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por FJV, em 12.10.06
||| E, a propósito.
«Neste complexo, os professores - os que estão instalados no terreno - são o elo mais fraco de uma cadeia de comando em que, frequentemente, têm sido cobaias de vários génios, certamente talentosos, que, à distância, "imaginam" o ensino em Portugal. Quando falo no "terreno", quero dizer "as escolas", quero dizer os problemas de indisciplina com que têm de lidar permanentemente, os contactos com os pais, a realidade fatal das agressões nos corredores e nos gabinetes (por alunos e pais das criancinhas), a catadupa de legislação escolar em que têm de se especializar, as alterações muitas vezes absurdas das orientações científicas caídas do parnaso ministerial. Muitas vezes, aliás, por culpa do Ministério (que vive a desconfiar dos professores) eles não têm meios para reagir nem à indisciplina, nem ao insucesso escolar, nem às salas frias de escolas públicas onde falta gás para aquecimento, nem aos manuais escolares de qualidade confrangedora que o ministério autoriza a circular, nem aos - repito - génios certamente carregados de talento que, depois de requisitados às escolas, se ocupam de reformar periodicamente os programas e a gramática das suas directivas.
Se alguém se ocupar, durante alguns dias, a analisar grande parte dos documentos de natureza pedagógica e ideológica que emanam do ministério da educação acerca de coisas tão díspares como matemática, português ou disciplina na sala de aula, fica com a impressão de que um grupo de esquizofrénicos se entretém a punir professores e alunos com uma gramática desconhecida e absurda. Este é apenas um exemplo, mas haveria muitos. Leiam os materiais de apoio e rejubilem.
A ministra, trata os professores como uma corporação, à semelhança do que o governo entende fazer com os farmacêuticos ou os juízes e médicos. Errado. Depois de disciplinar a vida da escola, a verdadeira corporação resiste e sobrevive nos vários andares daquele pobre ministério cheio de - repito - génios certamente carregados de talento, mas que tudo têm feito para tentar destruir o ensino. Os professores são o elo mais fraco nessa cadeia de pequenos ideólogos formados à pressa nos anos setenta e que se encarregaram de matérias científicas, sindicais e pedagógicas com empenho semelhante. Isto pode não preocupar a ministra para já. Mas os professores sabem do que falo. E esse é o próximo desafio, se houver seriedade.» [Na crónica desta semana do JN.]

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por FJV, em 12.10.06
||| Gramática.
Estou desde há umas horas a ler alguns dos elementos de uma nova gramática do português (e fui ao Diário da República) que entra nas escolas com a designação de Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, disponível aqui. Recomendo vivamente a TLEBS para momentos de optimismo histórico em geral e, se se encontrarem diante de uma dificuldade podem tirar dúvidas online. Por exemplo: nome comum concreto, contável, não humano, animado, epiceno, sabem o que é? Pois tratem de saber. Vejam só a lógica fantástica que preside à designação oração ou frase. Entretenham-se, entretenham-se. Só agora começou. Gostei de ver que, em matéria de semântica frásica, os nomes uniformes podem ser, quanto ao género, epicenos, sobrecomuns e comuns de dois; vagueei pelos verbos auxiliares aspectuais e pelas frases subordinadas substantivas completivas; e, em matéria de propriedades semânticas dos grupos nominais, diverti-me com os nomes não contáveis não massivos e, mais tarde, com a definição de modalidade epistémica ou deôntica. A vida é assim mesmo mas não sei se tem sentido desta maneira. Aprendam e habituem-se.

P.S. - Um pouco de má-fé não faz mal: quantos manuais vão preparar-se?

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por FJV, em 12.10.06
||| Flores de antanho, 1.










Sabonete de Magnólia, Ach. Britto.

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por FJV, em 12.10.06
||| Turquia na Europa.
Pierre Assouline, no La République des Livres, diz que Pamuk é o homem ideal para levar a Turquia para a União Europeia.
Links sobre o Nobel, aqui.

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