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por FJV, em 03.12.06
||| Linguística de direita.
Por mail, Eugénia V. Alves:
«A questão não é sobre a TLEBS. Mas pode um escritor, como o senhor, ser pela gramática normativa e defender a gramática normativa, como o fez num post, que, esse sim, é de direita?»
Pode. Defendo a norma, sou pela norma, gosto de regras -- para poder não as respeitar quando quiser. Não se podem fazer malabarismos sem conhecer essas regras essenciais; saber o que é um soneto, a métrica, a rima; saber que é incorrecto escrever e dizer «estivestes» ou «fizestes»; não há nada mais irritante do que os pantomineiros que gostam de fazer gracinhas sem saberem o que isso significa.
Agora, o meu post ser de direita, isso comove-me. Nós achávamos André Martinet um chato direitista -- ele era militante de esquerda.

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por FJV, em 03.12.06
||| Reparo.
Há um argumento obnóxio que circula com bastante insistência: o de que a campanha contra a TLEBS é de direita e conservadora*. Tamanho dislate** vem de gente que considerava Chomsky um perigosíssimo direitista depois de ter lido «os modelos de 1957 e 1965» acerca da a-historicidade da linguagem e do modelo inato de aquisição das estruturas linguísticas. Podiam inventar outra coisa qualquer e ser mais inteligentes. Mas não; é tudo gentinha pobre de espírito, malabaristas desde os tempos da faculdade. Bem os conheço.

* - Por acaso, o erro é duplo; se bem os entendo, acharam que a discussão contra a TLEBS é uma outra frente de luta contra o governo. Grosseria. A fantástica TLEBS vem dos tempos do governo de Durão Barroso, cuja ministra da Educação se fartou de despachar inanidades. Desculpem o mau jeito.

** - Ou será por Maria Helena Mira Mateus ser «de esquerda»?

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por FJV, em 03.12.06
||| Uma campanha. [TLEBS]











José Nunes, de Os Dedos, por mail:
«Sou pai, a minha filha está no 5º ano e está a ser avaliada pelos que sabe da TLEBS. Estou em pânico. Faço também parte da direcção da Associação de Pais da escola dela. Estamos no terreno, estamos contra a TLEBS.
A questão nem é tanto entre a Literatura e a Linguística. É uma questão de bom senso. Não dou autorização a ninguém para fazer experiências com a minha filha...nem médicas, nem cientificas, nem pseudo-pedagógicas. Todo o edifício da TLEBS falece de validação. Entre muitas outras coisas, sou arquitecto. E sei que não é nas fundações que se aplicam o mármore de Carrara e as torneiras banhadas a ouro. Podiam até ficar lindas - para quem aprecia o estilo - mas a solidez do edifício ficaria irremediável mente comprometida.
Chamo-lhe a atenção para o processo francês - artigos no Le Figaro e no Le Monde. Cito o Le Monde: "La terminologie doit être fixée dans une liste et "permettre aux parents ou aux grands-parents d'accompagner la progression des enfants". Cito o Le Figaro: "Le linguiste Alain Bentolila remettra mercredi à Gilles de Robien le rapport que ce dernier lui avait demandé sur la grammaire. Le ministre de l'Éducation souhaiterait supprimer les termes trop jargonnants."»


Outras citações:

«Os liguistas têm culpas da situação? Alguma terão, mas a responsabilidade é do ministério, que oficializou com total insensibilidade, sob a forma de portaria, o produto que aqueles gostosamente lhe puseram nas mãos por encomenda. (...) No caso concreto do caso TLEBS, o que está em causa é o facto de a encomenda se destinar ao ensino básico e secundário. Sou a favor da TLEBS mas apenas entre adultos e com consentimento mútuo.» [no Falta de Tempo, mais aqui e, com muito interesse (revelador, revelador...), aqui.]

Ver ainda o Educação Cor de Rosa (e também aqui, aqui e aqui), o Assim Mesmo, Quarta República (mais aqui), Educar («um ensino da Língua Portuguesa que sobrevalorize as derivas taxonómicas, à moda dos excessos classificadores do positivismo oitocentista, pode acabar por matar no ovo o gosto pela própria leitura...»), Mau Tempo no Canil, Estação Central, Tomar Partido, Agreste Avena.

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por FJV, em 03.12.06
||| As hipóteses, 3. [TLEBS]













O Educação Cor de Rosa dirigiu-me um pequeno repto a propósito do artigo de Rui Tavares no Público deste sábado. Basicamente, estaria em causa uma disputa do território entre Linguística e Literatura. Para que se saiba: fui o organizador do I Congresso de Estudos Linguísticos, em 1984, na Universidade de Évora, cujo tema era «Linguística e Literatura» (que nos possibilitou duas lições magistrais: uma de Óscar Lopes, outra de António José Saraiva, num reencontro notável entre os dois mestres; o segundo congresso teve como tema «Linguística e Teoria do Texto» e permitiu papers muito actuais nessa altura e ainda hoje, de Enrique Bernárdez, John Morris Parker, Aguiar e Silva, Fernanda Irene Fonseca, entre outros). Não suponho, como não supunha na altura, que essa distinção e essa disputa sejam fundamentais; ela é, antes de mais, herdeira de outras disputas que vêm dos anos cinquenta, sessenta e setenta, quando a Linguística se ocupou, também, do chamado «discurso literário», enquanto discurso (não vale a pena enumerar as referências: Jakobson, Kristeva, etc.). Curiosamente, foi a autonomia crescente da Linguística, sobretudo a partir da Linguística de Texto (van Dijk, Schmit, Petöfi, etc.), que ditou a separação dos dois corpus: o da Literatura e o da Linguagem. Questões coevas e estapafúrdias, como a da literariedade, foram abandonadas pela Linguística, com benefícios gerais para linguistas e para estudantes de literatura. Não vale a pena, portanto, reabilitar o combate. Mas é importante distinguir os campos e os combates. O que me separa da TLEBS não é a disputa sobre o papel da Linguística (até por razões sentimentais...) mas questões teóricas, de concepção e de nomenclatura -- ou seja, sobre a própria natureza da terminologia, que acho desadequada e pode dar origem a erros de interpretação e de classificação.
As minhas dúvidas têm, também, a ver com o ensino do Português em geral e com a sua pulverização pela Linguística. Não sei se a TLEBS contribuirá para o melhor conhecimento da língua e para uma melhor relação com o ensino do Português. Suponho que não. Que dificultará e que criará problemas de perspectiva. E mantenho, portanto, que um maior investimento na leitura de textos literários, por exemplo, é mais útil para esse ensino.
Há outras questões colocadas pela adopção de léxico vulgar. Mas eu não sou inimigo da gramática normativa. Acredito, até, que foi o seu abandono, ditado por preocupações teóricas, que nos levou a este estado.

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por FJV, em 03.12.06
||| Famílias.









Al-Huseini, aliás Mohammad Amin al-Husayni, que foi promovido a SS Gruppenfuehrer por Heinrich Himmler (em 28 de Novembro de 1941), pretendia ajudar a estender a solução final na Palestina. Há famílias assim. E sobrinhos.

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por FJV, em 03.12.06
||| O cantinho do hooligan. Derby.















O Jorge fala de um derby que ditaria a substituição do timoneiro. Mas o verdadeiro derby é aquele que confirma o primeiro lugar. Uma Dragon Stout para ti.

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