metade do eleitorado queria que «a ETA estivesse nas instituições». Não é esse o caso mas Aznar merece a resposta. Só que, de facto, «raramente se tiram ilações das frases bombásticas proferidas no calor das campanhas eleitorais». Ninguém perdeu realmente em Espanha; o afrontamento continua. Mas Zapatero perdeu um grau de confiança, o que me parece bem.
[FJV]

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por FJV, em 28.05.07
||| Leituras.
Três notáveis posts do Mason no Almocreve das Petas: no primeiro, um elogio de Ovar e dos seus sítios (a propósito de uma justa vitória no basquetebol), como o café Progresso, a Livraria Carvalho e a luz tranquila e despojada do Furadouro, «a nossa perdição alumiada, uma bem-aventurança», com «tantas noutes de desmandos, tanta história caprichosa»; depois, referência aos catálogos perdidos e reencontrados em breve; finalmente, um «Mappa geral, cartas, planos e plantas das povoações, lugarejos, montes, casais e quintas do Reyno de Portugal e seus domínios, indispensável ao indígena da rosa e ao curioso escriba, arbitrado e revisto pelo Eng. Mário Lino, e que o Ill.mo e Ex.mo senhor Primeyro Minystro mandou fazer para effeitos da santa governação de cada dia». Quem escreve bem, escreve bem.
[FJV]

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