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por FJV, em 02.08.06
||| Gisberta, 2.
Meu caro Bruno: aí está um problema. A indignação de género é redutora e simples, nesse e noutros casos. Admito que o crime – o assassinato de Gisberta – foi cometido «contra» um transsexual, ou travesti, ou o que a linguagem admitir. Mas o crime está lá, independentemente do género; ou seja, não foi apenas cometido «contra» um transsexual, ou travesti. É legítimo que nos perguntemos, e devíamos perguntar-nos mais, sobre a atitude do tribunal, do MP e da turba, se em vez de Gisberta a vítima fosse «fulano de tal, gestor de uma empresa têxtil do Porto», «fulano de tal, professor de direito constitucional», «fulana de tal, empresária em Gaia» ou «fulano de tal, futebolista». Não conheço a lei; ou seja, não sei se a pena aplicada aos rapazes é correcta ou não do ponto de vista da Lei. Provavelmente, é. Provavelmente, a pena não podia ser maior. Ignoro. Mas o discurso usado no tribunal contemporiza com a curiosidade de ver «um homem com mamas, que se parecia com uma mulher», é fatal quando fala de «brincadeira de mau gosto» e, no fundo, vamos assistir à transformação dos treze menores em vítimas a recuperar em alguns meses (entre 11 e 13, segundo parece). O que está em causa, muito apropriadamente, é (além da pena aplicada) o discurso escandaloso que assenta na irrelevância da vítima (portanto, admitindo a questão do género, o que é gravíssimo, como se matar um travesti fosse mais «compreensível» do que matar a Miss Portugal) e na irresponsabilidade admitida dos criminosos (tratando-os como vítimas e não como autores materiais).
Está por fazer uma história actual da crueldade em Portugal (aí está um tema para ti, Bruno); violação de bebés, assassinato e tortura de crianças de três anos, violência sobre travestis, perseguição pública a homossexuais e a adúlteras (um célebre caso ocorrido nos arredores do Porto e que foi motivo de reportagens há uns anos), o que por aí vai. É necessário eliminar a justiça de género e evitar leis especiais. Basta cumprir a lei geral, mesmo se for necessário alterá-la para a tornar mais humana.

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por FJV, em 02.08.06
||| O adeus às arvores.
A propósito disto, a Manuela Ramos sugere a leitura do texto do Paulo Araújo no Dias Com Árvores. A requalificação do Vidago Palace Hotel será entregue a Siza Vieira a partir de Novembro. Eu bem temia por aquelas árvores.

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por FJV, em 02.08.06
||| O título.
Acaba de sair o Elogio da Intolerância, de Slavoj Zizek (edição Relógio d'Água). O título que faltava.

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por FJV, em 02.08.06
||| Colombo.













Este ano li quatro livros, todos eles cheios de argumentos, e um deles alucinado, sobre a identidade de Colombo. Também li um que o acusava de crimes contra a humanidade, e que resumia o estado das coisas nas universidades americanas. Tanto me faz. Por isso, estes assuntos são ingredientes da matéria do enigma. O apelo da razão quer que tudo esteja resolvido; o da desordem (muito melhor e mais saboroso) quer que o enigma seja estudado. Cristóvão Colombo, Cristóbal Colón, Cristovam Colon, tudo o que quiserem. O tema mantém-se, felizmente.

Daqui a meia dúzia de anos vai comemorar-se a viagem de Fernão de Magalhães. Independentemente do nome (Magallanes, Magalhães, etc), e da ideia estapafúrdia de chamar Pacífico àquele oceano, vão ouvir-se protestos contra a sua viagem. Tanto me faz, também. Mas acabo de passar por livro em que o tradutor não se coibiu de manter a designação de «a viagem de Magellan». É por isso que eu gosto da polémica sobre a identidade de Colombo. Por mim, fazia nascer já uma polémica sobre a verdadeira identidade de Magalhães, esse agente do imperialismo.

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por FJV, em 02.08.06
||| A sociedade aberta.
Há uns tempos publiquei uma série de posts sobre a inversão do ónus da prova e as ideias do então Presidente Sampaio acerca da vigilância que os cidadãos deviam exercer sobre os outros cidadãos em matérias que iam da fiscalidade (ah, os sinais exteriores de riqueza) ao «cruzamento» de dados «através do qual podem ser detectados delitos» vários. Há uma tendência para a denúncia (e para a denúncia anónima vulgar nos comentários dos blogs, por exemplo) na sociedade portuguesa. Num país que não consegue sequer explicar o funcionamento das escutas telefónicas com mandato judicial, é difícil perceber a defesa da transparência absoluta. A lista dos cidadãos com dívidas à administração fiscal é um acontecimento menor, mas é um passo não um passo em si mesmo, mas a permissão para avançar noutras direcções que podem colocar em causa a liberdade e a privacidade dos cidadãos.

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por FJV, em 02.08.06
||| Gisberta.
Ao contrário do que pedem as vozes da «indignação de género», o poder político não tinha nada que se meter na decisão da justiça. Mas ouvir o juiz repreender os rapazes dizendo-lhes que tinha sido «uma brincadeira de mau gosto» (reproduzo, como verdadeira, a peça da TSF) é, talvez, excessivo, e de muito pior gosto. A decisão, o veredicto e o pedido de pena por parte do MP, assentam na irresponsabilidade dos menores (um precedente grave) e na irrelevância da vítima (um escândalo). A tendência é, agora, para culpabilizar o Estado uma vez mais e, com a maior das deselegâncias, transformar os rapazes em vítimas. Nem a pena aplicada nem o discurso utilizado deixam de ser preocupantes.

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por FJV, em 02.08.06
||| Ouvir o computador.









Ouvir música enquanto se trabalha.

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