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por FJV, em 16.04.07
||| Bienal, resumo do dia.
Ontem, durante um debate na Bienal do Livro, alguém da assistência pergunta se os meus personagens «também são marcados pela melancolia, essa coisa do fado, a tristeza do fado». Eu vivi perseguido pelo fado porque não gostava de fado. A edição alemã de Um Céu Demasiado Azul chama-se Der Letzte Fado [O Último Fado], embora nunca se pronuncie o nome «fado»; tanto a minha agente como a minha editora acharam que era muito bom, como título. Lá foi «fado» no título. Um jornal francês diz que um dos livros está «marcado por John Le Carré e pela melancolia do fado»; uma crítica alemã vê «o espírito e a música do fado» a acompanhar a investigação dos detectives Jaime Ramos e Filipe Castanheira, os mesmos que, noutro lugar são considerados «polícias atípicos, como uma música de fado ouvida a meio da noite». Sucumbi ao fado. Mas eu não poderia dizer que Jaime Ramos ouve canções de Dick Farney, boleros de Lara, e que o imagino a vaguear ao som de canções de Van Morrison. «Olha, eu preferia que eles fossem marcados pelo rock. Mas pode ser fado. Seguramente é fado.» Percebi um certo alívio. Vendi mais uns livros por isso. Obrigado, fado.

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por FJV, em 16.04.07
||| Revelações.
Quem leu Nelson Rodrigues conhece as suas crónicas sobre os serões de grã-finos. Ontem, durante um jantar tardio com cariocas em viagem à Bienal de Salvador, aprendi o seguinte: sim, a culpa do estado de terror em que vive o Rio de Janeiro vem de há muito – naturalmente; mas o pior aconteceu quando Brizola decidiu que não podiam prender bandidos, porque havia uma ética da bandidagem e porque havia qualquer coisa de belo na bandidagem. A gente conhece dos livros. De desculpa em desculpa até à catátrofe final. Não, os meus convivas não eram de direita.

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