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por FJV, em 27.10.05
||| Um grande centenário.
Não percebo como a blogosfera, tão atenta, deixou passar este centenário que tanto contribuiu para a nossa felicidade.

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por FJV, em 27.10.05
||| Leituras soltas. Luiz Antônio de Assis Brasil.
«Vieram na segunda classe, no mesmo navio que reconduzia para cá D. Pedro II depois de uma visita à Europa. Ela enxergara o Imperador tomando sol no convés mais alto. Abanou-lhe. Foi retribuída. Desde então o Monarca passara a ser apenas um homem como os outros.
– D. Pedro é um homem como os outros – ela um dia disse ao Historiador, provocando-lhe uma reação de espantada incredulidade. Ele nunca pensara nisso. O fascínio imperial estava muito acima dessas contingências humanas.
A primeira coisa do Brasil a chamar a atenção de Cecília foi a selva. Em Portugal a natureza fora domada havia séculos. Aqui, a selva, plena de vapores, crescia por tudo, recobrindo as montanhas do Rio de Janeiro e entranhando-se no caráter das pessoas. A selva possuía algo de misterioso, como um coração.»
Luiz Antônio de Assis Brasil, A Margem Imóvel do Rio, Ambar.

Luiz Antônio de Assis Brasil nasceu em Porto Alegre, onde vive, em 1954. É professor universitário e já escreveu um livro de ensaios sobre literatura dos Açores. Entre os seus livros contam-se O Homem Amoroso, Breviário das Terras do Brasil, O Pintor de Retratos (já publicado em Portugal) e A Margem Imóvel do Rio, que foi finalista do Prémio Jabuti e é também do Portugal Telecom Brasil, e que acaba de ser lançado pela Ambar. No Brasil os seus livros estão publicados pela LPM.

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por FJV, em 27.10.05
||| Sebastianismo.
O artigo desta semana no JN.

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por FJV, em 27.10.05
||| Biodiversidade.


Há maneiras mais fáceis de se expor ao ridículo,
que não requerem prática, oficina, suor.
Maneiras mais simpáticas de pagar mico
e dizer olha eu aqui, sou único, me amem por favor.

Porém há quem se preste a esse papel esdrúxulo,
como há quem não se vexe de ler e decifrar
essas palavras bestas estrebuchando inúteis,
cágados com as quatro patas viradas pro ar.

Então essa fala esquisita, aparentemente anárquica,
de repente é mais que isso, é uma voz, talvez,
do outro lado da linha formigando de estática,
dizendo algo mais que testando, testando, um dois três,

câmbio? Quem sabe esses cascos invertidos,
incapazes de reassumir a posição natural,
não são na verdade uma outra forma de vida,
tipo um ramo alternativo do reino animal?

Paulo Henriques de Britto, Macau. (Companhia das Letras)

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por FJV, em 27.10.05
||| Porto judaico.
Descoberta uma sinagoga no Porto, na Rua da Vitória, «numa casa onde a paróquia de Nossa Senhora da Vitória ultima a construção de um lar de idosos, com aval do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR)». Trata-se de uma sinagoga (mais precisamente, do ponto de vista material, o mais importante é a existência de um ehal, o lugar onde são guardados os rolos da Torah) que data dos finais do século XVI, depois da expulsão, conversão forçada e primeiros pogroms dos judeus portugueses.

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por FJV, em 27.10.05
||| Terramoto ainda.
O Pedro Almeida Vieira, autor do romance O Profeta do Castigo Divino (ver post abaixo) acrescenta mais informações:
«Já agora, acrescento outro livro de ficção, publicado no século XIX (1874) por Manuel Pinheiro Chagas intitulado Terremoto de Lisboa, reimpresso em 1937 (de que possuo um exemplar). Além disso, existem também várias obras pós-terramoto, de que destaco os dois poemas épicos Lisboa Reedificada (1790), de Miguel Maurício de Ramalho) e Lisboa Destruída (1803) de Teodoro de Almeida. Este último tem um estilo camoniano e segue uma linha muito «interessante»: nas notas, o autor, que era padre, salienta que «ficando Lisboa destruída, Deos conseguio dois grandes fins, que intentara, hum de se fazer temido, e respeitado dos prevaricadores daquele tempo, outro de prevenir com este aviso os Atheos, Deistas, e Materialistas Portugueses, que o Senhor pela sua presciencia divina sabia, que poucos annos depois, corrompidas das ímpias doutrinas das nações estrangeiras, se rebellariaõ contra a Religiaõ; para que se lembrassenm que Elle sabe soffrer, porque he eterno, e tambem zombar dos seus zombadoresm porque he honrado e Santo» (sic).

Por fim, na área do ensaio, aconselho os dois melhores trabalhos de historiadores sobre o terramoto de 1755. Por sinal, ambos estrangeiros. Em 1955 foi publicado no Reino Unidos (edição nos EUA no ano seguinte) um livro do então director do Museu Britânico, T. D. Knedrick, intitulado The Lisbon Earthquake. Jamais foi traduzido em português, o que é uma pena, mas pode ser encontrado em alguns alfarrabistas estrangeiros (preços bastante variados...). O outro, é muito mais recente, publicado no ano passado, e é da historiadora brasileira Mary del Priore, intitulado O Mal sobre a Terra, que se pode mandar vir de qualquer livraria online brasileira. Aliás, esta historiadora irá estar em Lisboa no dia 5 de Novembro, no seminário do ISCTE sobre o terramoto.»
Além disso, acaba de sair o poema de Voltaire sobre o terramoto de 1755, com tradução de Vasco Graça Moura.

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por FJV, em 27.10.05
||| A boa campanha.
Na edição deste ano da Feira de Frankfurt, um ano depois de o «mundo árabe» ter sido convidado de honra de 2004, ofereciam-se «os direitos» dos Protocolos dos Sábios de Sião, edição da Islamic Propagation Organization. Veja como o anti-semitismo oficial entrou em Frankfurt.

PS - Mas alguém estranha que isto aconteça, antes ou depois de as declarações do presidente do Irão não terem suscitado protestos internacionais relevantes? Se fosse o contrário...

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por FJV, em 27.10.05
||| Mais terramoto.









O Manuel Jorge Marmelo lembra, e bem, a existência de um outro livro com o terramoto de 1755 como cenário: o Lilias Fraser, de Hélia Correia (Relógio d'Água), só que já publicado em 2001. Lilias Fraser é, julgo eu, o grande livro de Hélia Correia, onde acompanhamos a vida de Lilias, a partir da batalha de Culloden, na Escócia, em 1746, até Lisboa, 1755.
Fora da ficção, há ainda o livro de Luís Rosa, O Terramoto de Lisboa e a Invenção do Mundo (de 2004), e o de João Duarte Fonseca, O Terramoto de 1755 (Argumentum).
O Rui Tavares acaba de lançar O Pequeno Livro do Grande Terramoto (edição Tinta da China) e disponibiliza mesmo um blog sobre o livro. Ainda não o li mas, para sabendo que o Rui é, entre outros, tradutor de Voltaire, parece-me promissor. Rui Tavares disponibiliza, ainda, uma boa bibliografia sobre 1755, além de uma série de links muito úteis. Eis um bom exemplo da utilidade da blogosfera.
Ainda sobre o tema, ver este conjunto de resumos de comunicações de um colóquio da Faculdade de Letras de Lisboa sobre o assunto.

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