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por FJV, em 31.01.06
||| Crítica, 2.
Deixaste de ir almoçar ali?
Deixei.
Porquê?
O Fortunato almoça lá de vez em quando.
E então?
Ele publicou um livro, não sabias?
Mas tu eras amigo dele...
Já não sou. Ainda lhe disse para publicar sonetos, mas ele atreveu-se a um romance.

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por FJV, em 31.01.06
||| Crítica.
Aqui está uma das maneiras de fazer proceder a coisa -- cada crítico devia passar umas semanas a insultar os amigos que escrevem livros. Depois, estaria disponível para viver sem suspeita.

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por FJV, em 31.01.06
||| Ah, rapazes.
Uns dias longe da pátria e é isto: Vasco Pulido Valente entra na blogosfera; há uma interessante guerrilha e discussão na alta literatura (já lá irei); nevou pelo país fora (eu estava mergulhado em 36º); mails sobre o Hamas (hei-de lá ir); Maria Velho da Costa também na rede; e vários comentários e mails acerca de futebol. Só um recado para estes últimos: meus amigos -- considerem-me, por favor, inimputável em matéria futebolística; não vale a pena chamarem-me à razão, mostrarem-me a luz, clamarem por justiça, atacarem-me com argumentos correctos; nesses assuntos, é como se não tivesse ouvidos.

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por FJV, em 29.01.06
||| Brasil, Lula.
Rogério, Rogério! Acho que deves ter razão. A Dilma Rousseff é candidata pelo PT às eleições. O Lula vai pelo PMDB.

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por FJV, em 29.01.06
||| Longe da pátria. O cantinho do hooligan.
Longe da pátria, leio os jornais pela net e vejo a tristeza geral de A Bola. Nem compreendo o resultado, só vejo essa tristeza do jornal que já deve ter esgotado os baldes de tinta vermelha para as suas primeiras páginas. Mas percebi: o glorioso tinha perdido. E bem, segundo leio depois (coisa que A Bola não refere, para não molestar o seu negócio lampião). É sempre bom receber boas notícias da pátria.

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por FJV, em 27.01.06
||| Lupícinio Rodrigues.
Carla e Alberto: acabei de almoçar no Naval. Parece que o Lupicínio Rodrigues, o génio, vinha aqui almoçar todos os dias. Tinha uns boiões de pimenta e de azeite temperado que não deviam ser lavados desde meados do século e, assim, é provável que o músico de que tanto gostamos tenha neles mergulhado a colher para temperar a costela, o mocotó ou a feijoada. Quem compôs aquela música toda, não me admira.

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por FJV, em 27.01.06
||| Brasil: Zé Dirceu tenta amnistia.
Esta história é divertida; o ex-ministro José Dirceu, depois de uma férias, voltou a Brasília e jantou a sós com Lula. Entretanto, como conta a Folha de hoje (disponível só para assinantes), está lançando o projecto de uma amnistia, que seja global o suficiente para o livrar da cassação de que foi alvo. Para isso, os membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) tratarão das assinaturas -- cerca de um milhão -- para que se trate de uma petição popular, coordenada por João Pedro Stédile, o tal que deu uma entrevista mirabolante à Visão portuguesa.

À atenção do Gonçalo Soares, o correspondente paulista do A Origem das Espécies.

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por FJV, em 27.01.06
||| Lei de imprensa / Catalunha.
Da Helena Matos, comentando a questão deste post, mais abaixo:
«A Catalunha e o país Basco são dois exemplos de como as instituições democráticas podem ser subvertidas "por dentro". Sendo certo que para que essa subversão aconteça é indispensável uma imprensa colaborante. Apesar de pouca ou nenhuma relevância o caso ter em Portugal aconselho que se siga a atribuição de licença de emissão à COPE e a demissão da responsável pelo Repórteres sem Fronteiras em Espanha.»

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por FJV, em 26.01.06
||| Notícias e tal.
Actualizações no Livro Aberto.

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por FJV, em 26.01.06
||| Lei de imprensa.
Ah, catalães, catalães. Lei de imprensa na Catalunha já começa a ser criticada.

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por FJV, em 26.01.06
||| Sobre coisas passadas no futuro.
David Justino fala do congresso do PSD. Pacheco Pereira já tinha dado sinais. Paulo Gorjão tem acompanhado o assunto com atenção, e parece ter já um desenho do tabuleiro de xadrez.
Recordo o que escrevi sobre a eleição de Marques Mendes num texto chamado «O Velho PSD», de Abril de 2005:

«O congresso do PSD manteve uma outra correlação de forças: a dos grupos que levaram o PSD a tornar-se praticamente irrelevante para tudo o que seja o debate sobre o papel do Estado na sociedade e na economia, sobre as novas realidades culturais, sobre o sentido que tem a política portuguesa na Europa de hoje.»

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por FJV, em 26.01.06

||| Hitchens sobre o pesadelo ugandês. As guerras pouco populares.
«For 19 years, Joseph Kony has been enslaving, torturing, raping, and murdering Ugandan children, many of whom have become soldiers for his "Lord's Resistance Army," going on to torture, rape, and kill other children. The author exposes the vicious insanity—and cynical politics—behind one of
Africa's greatest nightmares.» Artigo de Christopher Hitchens na Vanity Fair.

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por FJV, em 26.01.06
||| Adeus Cavaco.
Artigo de hoje no JN.

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por FJV, em 25.01.06
||| Eleições, alhures.
Em Portugal também se discute, de vez em quando, quem ganha as eleições e quem está à frente na contagem dos votos.

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por FJV, em 25.01.06
||| Estatísticas.
Os números, vistos de cá de baixo, fazem sempre aflição. Mas não são só números; são coisas perigosas.

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por FJV, em 25.01.06
||| Eleições, adeus.













Vai sair dia 30: José Pacheco Pereira, Quod Erat Demonstrandum. Diário das Presidenciais. (edição Alêtheia)

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por FJV, em 25.01.06
||| Às vezes, convém fazer reload.
Mail de um leitor do Abrupto, Medina Ribeiro:
«E ao menos sabe comer à mesa? É impossível ler hoje o livro «Angústia para o jantar», de Luís de Sttau Monteiro, sem recordar as inúmeras observações de Mário Soares em desprimor de Cavaco Silva - de tal forma elas parecem inspiradas neste romance em que um outro António é humilhado da mesma forma torpe. Quando, nos anos 60, o li pela primeira vez, a personagem que faz o papel de snob-de-serviço provocou-me uma náusea que agora (no decorrer de uma segunda leitura) ressuscitou - e em duplicado, vá lá perceber-se porquê.»

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por FJV, em 25.01.06
||| Revista de blogs. Vulturinos.
«São as sobras da campanha. Gente que se agregou a ela com o fim mais ou menos explícito de obter futuras e gordas sinecuras, mas não de imediato, que parece mal; gente de focinhito convalescente, que não passa sem a sua imagem nem que seja no forro de um caixote de maçãs; uma raça cavalar, que capitalizará a prazo a estrondosa contribuição que ofereceu.»
{Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.}

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por FJV, em 25.01.06
||| Revista de blogs. O cantinho do hooligan.
«Uma das frases mais bonitas da língua portuguesa: "E Cristiano Ronaldo perde a bola."»
{No Golpe de Estado.}

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por FJV, em 25.01.06
||| Leitores, 2.
O Quinto Galarza, comentando este post:
«Foi, aliás, o único discurso de Soares em toda esta caminhada que me prendeu do início ao fim. Fora assim desde o arranque e poderia ter feito muito mais e muito melhor... O Soares da derrota foi bem mais elegante, sóbrio, sério, respeitador - em suma, presidenciável - que o Soares da pré-campanha/campanha.»

Sobre a interrupção de Sócrates a Alegre, ver este post nos Galarzas («na sede de Manuel Alegre se sabia, também, que Sócrates ia entrar em directo "dali a cinco minutos"»).

Sérgio Letria, sobre a crítica a Jerónimo:
«Reaccionário quem? O Jerónimo? O Francisco, mesmo depois da vitória, tem um tom agreste que não lhe fica nada bem. E surpreende-se pelo súbito aparecimento do PSD? A ingenuidade anda por aí? Não espere que depois destas eleições, e só porque Cavaco ganhou, as críticas desapareçam e se ouça um coro de elogios ao novo presidente. A vitória é legítima. Sem dúvida. Mas o passado e o presente de Cavaco não podem ser esquecidos. O futuro o dirá.»
Carlos Azevedo, sobre o raciocínio das décimas:
«É uma questão de interpretação. Eu concordo parcialmente consigo: «pobre esquerda que se contenta com a pequena liga dos últimos». Mas, se o país mudou, não foi apenas pela vitória de Cavaco Silva. Cavaco Silva foi, de facto, o grande vencedor da noite. Contra factos não há argumentos. Mas há mais análises que se podem fazer, não lhe parece? Há exactamente 20 anos, a única candidatura independente, a de Maria de Lourdes Pintasilgo, conseguiu apenas 7,4% dos votos expressos. Agora, a candidatura de Manuel Alegre (na qual votei, apesar de considerar que Manuel Alegre não chega aos calcanhares de Pintasilgo), igualmente sem apoios partidários, conseguiu 20,7% dos votos. Ora, isto também significa alguma coisa, não lhe parece? Claro que o Francisco pode optar por desvalorizar quem perde, o que é perfeitamente legítimo, mas a verdade é que 49,4% das pessoas que votaram nestas eleições não escolheram o candidato vencedor. Perderam, claro: é uma regra da democracia. Mas não deixam de existir, nem têm que se remeter ao silêncio: é outra das regras da democracia.»
O Cidadão Profissional, também sobre as décimas:
«A distância entre Freitas do Amaral e Mário Soares na primeira volta foi muito diferente da que se verificou entre Cavaco e Alegre? Ganhou o Freitas? Compreendo a irritação de quem esperava votações da ordem dos 60%.Ainda bem que isso não aconteceu. Assim temos a pessoa certa na Presidência sem uma votação que poderia dar "ideias", não ao candidato, mas a apoiantes mais excitados.»
Sobre o texto do El Pais referido aqui, o comentário de Daniel Marques:
«Este artigo é um disparate. Limita-se a reproduzir lugares comuns baseados em instantaneos que sendo reais passam apenas uma pequena parte da realidade. Portugal tem muitos problemas: é pequeno e é periférico (*). Viver a crédito não é de certeza um deles. Cada pessoa (e o seu banco) sabe de si. E resignar-se a comer sopa e massa não é certamente o caminho. Principalmente porque muitos portugueses por muito tempo não tiveram outra escolha.
O discurso de Rui Martins não se arrisca a ser, é mesmo Salazarista. Só falta queixar-se que os pobres até já têm televisão.
(*) O Excesso de estado e o clientelismo não são mais do que a consequência destes dois problemas. Há uma grande dificuldade de acumulação de Capital que obriga a passar para o Estado muitas obrigações de financiamento. Quando há uma efectiva acumulação de capital por privados a unica hipotese de crescimento é secar a concorrência.»
E A. Garcia Barreto:
«O português deve ser o povo que mais mal diz de si próprio. (...) Precisamos de encontrar outros parceiros na vida (sem pôr de lado os de sempre), que nos despertem pela competitividade em vez de nos adormecerem pelo pasmo e pelo atraso de que eles próprios padecem (mesmo que tenhamos alguma culpa nesse aspecto). Precisamos de pensar "grande", como os povos do norte da Europa, sem hipotecar as nossas próprias qualidades. E não deixar que a inveja envenene as nossas acções.»

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por FJV, em 25.01.06
||| Leitores, 1.
Nelson Paiva, por email:
«Em relação ao post, partirei de um irónico principio que assim seja. Tenho 35 anos e estou desempregado, sempre gostei de trabalhar e, também, sempre o fiz com dedicação e empenho. Se quem deu essa entrevista e quem com ela concorda souber de algum trabalho onde não paguem apenas 600 ou 700 euros por mês, tratem as pessoas mal e, principalmente, não as façam parecer que estão a receber um favor pelo trabalho e ordenado respectivo, estou bastante disponível para trabalhar e ajudar a mudar as vossas opiniões. Fico à espera, para além do que tenho procurado.»

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por FJV, em 25.01.06
||| Jane Austen, Orgulho e Preconceito e felicidade.
João Pereira Coutinho sobre Jane Austen; tinha-me passado, na Folha.

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por FJV, em 25.01.06
||| Relações difíceis.
Clara: relações difíceis eu acho graça. Mas muitas vezes as coisas melhoram bastante depois de a tempestade passar. Sobre as presidenciais «todos nós» escrevemos bastante; no fundo, tratava-se de um «combate político» (faz uma certa espécie a expressão) mais ou menos decisivo depois da bagunça em que Barroso deixou o país e das fracturas que se abriram nessa altura ou um pouco antes -- Casa Pia, PSD-PP no governo, Iraque, frentes nacionais, «revolução-evolução», etc. Por isso as presidenciais foram, acho eu, uma extensão das polémicas que estavam em roda livre há dois anos e que o epifenómeno Santana Lopes veio agravar. Dito isto, todos nós tivemos «relações difíceis» quando se falava de política nos últimos dois anos.
Vantagem e desvantagem da blogosfera -- escreve-se muito, escreve-se rápido, escreve-se depressa. E porque todos temos, à solta, o admirável génio que nos manda discordar antes de ler bem. Muitas das discordâncias absolutas nesta campanha têm a ver com esse admirável génio e com as consequências desses dois anos de bagunça. Vejamos: concordo com a Clara em todo o post, mesmo admitindo que votámos em candidatos diferentes e mesmo quando discorda de mim acerca do discurso de Soares; pareceu-me, dadas as circunstâncias, que a sua saída foi digna, ao contrário da sua campanha; mas, ao contrário de Soares, não faço julgamentos de carácter. Justamente porque uma das coisas mais desagradáveis dessa campanha -- é a minha opinião -- foi a quantidade de ataques pessoais infames que passaram por ser ataques políticos. E foi só ressentimento. Se um dia alguém tiver paciência (é um interessante trabalho de arqueologia política e de linguística) pode inventariar os adjectivos usados por Louçã, por exemplo, ou por muitos apoiantes de Soares acerca de Cavaco.

PS - Sobre o caso do «sapo com óculos». Claro que não me referia a nenhum candidato. Evidentemente. Mas o ar escandalizado de muitos mails e comentários deixa-me perplexo; depois de terem passado um mês a acrescentarem insultos sobre «o Cavaco», a minha irritação foi quase nada.

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por FJV, em 25.01.06
||| «Cidadania planetária.»
Gilberto Gil foi à Suíça falar sobre internet e cidadania planetária, em nome do governo brasileiro que, faz esta semana um ano, enviou uma delegação à China para discutir a «experiência do governo de Pequim em matéria de direitos humanos»; e justamente um ano depois de o próprio Gil ter sido derrotado num projecto que visava instituir um processo de censura no cinema e no audiovisual brasileiro.

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por FJV, em 24.01.06
||| Cheques sin fondos.
«Ya sé que es un discurso un poco salazarista, pero es que trabajamos poco. Preferimos hacer agujeros en el calendario para ver cuándo nos vamos de vacaciones a Brasil y así volver bronceados para parecernos a los otros; o si no, comprarnos un coche para parecer ricos. Y si tenemos que endeudarnos, nos endeudamos; o, mejor aún, damos cheques sin fondos.» Rui Cardoso Martins, no El Pais.

«[Cavaco] Va a ganar. Pero me temo que será víctima de su propio sebastianismo. Los milagros sólo suceden si hay ganas y coraje, y nosotros no tenemos coraje.» Pedro Rosa Mendes, no El Pais.

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por FJV, em 23.01.06
||| Depois, daqui a nada.
Houve muitos comentários e mails sobre a minha revoada de posts, o que é compreensível (ambas as coisas). Em breve publicarei alguns deles no blog e tentarei responder -- ou não. Clara, já falaremos. Nancy, voltaremos aos farelos.

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por FJV, em 22.01.06
||| E pronto.









Verdes são os campos.

Tu tens, graças as Deus, dois bons pulmões.
Se fumas não te miam. E é catita
Também o coração. Quando te pões
Gingando ao querer valsar, não se agita.

Até tens bom nariz para o ar imundo,
Nas favas provas químicos valentes,
Pão sem farelo põe-te furibundo,
Por dia lavas seis vezes os dentes.

Mas uma voz te assusta noite fora,
Que diz: «Falhaste em todo o teu caminho.
Mais vale o pó do enxofre meia hora
Que dez anos de ar puro, mas tolinho.»

Gerrit Komrij
De Contrabando. Uma Antologia Poética (Assírio & Alvim)

Tradução de Fernando Venâncio.

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por FJV, em 22.01.06
||| Segunda-feira, 15.
Um sapo com óculos acaba de dizer, na televisão, que Cavaco ganhou com 0,6 % de vantagem. A diferença entre Cavaco e Manuel Alegre é a que vai de 50,59% para 20,72%. A menos que os quatro candidatos, afinal, sejam uma mesma coisa. E não são. Mas, enfim, é a diferença entre um sapo com óculos e uma pessoa honesta.

A Carla chama a atenção para o fenómeno.

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por FJV, em 22.01.06
||| Segunda-feira, 14.
É inexplicável que Manuel Alegre tenha dito que ficou a décimas dos seus objectivos, seguindo o raciocínio do Diário de Notícias de hoje, ou seja, reafirmando que o único objectivo era levar Cavaco Silva à segunda volta. Pobre esquerda que se contenta com a pequena «liga dos últimos» e não compreendeu, desde o princípio, o que estava em causa -- compreender um país que tinha mudado entretanto.

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por FJV, em 22.01.06
||| Segunda-feira, 13.
Os que durante um mês e meio anunciaram a tragédia, o desastre, a catástrofe, o golpe de estado, miséria no lar, sangue na estrada, reviravoltas e tristezas, vão agora tirar o cavalinho da chuva e fazer marcha-atrás, como se não tivesse acontecido nada. Como se esperava. Mas há uma vantagem no nosso tempo -- tudo isso está registado. Não conseguirão esconder que transformaram a campanha eleitoral numa guerra de carácter, pessoal, sem «fair-play democrático» (a expressão é de Soares ao reconhecer a derrota), tentando ganhar pelo medo, pela queixinha ignóbil e pela arrogância. Amanhã começará a tentativa de desvalorizar a vitória de Cavaco e de esquecer o que estava em causa nestas eleições: mudar o ciclo político, mostrar que a Presidência não é património de ninguém, permitir que os herdeiros do PREC façam parte da nossa história mas não a condicionem nem viciem o jogo ou o debate. Durante um mês anunciaram a tragédia e ameaçaram exilar-se caso Cavaco ganhasse. Cavaco ganhou, felizmente. A vida regressa e os combates são outros. Podem encolher o dedinho autoritário, reaccionário. Já ninguém tem medo deles.

Adenda: esta é uma reacção inesperada, de contabilista que tenta apenas justificar perdas e danos. Não esperava isso do A. B.

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