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por FJV, em 20.01.06
||| O pedestal.
Constança Cunha e Sá, num texto quase irrepreensível, sugere que Soares desceu «do pedestal da história» para se candidatar em nome de «um combate pela política». Acontece, porém, que nem todos os combates «pela política» são «combates políticos». E que um «combate político» não vale por si.

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por FJV, em 20.01.06
||| Tardes de Janeiro.













Enquanto trabalho em casa, ou faço interrupções com pretextos preguiçosos, vejo pela janela a procissão das tardes de Janeiro: velhos que descem a rua para a praia, agasalhados, estudantes que hão-de assistir ao crepúsculo, homens de meia idade fazendo jogging. E há um grupo curioso de cavalheiros que atravessam a rua quase todas as tardes e se sentam no molhe, em cima do mar, a olhar para os barcos. Outro dia reparei que comentam a envergadura dos cargueiros que dobram Cascais e entram pela barra, estacionando ao largo. Sei que é «envergadura» porque mencionam a palavra várias vezes, mas também «tonelagem», «bandeira» e «casco». Hoje passaram e vi que levavam binóculos. Por ser sexta-feira, um pequeno luxo. Um upgrade, para falarmos em bom português.

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por FJV, em 20.01.06
||| As coisas que se dizem. A cultura.
Se há uma palavra que foi injustamente invocada durante esta campanha, foi «cultura». A ideia de que «a cultura» pesava nos ombros como uma mancha de glória e de luz confundiu-se com os critérios que levam a escolher um presidente. Esses critérios variam conforme o gosto, a circunstância ou a posição política. Exibir estantes e colecções, nomes e listas, referências, passou a ser uma marca distintiva, tão criticada quando convém. Há uma diferença entre conhecimento e informação, como há uma distinção clara entre cultura e exibicionismo. Saber ouvir, ouvir, discutir com serenidade, escolher, respeitar as escolhas, não reduzir a cultura aos seus sinais exteriores, os mais reconhecíveis. Um dos méritos de uma pessoa culta é o de reconhecer que as coisas não acabam onde acaba a sua «cultura» e que a sua «cultura» não é um critério absoluto. A ideia de que a vida é uma sabatina regular exibida em torno de nomes e de estantes é um factor de empobrecimento da própria vida cultural. Isto também explica o predomínio absoluto da «cultura literária» num país sem «cultura científica» e sem disponibilidade para aceitar a diversidade, as dificuldades e a necessidade de esforço.

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