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por FJV, em 10.11.06
||| Festival Todos os Mares / Todos Los Mares.










Terminou hoje à tarde o I Festival Todos os Mares / Todos Los Mares, organizado pela Casa Fernando Pessoa e pelo Instituto Cervantes de Lisboa -- hoje com poetas de Portugal, Espanha e Colômbia.

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por FJV, em 10.11.06
||| Academia, 4.
Comentário de João Machado, por mail, ao post Academia:
«Sigo com atenção o que tem publicado no seu blogue sobre as falências da nossa Academia (ou a incapacidade de estabelecer ligações interdisciplinares). Primeiro gostava de perguntar-lhe se leu o Discurso Sobre As Ciências, de Boaventura de Sousa Santos; bem sei que hoje não é um autor muito bem visto, mas quando à divisão histórica entre ciências sociais e naturais que é epistemologicamente (e não só) conveniente a muita gente, está lá tudo. Por outro lado deixe-me partilhar alguma experiência pessoal: sendo que desenvolvo estudos na área de Comunicação, que considero ser um campo "de charneira", sinto falta de uma forte componente que é, não necessariamente científica, mas sim tecnológica. Se há algo que repudio nas humanidades é uma impreparação quanto ao factor tecnológico, que é completamente deixado -- basta ver a alocação dos recursos -- às ciências ditas naturais. Por outro lado tenho a dizer-lhe que os currículos universitários têm sido expandidos no sentido que mencionou, mais ainda com Bolonha, facto que me tem sido comprovado por colegas de outras áreas. De resto, percebo a intenção de base do Paulo Gorjão, mas tenho sérias dúvidas quanto ao dever da Universidade de propiciar cultura variada, ou cultura geral. Completamente de acordo quanto ao afastamento da Academia da Sociedade Civil.»

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por FJV, em 10.11.06
||| Academia, 3. [Jorge Calado e as duas culturas]










Comentário de Lourenço Cordeiro:
«Ao ler o seu post "Academia", ocorreu-me imediatamente o nome de Jorge Calado, homem que passou pacientemente os seus últimos anos como professor do Instituto Superior Técnico a semear a ideia das Duas Culturas ( http://info.med.yale.edu/therarad/summers/snow.htm) a proto-arquitectos. Lembro-me que o primeiro "paper" que nos pedia era uma página A4, apenas, onde diríamos se havia razão para se falar em duas culturas e porquê, ou seja, e já antecipando as respostas, para pormos por escrito as diferenças entre a cultura «científica» e a cultura das «humanidades» (o termo «literária» deixa de fora as restantes formas de arte). Argumentos os nossos que o «professor» (acho que foi raro a palavra aplicar-se tão bem a alguém durante o meu percurso académico) Jorge Calado desmontava com muita classe. O assunto é interessante do ponto de vista académico, mas vital do ponto de vista social, sobretudo no nosso país e, há que dizê-lo, na classe «artística». Jorge Calado, professor catedrático do departamento de Química do IST, entusiasta da fotografia, da ópera e da poesia, terá sido provavelmente a pessoa mais «culta» que conheci. Um bom exemplo.»

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por FJV, em 10.11.06
|||Academia, 2.
Comentário, por mail, de João Sousa André ao post sobre ciências & letras:
«O seu post entra precisamente em algo que discuti incessantemente com colegas nos meus anos de universidade. Especialmente com colegas de áreas que não das ciências (sou de ciências, como pode imaginar, especificamente engenheiro químico). Argumentei frequentemente o mesmo que o Francisco faz no seu post: que os "cientistas" podiam discutir humanidades sem problemas - salvaguardando a profundidade dos conhecimentos - enquanto que os "humanistas" não conseguiam trilhar o caminho inverso. Os autores que referiu, bem como muitos outros, mostram até que ponto os cientistas procuraram outras áreas para se enriquecerem pessoalmente.
Em todo o caso, penso que haverá razões para este distanciamento para lá da "arrogância das Letras" que refere. Uma boa perte disso passará por um sistema de ensino que permite aos alunos de humanidades a fuga às ciências. Embora não esteja a par do actual sistema de ensino no secundário, penso que não andará muito longe da lógica de manter as disciplinas de português, filosofia e língua estrangeira para os alunos de ciência, enquanto que as disciplinas mais básicas da ciência (matemática, física, química, biologia) são removidas dos currículos dos alunos de letras/humanidades. É a velha questão do "ir para letras para fugir à matemática".
A fuga à matemática torna-se importante porque explica, em grande parte, a incompreensão relativamente à ciência. É complicado explicar a física quântica ou a teoria das cordas sem se recorrer à matemática. O conceito de universo que se expande mas é infinito também é contra-intuitivo. Contudo todas estas teorias caem bem se vistas de um ponto de vista matemático. A matemática é, portanto, a "língua" da ciência (e falo mesmo sob o ponto de vista da comunicação), pelo que é necessário dominá-la para compreender os conceitos científicos. Já as humanidades podem ser compreensíveis por quem fale a língua da conversa, seja ela o português, o inglês ou o latim. Os conceitos podem depois ser apreendidos sem necessidade de formação mais avançada.
Também por aqui surge um outro ponto que me ocupou muitas discussões durante alguns anos: a questão da interdisciplinariedade das diversas áreas do saber. Porque razão não deverão os alunos de ciências ter uma ou duas disciplinas de línguas (na prática já têm uma formação informal em inglês, devido ao peso desta língua na literatura científica), filosofia (que forneceria ferramentas para uma saudável discussão científica ou mesmo para uma maior abertura a outras ideias), literatura (para melhorar a escrita dos "cientistas") ou mesmo artes (desenvolveria o espírito criativo tão necessário à ciência)? Da mesma forma, porque não dar uns rudimentos de matemática mais avançada, química analítica e orgânica, física mecânica e electromagnética (nem entro no campo das partículas) ou de simples noções de biologia, especialmente ao nível dos organismos? O contacto entre as duas áreas aumentaria e, quem sabe, poderia melhorar o trabalho em ambos os campos.»
Também por aqui surge um outro ponto que me ocupou muitas discussões durante alguns anos: a questão da interdisciplinariedade das diversas áreas do saber. Porque razão não deverão os alunos de ciências ter uma ou duas disciplinas de línguas (na prática já têm uma formação informal em inglês, devido ao peso desta língua na literatura científica), filosofia (que forneceria ferramentas para uma saudável discussão científica ou mesmo para uma maior abertura a outras ideias), literatura (para melhorar a escrita dos "cientistas") ou mesmo artes (desenvolveria o espírito criativo tão necessário à ciência)? Da mesma forma, porque não dar uns rudimentos de matemática mais avançada, química analítica e orgânica, física mecânica e electromagnética (nem entro no campo das partículas) ou de simples noções de biologia, especialmente ao nível dos organismos? O contacto entre as duas áreas aumentaria e, quem sabe, poderia melhorar o trabalho em ambos os campos.

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por FJV, em 10.11.06
||| ERC.
De quem são os jornais? O caso Rui Rio-Público.

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por FJV, em 10.11.06
||| Filantropia.
O Rui Branco apela a uma solução razoável (acerca de liberalismo e desigualdades sociais, motivado por um texto de Rui Pena Pires) e pergunta «se a filantropia entra no programa de um liberal à moda antiga». Dito assim, não sei. Mas entra, decerto, um capítulo sobre a responsabilidade social da riqueza. Os ricos da minha província, quando eu era adolescente, pagaram do seu bolso bibliotecas, estradas, arquivos biblográficos regionais, colecções de arte pública, etc. Um rico da cidade onde eu era estudante pagou, em regime vitalício, um prémio em dinheiro para os melhores alunos do liceu local (com a democracia, um «conselho directivo» recusou-se a continuar com o prémio e os seus benefícios, porque eram «elitistas» ou, como disse uma professora da época, constituía «um incentivo fascista»), o que me permitiu (a mim e a outros) abrir a primeira conta bancária antes dos 18 anos. O fundo camiliano da biblioteca de V.N. Famalicão é o que é graças a um rico da região que, depois das dificuldades da sua emigração brasileira, não esqueceu que tinha uma dívida social, ou seja lá o que for. Um rico do Minho, que eu conheci, pagou a recuperação de várias obras de arte das igrejas da região ao mesmo tempo que pagou, do seu bolso, dois centros de saúde do concelho. Os ricos dessa altura conservavam pudor, honorabilidade e um discreto sentido de justiça e de humanidade. Mas eu não percebo nada do assunto. Sou só um liberal à moda antiga.

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por FJV, em 10.11.06
||| Academia.
O Paulo Gorjão toca num ponto essencial do debate sobre «a nossa academia», ou seja, da nossa pequena vida universitária:
«Um aluno de medicina só se pode interessar por medicina. Um aluno de jornalismo só se pode interessar por jornalismo e assim sucessivamente. Errado. Errado. Errado. Não vejo nenhuma razão substantiva, muito pelo contrário, para que um aluno de ciência política ou do que quer que seja não possa -- e não deva -- assistir, na sua universidade, a conferências sobre os mais variados temas. Se, por mera hipótese, por exemplo, João Magueijo está disponível para dar uma conferência sobre física por que motivo é que alunos de relações internacionais ou de antropologia não devem assistir à sua palestra? Alguém me explica? Não é essa uma das funções da academia, i.e. aguçar a curiosidade científica?»
Genericamente, o Paulo tem razão. Há falta de contacto entre «as ciências» (se considerarmos que existem «ciências humanas e sociais») e os temas. Mas penso que a situação não se traduz por ignorância ou desconhecimento mútuos. Ou seja: a área das humanidades desconhece mais o mundo das ciências do que o inverso. É mais fácil encontrar investigadores, professores ou estudantes de ciências (matemática, física, biologia, etc.) interessados em matérias relacionadas com arte, literatura, política ou história, do que o seu contrário. As «humanidades» mostram em Portugal uma arrogância que lhes é fatal. O «predomínio» da «cultura literária» sobre a «cultura científica» traduz essa arrogância das Letras -- o que significa que alguém vindo da área das ciências pode discutir, de igual para igual com alguém das Letras, sobre política, ópera, relações internacionais ou o romantismo tardio, mas que a generalidade das pessoas de Letras tem grande dificuldade em apreender os conceitos fundamentais da ciência contemporânea; experimentemos perguntar a um aluno finalista de sociologia o que significam, em termos muito básicos, «mecânica quântica», «buracos negros», «teoria das cordas», ou se alguma vez leram Darwin, Stephen Jay Gould ou se são capazes de dizer que há uma teoria da relatividade restrita e uma teoria da relatividade geral (ou, até, neste caso, se se comoveram com o livro de Alan Lightman, Os Sonhos de Eisntein).
O exemplo que Paulo Gorjão aponta (uma conferência de João Magueijo) é exemplar e seria bom perceber até que ponto os alunos de Direito, de Psicologia ou de Relações Internacionais seriam capazes de relacionar o nome de João Magueijo com Einstein ou se se sentiram motivados, alguma vez, a comprar o seu livro Mais Rápido Que a Luz. Ou, para sermos ainda mais claros, se alguns se interessaram por ler os de Carlos Fiolhais ou os de Nuno Crato com Fernando Reis, Luís Tirapicos, etc.; se se aperceberam da actividade de Rómulo de Carvalho; se leram um dos livros de João Lobo Antunes; se ultrapassaram a contracapa dos livros de Damásio; se sabem quem é Maria de Sousa; se conhecem algum texto de Jorge Buescu, Alexandre Quintanilha, Rui Fausto, Rita Marnoto, João Varela, Teresa Lago, M. Moniz Pereira (só para citar aqueles que escreveram para «os grandes meios»); se já leram alguns livros de divulgação científica; se reconhecem os nomes de Feynman, Dawkins, Reeves ou Penrose; se acham que Sagan é astrólogo em vez de astrónomo; se se interessaram pelos livros de jogos matemáticos do João Pedro Neto e do Jorge Nuno Silva, etc. etc.
Estes são alguns dos maus hábitos da academia (a ignorância das Letras em relação às Ciências), sim -- e do país.

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