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por FJV, em 15.03.07
||| O país sociológico.
O caso Andreia Elisabete dá conta do país. Na realidade, não merecia mais do que duas ou três metades de página na imprensa e uma notícia nos telejornais, mas o país sociológico anda assim há anos: dá a vida por casos que deviam ser resolvidos com decência e sem estes excessos de vingança e ressentimento. Por um lado, pobre país que delira com raptos, esperas nos tribunais, e com as televisões que estendem o microfone para a gritaria. Por outro lado, estranho que a ERC, sempre tão acomodada a opinar sobre tudo e mais alguma coisa e a gerir politicamente as suas próprias opiniões, não tenha ainda dito qualquer coisa, muito subtil, como «tratem isso com decência». O país sociológico vibra com a gritaria dos pobres e dos desprotegidos; a Caras dos pobres tem de ter miséria no lar, sangue na rua e exposição pública. E gente a gritar nos tribunais.

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por FJV, em 15.03.07
||| Prémio Camões, 3.
António Lobo Antunes não é uma surpresa para o Camões, embora o seu nome tenha circulado com pouca insistência. Não me parece nada escandaloso que lhe tenha sido atribuído o Prémio, distinguindo estes vinte livros, e a sua influência cada vez mais notória na forma de escrever em português. Por um lado, significa esse reconhecimento; por outro lado, trata de absorver o antigo enfant terrible (desculpem o lugar-comum) e reconhecer a sua importância para o cânone. Acho que o depois de Manual dos Inquisidores e com o período imediatamente a seguir, os livros de Lobo Antunes mereciam uma distinção assim.

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por FJV, em 15.03.07
||| Prémio Camões, 2.
Nós não nos entendemos nisso. Nós, quero dizer, portugueses e brasileiros. Lembro-me da atribuição do Camões a Rubem Fonseca, que sei que ficou comovido pelo prémio, mas a «comunidade de leitores» brasileira liga pouco a isso; Rubem publicou a sua magnífica antologia de contos logo a seguir e a Companhia das Letras não mencionou o Prémio na sua biografia – porque, de facto, lhe atribui pouca importância. O motivo até pode ser simples: o Jabuti, como o Portugal Telecom, dois prémios que agitam o Brasil e ganham páginas inteiras nos jornais, têm listas de finalistas e são discutidos por críticos e escritores, muito embora o seu valor pecuniário seja menor. Figurar na shortlist de cada um desses prémios é, já de si, uma distinção.
No caso do Camões, não se pode querer organizar um Cervantes só porque sim; Cervantes é uma figura absolutamente popular no universo hispânico – quanto a Camões, independentemente de ser uma figura tutelar da Língua e da nossa literatura, é pouco reconhecido no Brasil. E passa, portanto, por se tratar de um prémio português.

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por FJV, em 15.03.07
||| Prémio Camões, 1.
O prémio, atribuído anualmente, só tem realmente importância em Portugal. No Brasil, a importância do Jabuti (ou do Portugal Telecom, por exemplo) é infinitamente maior. Não é uma crítica nem um espalhafato; é uma constatação. A chamada «comunidade lusófona» não conseguiu, nestes vinte anos, impor o prémio como uma distinção cultural importante e houve momentos em que o Prémio Camões passou por ser um instrumento político, atribuído em sistema de rotatividade pelos países de Língua Portuguesa (excepto Cabo Verde, onde há um autor que o merece, mas que provavelmente nunca o terá; falo de João Vário, um poeta absolutamente notável da nossa língua). Estruturalmente, o Camões é um prémio conservador, mas creio que não poderia ser de outra maneira; visa, sobretudo, certificar o cânone literário.
Outro sentido teria se o Camões servisse para distinguir personalidades cujo trabalho não se confinasse ao meio literário, mas abrangesse também a ciência ou a música, por exemplo. Mas, assim, talvez não se chamasse Camões. De qualquer modo, seria pior se não existisse de todo.

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