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por FJV, em 07.11.06
|||... e começa o festival Todos os Mares / Todos los Mares.
Nesta quarta-feira, os poetas são Luís Quintais, Ana Luísa Amaral, Luis Alberto de Cuenca e Andrés Sánchez Robayna. Organização da Casa Fernando Pessoa e do Instituto Cervantes -- no Cervantes, às 18h30.
Quinta, no Cervantes (18h30): Maria do Rosário Pedreira, Manuel António Pina, Eugenio Montejo e Luis Muñoz. Na Casa Fernando Pessoa, às 21h30: Nuno Júdice, Gastão Cruz, María Victoria Atencia, Pere Rovira.
Na sexta, às 18h30, no Cervantes: António Osório, Rosa Alice Branco, Eloy Sánchez Rosillo e Darío Jaramillo Agudelo.
Programa completo aqui.

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por FJV, em 07.11.06
||| Fausto, Goethe, Pessoa.
Quarta-feira, dia ocupado na Casa Fernando Pessoa: das 11 às 23h00, a Segunda Jornada Luso-Alemã, subordinada ao tema Prometeu e Fausto em Goethe e Pessoa - Cartografias dialogantes.
Conferências, debates, performances -- com Nuno Felix da Costa, Anabela Mendes, Gilda Nunes Barata, Raquel Nobre-Guerra, Ana Fernandes, Paula Mendes Coelho, Luís Moura do Carmo e Nuno Lucas, Teresa André, Eugénia Vasques, Holger Brohm, António Bracinha Vieira, Pedro Vistas, Jorge Fazenda Lourenço, entre outros. Mais informações aqui.

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por FJV, em 07.11.06
||| Literatura, de facto.
No Brasil, para compreender melhor o escândalo do dossier forjado e usado pelo PT contra os tucanos, é necessário conhecer um novo personagem com que ninguém quer ser associado: chama-se Freud. Berzoini, que caiu do cadeirão de presidente do PT também por causa do dossier, diz que não trocou telefonemas com Freud. Ninguém quer falar com Freud.

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por FJV, em 07.11.06
||| Ler, 4.
Há um personagem chamado Licurgo. Mas antes de se encontrar com ele (o que acontece pelas páginas cinquenta) M. discute com W. sobre a sanidade de Lepinski e a sua interpretação dos sete dias de oração do rei David destinados a salvar o filho. É no mesmo dia que conhece Lilibeth. Quarenta páginas adiante -- suspeitava-se, e isso é uma falha -- M. está na cama com Lilibeth: «O meu olhar desceu pela sua perna até ao pé detendo-se na pulsação da artéria abaixo do tornozelo.» Ninguém se interessa pela «artéria abaixo do tornozelo» se não estiver disponível para seguir essa descrição minuciosa, a que vai dos olhos de Lilibeth (que abraça a própria perna, encolhida sobre um sofá) até ao esquecimento. «Ah, as mulheres», pensa M. Mas, mais tarde (páginas duzentos), ele dedica igual atenção a outra mulher (que morrerá a seguir): «O seu rosto parecia uma efígie numa moeda de ouro.» A luz do entardecer, «esse tipo de homem gosta de mulheres submissas». E M. repete: «Ah, as mulheres.» Ele dirá esta frase de outras vezes. E pensa nas mulheres de Arquelau, o personagem com quem se encontrará ao fim de uma viagem de comboio, e cujo pai era professor de grego.

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por FJV, em 07.11.06
||| Onésimo Teotónio de Almeida no Origem das Espécies [As eleições americanas] (republicado)











Dilemas no
país dos anões

Caio nas eleições americanas regressadinho de Portugal e ainda cheio das brilhantes críticas e soluções portuguesas ouvidas em longas conversas (mais monólogos que conversas), noites dentro. Entre as inúmeras qualidades dos meus patrícios está essa enorme capacidade de divisar soluções estonteantemente simples para complexos problemas que assolam os outros países. Têm um conhecimento vastíssimo das mais e menos candentes questões da política do mundo. Duma penada propõem remédios que os líderes dos limitados países muito agradeceriam conhecer, se lhes fosse dado terem a dita de saber português e de poderem receber instant messages de tão luminosos estrategos políticos.
Desembarco em Boston e mergulho nos jornais e imagens de TV que me invadem a paz, chego a casa e procuro recuperar o fio dos acontecimentos deixados uma semana antes, e lamento deveras não ter à mão os meus compatriotas que se me quedaram do outro lado do Atlântico. Dar-me-iam jeito. Levá-los-ia à TV como comentadores ou tentaria conseguir-lhes um emprego como assessores dos nabos políticos desta terra de imbecis.
Na verdade, na falta deles, as minhas próprias capacidades de análise estão diminuídas, sinto-me incapaz de pensar e agir. Vou dar um exemplo que me deixa atado, inibido, sem saber como desenvencilhar-me moral e politicamente:
Aqui em Rhode Island, o mais pequeno estado da União, confronto-me com um dilema. Decorre nestes dias uma das mais renhidas disputas de um lugar no Congresso: o senador Lincoln Chafee é republicano e tem a concorrer contra ele um democrata, Sheldon Whitehouse. Chafee é o mais liberal dos republicanos, o único deles a votar no Senado contra a invasão do Iraque, quando o não fizeram colegas seus, democratíssimos, como Hillary Clinton, John Kerry e John Edwards, pilares do Partido Democrata.
A escolha é complicada mas, como nas tragédias gregas, o dilema é simples de expor: se decidir premiar Chafee e votar por ele, contribuirei para a eventual continuação do controlo republicano do Congresso. Se votar pelo candidato democrata poderei ajudar a passar a liderança para o outro lado após tão desastrosos anos de domínio.
Para complicar o cenário, porem, uma antiga colega da universidade e ex-namorada de um amigo de Lincoln Chafee trabalha como voluntária na reeleição do senador. Ambas as facções dão tudo por tudo e ela pede-me agora contactos-chave na comunidade portuguesa, que tradicionalmente votou sempre democrata. Quer tentar penetrar nela a ver se saca uns votos, pois cada um vai mesmo valer. Dou-lhe os contactos? Se sim, e se ela conseguir entre a nossa diáspora um único voto que seja, já estará eliminado o meu, se eu votar democrata. Uma situação a fazer-me evocar um velho professor da adolescência que repetia a história de dois compadres que se encontraram na rua a caminho de uma eleição. Um pergunta ao outro: - Em quem vais votar? - Em X - responde ele. - Ora eu ia votar em Y e portanto, como os nossos votos se anulam mutuamente, o melhor é voltarmos para casa.
Já perceberam como me seria útil o conselho dos meus patrícios. E como é triste emigrar para um país quando, se tivesse ficado na pátria, compreenderia muito melhor as realidades americanas do que vivendo aqui.
Mas não se pode ter tudo, como avisa a sabedoria popular. Tenho que conformar-me e acarretar com as consequências das minhas opções, observar de perto estes despiques e sentir-me indeciso e inseguro sobre opções a tomar em bicudos casos como este.

Onésimo Teotónio de Almeida é Professor e Director do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Brown University, Providence, Rhode Island, EUA. Lecciona na Brown desde 1975. Doutorado em Filosofia pela Brown University (1980), é Fellow do Wayland Collegium for Liberal Learning, um Instituto de Estudos Interdisciplinares na Brown University, onde lecciona uma cadeira sobre Valores e Mundividências.

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por FJV, em 07.11.06
||| Ler, 3.
É mentira: não me comovo sempre que o leio; às vezes irrito-me profundamente quando dou por mim a procurar falhas.

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por FJV, em 07.11.06
||| Ler, 2.
Na ilha, foi o único livro que trouxe. Lido pela décima vez, como disse; comovo-me sempre que o leio. Há uma passagem em que o personagem central, em dois parágrafos curtos, revisita a grande literatura. Cita Arquíloco («um raio a deflagrar no espírito»), filho de Telesicles, nascido em Paros. E eu fico a pensar em Arquíloco, naquele verso sobre a «ilha engrinaldada por agrestes bosques». O poeta-guerreiro nunca esteve na Vila da Praia da Vitória. O poema de Garrett escrito acerca deste areal é soturno e lacrimejante, não está à sua altura.

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por FJV, em 07.11.06
||| América, 1.
Grande parte dos meus amigos acha que, nos EUA, uma vitória dos democratas seria muito boa notícia. Sobretudo para eles, que votariam nos democratas se vivessem nos EUA. Ora, de alguma maneira, e tendo em conta o que pensam sobre «os americanos», uma vitória democrata é vista por eles como uma punição dos EUA.

[A minha declaração de voto há dois anos.]

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por FJV, em 07.11.06
||| Ler, 1.
Leio o livro pela décima vez, ou mais. Filho da puta, penso deles, livro e autor: uma frase tão perfeita, uma passagem tão perfeita. Uma palavra a mais seria um ruído tremendo; mas assim, como está, reconhece-se a mão do génio.

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por FJV, em 07.11.06
||| Revista de blogs. A vida verdadeira.
«Viver, enfim, uma vida paralela - dentro dos livros - sem chegar a tocar em nada.»
{Manuel Jorge Marmelo, no Tatarana.}

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