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por FJV, em 21.01.06
||| Dia de reflexão, 2.















Sem motivo aparente, mas com muito prazer. A Origem das Espécies, Babugem, Blasfémias, Bomba Inteligente, Contra a Corrente, Desesperada Esperança, Destaques a Amarelo, Homem a Dias, J.P. Coutinho, Miniscente, Miss Pearls, O Acidental, O Insurgente, The World as We Know It, Vício de Forma, Voz do Deserto, What Do You Represent.

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por FJV, em 21.01.06
||| Revista de blogs. Devassidão.
«Esse cavalheiro nunca usa a palavra «imiscuir», mas gosta de alguma devassa.»
{No Esse Cavalheiro.}

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por FJV, em 21.01.06
||| Revista de blogs. Testosterona.
«Este blog é muito visitado por homens. Os blogs da mulherada são invadidos, diariamente, por toneladas de testosterona inútil.»
{No Sociedade Anónima.}

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por FJV, em 21.01.06
||| Literatura mesmo.
A Clara avança as primeiras escutas telefónicas na academia literária (há mais, lá para o meio do blog). Salvo seja. Enquanto Groucho, o miserável, se propõe fazer o balanço do ano literário brasileiro, à falta de livros por vir. O exemplo de EPC ameaça fazer escola:
«- Sim, claro. Já agora, e se fizéssemos também o balanço do ano literário no Brasil?
- Não acompanhei de perto, Groucho, lamento.
- Por isso mesmo, senhor, por isso mesmo!»

E dê um salto aqui, para fazer o balanço literário nacional. Janeiro ainda está vivo.

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por FJV, em 21.01.06
||| Dia de reflexão.
Este blog não cavaquista votará Cavaco Silva e não comenta sondagens, indecisos, números, escorregadelas, hipóteses, rastos de glória ou de ressentimentos. Não apela ao voto dos indecisos, porque esses não interessam. Não apela à abstenção. É contra tragédias e lágrimas (porque nenhuma das coisas tem a ver com política). Não alimenta esperanças (porque os resultados são no domingo). Não preza os que têm medo. Não confia nos que têm receitas para tudo. Não aprecia os que não têm humor.

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«Declaração de Interesses»


É muito provável – inteiramente provável, aliás – que tenhamos ideias diferentes sobre muitas opções da nossa vida. Da minha e da dele, Cavaco Silva, que são muito diferentes. São diferentes em muitas coisas: no sentido que eu acho que a vida tem, na minha desorganização geral, nos gostos literários, no meu quase desinteresse por questões de economia e até no seu desinteresse por futebol, por exemplo.
Provavelmente, eu gostaria de ir pescar com Manuel Alegre, de ir com ele às touradas (de que não percebo nada) ou de discutir com ele o mistério da poesia (o que já fizemos, aliás). Mas um presidente da República não se elege (ou se vota nele) porque é igual a nós, semelhante a mim, com os meus gostos, as minhas obsessões literárias. Escolhe-se um presidente para que ele garanta a liberdade das nossas opções, a estabilidade que permita que eu não tenha de pensar como ele para ser considerado cidadão de pleno direito. Acredito, além do mais, nos valores republicanos de seriedade, responsabilidade individual, estudo, lealdade às leis e à vontade dos eleitores, respeito pelas contas do Estado.
Eu não sou cavaquista. Limito-me a achar que Cavaco Silva será melhor presidente do que qualquer um dos seus opositores. Que o seu tipo de presidência permitirá que os governos governem e que os cidadãos sejam cidadãos de pleno direito – e que actuará com tranquilidade. E que Portugal precisa dessa margem de tranquilidade para se repensar e reorganizar sem lugares-comuns nem apêndices burlescos, pequenas lutas protocolares pelos holofotes da glória. E que, portanto, precisa de alguém
compreensivo na presidência – não de quem tenha todas as respostas. De alguém que esteja atento aos outros e que pergunte e saiba fazer as perguntas; e mais: que permita que as perguntas se façam. Esse é o principal currículo que eu exijo a um presidente. Mas há mais.
O combate nestas eleições presidenciais é, por isso, entre diferentes modos de entender a vida de um país. Não entre modos de entender a minha vida ou a vida de cada um. O objectivo da política não é o de garantir a felicidade – mas o de possibilitar que cada um possa procurá-la como entender. Não acho, por isso, que tudo pertença à esfera da política ou, sequer, que um político profissional esteja em melhores condições para compreender a sociedade e o mundo actual. A pequena polémica criada em redor da designação de “político profissional” revela até que ponto essa perspectiva pode empobrecer a própria vida civil, limitando o “espaço político” a um exercício de linguagem (e de vigilância sobre ela), e ao inventário de propósitos sobre o que deve ser a vida dos outros – por mais largo e vasto que se imagine esse “arco de interesses” da própria política, construído à maneira de um catálogo de saberes ou de referências. Cada um de nós tem uma dignidade e uma vida que não se dissolvem na intervenção permanente na comunidade política. Para que isso seja possível, julgo que é necessário pensar na governabilidade do país e na sua estabilidade. Só isso pode garantir a nossa liberdade, que é um valor precioso e que deve estar a salvo de todos os ressentimentos e de todos os ressentidos. E de todos os malabarismos.

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