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por FJV, em 23.03.06
||| Uma explicação desnecessária mas que mesmo assim vale a pena.





Uma série de comentários e de mails alertam-me para o carácter amoral, imoral e vergonhoso dos posts deste blog intitulados «O Cantinho do Hooligan». Eu sei. Sei que são amorais, sei que são imorais e que a maior parte deles, não sendo vergonhosa, me devia fazer corar de vergonha caso se tratasse de uma coisa séria. Mas não. É futebol. Não lhes retiro uma linha, uma vírgula ou um pigmento de desvergonha. Sou um hooligan. Interesso-me vagamente pelo 4x4x2 e não posso dizer que pelo 4x3x3 tenha uma paixão de vários anos; o 3x3x4, esse, deixa-me a pingar de comoção, mas só porque serve para contrariar. Rio-me depois de escrever isto. Conheço os alas, o papel do trinco, a beleza do jogo tirado a régua e esquadro, mas nada me deixa mais comovido do que uma jogada bem feita, se for da minha equipa. Também ouvi um cavalheiro que passa por ser o Rui Santos perorar durante 35 exactos minutos sobre questões estratégicas e de «planificação política» acerca de um penalty mal assinalado, de uma coisa que chamam «património do clube» ou de um tornozelo especialmente preparado para levar traulitada. Há mails e posts de outros blogs que referem os meus «cantinho do hooligan» como produto de uma alma perturbada, se se der o caso de eu ter alma, ou de um cérebro desequilibrado, coisa de que eu abdico quando se trata de ver futebol como eu gosto de ver futebol, que é entre gente que dispensa sermões, moralidade a todas as horas do dia e declarações de concordância com Gabriel Alves. Quando eu menciono Gabriel Alves ou Rui Santos, esclareço que não ponho em causa a idoneidade profissional dos cavalheiros enquanto comentadores de futebol, coisa que não me interessa grandemente. Eu sou um hooligan nessa matéria e já vi jogos de futebol entre os Super Dragões, tal como entre o pessoal da Torcida Verde e até à beira dos Diabos Vermelhos -- mas só conheço os hinos dos Super Dragões («ninguém cala a nossa voz» é o melhor, esclareço desde já). Tenho cachecol, cartão, irresponsabilidade reconhecida e várias camisetas do FC Porto. Não estou muito interessado em reconhecer que o João Moutinho é um bom jogador (em momentos de sobriedade absoluta até gosto de Polga, porque era gremista, ou de Liedson e de Carlos Martins e Miguel Garcia) porque isso não faz a minha felicidade -- coisa que já acontece quando um dos meus marca um golo, sejam eles McCarthy, Lucho, Quaresma, Adriano ou Raul Meireles. Mas se me pedirem muito sou capaz de enumerar uma lista de onze bons jogadores da Liga, só contando com o Sporting, o Braga, o Guimarães, o Nacional ou a União de Leiria. Não me interesso pelos limites estritamente legais do jogo da bola. Prefiro que sejam tribunais comuns a julgar aquela gentinha que anda à volta do assunto. Acho que os ábritros não deviam obedecer à Liga nem à FPF. Acho que Scolari é um burro, futebolisticamente falando, mas gostava dele no Grêmio; tal como Mourinho era um chato tremendo antes de ter ido para a União de Leiria e para o FC Porto; o próprio Jardel era genial enquanto estava no FC Porto mas passou a ser um desgraçado de um cearense quando foi para a Turquia e depois se perdeu em Lisboa. Continuo a admirar Jorge Costa.
Não se enfureçam nem tentem evangelizar-me, chamar-me à razão, educar-me os modos, civilizar-me, lembrar-me «a beleza eterna do grande futebol» (sim, ela existe em algum lado). Agradeço as lições e os conselhos amigáveis para que recupere a minha sensatez e algum pudor além do sentido de justiça. Mas isto é só futebol. De cada vez que Petit cai rasteirado, de cada vez que Simão falha seja o que for, eu sinto-me mais próximo da felicidade. O mesmo acontece quando a França ou a Itália perdem um jogo. Para mim, Pavão jogava futebol como ninguém. Tenho um poster de Cubillas envelhecido, mas guardado nos meus caixotes. Se insistirem falo de Rolando, de Celso, Eduardo Luís, Madjer, Juary, Gomes, Derlei, Deco e também de Domingos, Jaime Magalhães, Bené, Marco Aurélio, Duda, Teixeira e Teixeirinha, Gabriel, Oliveira, Rolando – a primeira equipa da minha memória, que contracena com outros nomes mágicos de outros tempos: Monteiro da Costa, Pinga, Virgílio, Pedroto, Barrigana, Hernâni, Seninho ou Siska. Mas não é isso que me interessa. O hooligan do «cantinho do hooligan» não se interessa nem por isso. Ele só ri. Mesmo quando perde um jogo, ele ri. E é a vida, assim.

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por FJV, em 23.03.06
||| Ainda a blasfémia.
Diálogo entre civilizações e multiculturalismo. Sei que exagero; trata-se apenas de uma ponte entre dois mundos.

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por FJV, em 23.03.06
||| Brasil. Caça ao Nildo.
A novela do momento é a despedida de Palocci, o bem-aventurado ministro da Fazenda que, lentamente, saiu com o retrato virado do avesso depois de se publicarem informações sobre a máfia da misteriosa casa de Brasília (que continuaria a saga dos negócios de Ribeirão Preto) Mais recentemente ainda, a novela Francenildo, aliás Nildo, zelador da referida casa, que é testemunha contra o ministro; não durou: a Caixa Económica Federal violou o sigilo bancário para encaminhar informações sobre Nildo à mesa do ministro. Na edição de sábado do Estado de São Paulo, a mãe de Nildo pede a Lula «para não fazer nada» com o filho. Essa denúncia a Palocci (a de que Nildo teria 40 000 reais na conta, depositados «pelo seu pai biológico») e quebra do sigilo bancário de Nildo teria partido de Clarice Copetti, vice-presidente da área de gestão tecnológica da Caixa Federal, nomeada pelo PT. Explico: Clarice é casada com o gaúcho Cézar Alvarez, sub-secretário geral da presidência de Lula em Brasília e foi funcionária do governo petista de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul, além de assessora da prefeitura de São Paulo durante a gestão de Marta Suplicy. Mais ainda: em 2003 Clarice Copetti tinha já sido dada como responsável por «arrecadamento ilegal de fundos» para o PT, que teriam sido obtidos através de superfacturação em negócios do RS e de SP. Isto vai.

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por FJV, em 23.03.06
||| Ajudar.
O Altino Torres iniciou a mobilização: «Não é um comício, nem uma manif nem uma quermesse. É ajudar mesmo.» Já perguntei.

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por FJV, em 23.03.06
||| Felgueiras.
Caro Paulo: desculpe eu agora não ter os arquivos à mão, mas recorda-se da quantidade de pequenos pormenores que têm rolado no «caso Felgueiras» e da soma de indignações logo trespassadas?

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por FJV, em 23.03.06
||| Sermão por todas as montanhas.
Prédica de um sábio aos bombistas-suicidas, para que ponderem: «Fazei, pois, como os que são mais sábios e que de bom grado trocam a eternidade e as setenta virgens por mais vinte anos na Terra na companhia de setenta galdérias. Disse. Ide e ponderai!»

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por FJV, em 23.03.06
||| Isto é mau.
A TV Cabo vai passar a transmitir a emissão da TV Record, a televisão da IURD, terminando o acordo com o GNT/Globo.

Comentário do Jorge Marmelo: «O problema não é ser a televisão da IURD. O problema é que a Record é uma merda. TV Cabo anda a vigarizar-nos, mas isto já vem do tempo em que deixaram de transmitir o Canal Brasil e a Fashion TV.»

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por FJV, em 23.03.06
||| Ficam bem as coisas assim.







Um poema de José Luís Tavares que sempre me comoveu, retirado de Agreste Matéria Mundo:

«Apesar da ignorância da rota desses navios
que descem o tejo, da mulher que nos subúrbios
os vê passar tão rente à sua mágoa,
da moça tímida espiando o mundo
da janela que em breve o escuro virá selar,

ficam bem os sinos esvoaçando sobre a tarde
de inverno em que buscas a justa palavra
e não vê deus a tua aflição: o que cala,
o que finge, o que mente — agreste destino
que te cabe, tingido pelo clarão da dúvida.

Mas ficam bem, ficam bem as meretrizes
de rápido volteio, as matronas alvoroçando-se
para o chá, o aplicado médio funcionário
calculando o produto interno bruto, o amoroso
pagando diária corveia de soluços, os altos
dignatários recebendo honras e tributos.

Sobretudo fica bem a mulher gorda espremendo-se
num ginásio desfeita em suor e penitência.
Mas também ficam bem o contrafactor vigiado
pela lei, o usurário de sebo nos fundilhos,
o proxeneta de olhar felino e os desabrigados
desta rua (embora sobre eles caia o duro
gume do inverno, deles é o reino dos céus).

Ficam bem os poetas pobres que padecem
todo dia a fome da beleza, os críticos
impotentes ficam muito bem, os pretos desta praça
que são alegres e passam bem, o cívico
que ganha o dia de olho no parquímetro
fica bem apesar dos amáveis impropérios.

Ficam ainda bem os canídeos que defecam
nos passeios e as madames que os trazem
pelas trelas sempre prontas a pregar civilidades
a esses que falam alto e têm modos estrangeiros.
Mas que fiquem bem as raparigas de cabeças ocas
que têm como único tesouro a juventude
para que não seja a lamentação
o tributo dos vindouros dias.

Só eu não fico bem, senhor meu,
que aguardo toda a tarde pelo poema
que não vem, embora navios subam
o tejo aulindo através do nevoeiro.
Mas tudo está bem quando é o deus
quem assim o quer.»

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por FJV, em 23.03.06
||| O cantinho do hooligan.












A vida não é fácil.

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por FJV, em 23.03.06
||| Hips!
Uma honra: o blog de Conrad Seidl, o grande papa da cerveja, citou o Origem.

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