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por FJV, em 20.04.07
||| Harmonia.













Depois de jantar, Quinta do Infantado, um Vintage de 1999. Pura esteva, ameixas, sol do Douro. Perfeição quase absoluta. Depois de beber mais um pouco, fica restabelecida a harmonia do mundo. Mas o pior é que estão quase esgotadas as reservas do supermercado Tradicional, no Estoril.

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por FJV, em 20.04.07
||| TLEBS, parte dois. O regresso.
O Ministério da Educação não teve coragem de pôr fim à TLEBS. Ficou em meias-tintas. A TLEBS foi suspensa mas regressa, não se sabe se depois de revista pelos senhores de uma comissão onde se ouvem uns aos outros e chamam ignorantes aos que têm dúvidas legítimas (a expressão ficou), ou se depois de passada a tempestade. Nessa altura voltaremos à carga. Porque o problema da TLEBS não é «um conjunto de pormenores»; é a sua substância, o seu sentido e a sua quase inutilidade. Espero que a ministra da Educação ponha ordem nessa corporação.

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por FJV, em 20.04.07
||| Cabalas.
Se há um debate a fazer, ele seria sobre a natureza das cabalas. A designação é sofrível e inadequada, mas podemos substituí-la com vantagem pela ideia da conspiração. Santana Lopes falava dos encontros de árbitros e dirigentes desportivos em Canal Caveira. Nunca esclareceu. Carlos Tavares publicou um livro em que se queixa de pressões durante o tempo em que foi ministro da economia. De quem? Gostaríamos de saber. O ex-presidente Soares falou ontem de uma grande conspiração contra José Sócrates. Quem está por detrás da conspiração? Octávio Machado dizia que «sabem do que eu estou a falar». Nunca chegámos a saber. Santana Lopes queixava-se de pressões e de influências. Quem? Digam nomes, entrem em polémica, ataquem forte & feio, mas falem em português com sujeito, predicado e, muito especialmente, com complemento directo.

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por FJV, em 20.04.07
||| Neura.
Pois, caro João, fico à espera que passe a tua neura. Mas vamos lá discutir isso.

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por FJV, em 20.04.07
||| O farisaísmo, 2.
A questão é que os lugares públicos supõem uma ética do serviço público. Muitas vezes, as notícias que perseguem os cargos públicos são irrelevantes, reconheço. Mas convém não arrumá-las todas no mesmo lado da estante, sobretudo na hora de fazer o balanço. Também é verdade que a ética política não se pode arrumar do mesmo lado da ética pessoal, como se sabe. Felizmente que não vivemos num país de moralistas, onde as pessoas não são perseguidas publicamente por excêntricos tarados ou vigilantes de sacristia. A vida sexual dos candidatos não nos interessa. A vida pessoal dos políticos não nos interessa. A vida familiar dos detentores de cargos públicos deve ser protegida. As suas leituras dão-nos uma ideia vaga do que são, mas as pessoas têm direito à privacidade, ao silêncio. A vida financeira dos que ocupam lugares públicos só lhes pertence a eles, desde que não haja uma intersecção com a vida financeira do Estado ou do serviço público. Acredito que há vida pública e vida privada. Mas quem tem vida pública deve saber proteger a sua vida privada. Ou seja: deve manter um padrão exigente na vida pública para que a vida privada não se torne suspeita. Fui – e sou – defensor do direito de Sócrates à vida privada; ninguém tem nada com a sua vida privada e até creio que Sócrates tem sabido proteger esse lado da sua vida. Mas quando um político diz que “se lembrou” de uma pessoa para “determinado lugar” (leiam-se certas declarações de Armando Vara) depois de ter apresentado como recomendação “ser natural de Carrazeda de Ansiães”, há lugar para investigação. No caso dos dinheiros públicos deve ser-se bastante rigoroso. É dinheiro dos contribuintes e nem todos os contribuintes estão dispostos a facilitar a vida. É um direito seu. Fui – e sou – contra a inversão do ónus da prova quando o Estado se põe a desconfiar dos cidadãos e dos contribuintes, como se fosse um pai severo ou um pai extremoso. As coisas podem não nos interessar. Mas existem. Acontecem. Frequentemente acontecem.

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por FJV, em 20.04.07
||| O farisaísmo.
O meu amigo Eduardo Pitta gosta de ater-se ao essencial e ao que realmente importa. Como o conheço há muitos anos, sei que esta preocupação de rigor é uma das suas qualidades, que falta em muita gente. Não posso, no entanto, estar de acordo com a natureza & o sentido destes dois posts dedicados ao que o Eduardo designa, ora por farisaísmo galopante, ora por “notícias irrelevantes”. A questão não está na natureza e no sentido dessas notícias e desse suposto farisaísmo – mas na desvalorização de toda e qualquer notícia ou reparo como sintoma de um mal que cerca o bom rumo do governo. Votei Sócrates, fui um desses. E essa condição dá-me alguma legitimidade para falar do assunto (de que falaria mesmo se não o tivesse feito, ou se tivesse votado Santana Lopes ou Bloco de Esquerda, evidentemente): não aceito nenhum poder que não seja escrutinado, sujeito a vigilância e à desconfiança. Acho, mesmo, que essa vigilância e essa desconfiança devem, em certa medida, ser sistemáticas, permanentes. O Estado não é uma coisa particular que possamos entregar a um capataz, consoante ganhe ele as eleições; escolhe-se um primeiro-ministro por ser o que achamos o melhor para todos, por ser o que mais nos convém ou por ser o menos mau dos que se candidatam. Mas, em qualquer dessas circunstâncias, nada nos pode impedir de duvidar, de escrutinar e de desconfiar. Não se trata do mesquinho espírito lusitano ou da miserável mania de estar do lado do contra. Trata-se de ter respeito pela função. Portanto, essa série de notícias que «não interessa para nada» não deve, logo à partida, ser arrumada na categoria das irrelevâncias com o argumento de que houve eleições e pronto. Frequentemente elegemos cafajestes. Frequentemente sabemos que os cafajestes que elegemos são realmente cafajestes – e os cafajestes sabem o que pensamos deles e em que categoria os incluímos. Quem aceita figurar na galeria do poder sabe ao que se sujeita: ser observado e vigiado. São coisas legítimas essa observação e essa vigilância.

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