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por FJV, em 18.10.05
||| Questões morais. Uma micro-causa leviana.
O Paulinho Assunção, directamente de Minas Gerais, associa-se às minhas preocupações acerca da aguardente gelada:
«Imagine só se fôssemos pagar multas pelas cachacinhas artesanais aqui de Minas, aquelas de pequenos alambiques, de pequenas fazendas, dóceis sobre a língua, amigas das papilas, exuberantes nos sabores... Também estou nesta micro-causa alcoólica...»

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por FJV, em 18.10.05
||| Conto mínimo, outra versão.

O Rui alterou a designação mas manteve o espírito minimalista até às últimas consequências:

«A mais curta tragédia do mundo.
Era uma vez um rapaz que perguntou a uma rapariga:
– Queres casar comigo?
Ela riu. Fim.»

No entanto, o Rui acrescenta um diálogo de casal, depois de ambos terem lido a versão da Rititi:
«O cínico: – Aquele '
fim' gordo, com ponto final e tudo, é tal e qual o dos contos de fada.»
«Ela: – A versão da Rititi é melhor, ainda que maior: afinal size matter

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por FJV, em 18.10.05
||| Conto mínimo, continuação.
A Sandra Feliciano enviou outra versão do conto mínimo:

«O mais curto conto de fadas do mundo.
Era uma vez um rapaz que perguntou a uma rapariga:
– Queres casar comigo?
Ela respondeu:
– Não.
E ambos viveram felizes para sempre, cada um no seu espaço próprio e com direito à sua individualidade, sem necessidade de grandes concessões, encontrando-se de vez em quando para umas valentes quecas, umas boas conversas e tudo o mais que lhes apetecesse, sem quaisquer sentimentos de posse e por isso mesmo sempre tudo vivido intensa e apaixonadamente, como se cada vez fosse a última. Fim.»

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por FJV, em 18.10.05
||| Isolamento.
Não participando em inquéritos internacionais de prestígio, dificilmente romperemos o nosso isolamento no concerto das nações.

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por FJV, em 18.10.05
||| O referendo sobre as armas, no Brasil.
Sim ou não à proibição de venda de armas no Brasil? O referendo vai ser no dia 23. Apenas 5 ou 6 por cento das armas que circulam no Brasil são adquiridas legalmente, segundo cálculos da imprensa. As campanhas, pelo que vi nas televisões e li nos jornais, são geralmente despropositadas e acho que tanto o sim como o não podem ganhar</span>. Não porque as pessoas queiram andar na rua, de revólver pendurado na bermuda, mas porque algum do sim é particularmente nenhenhém, todos pela paz, que lindo, esperando que os bandidos passem a comprar as suas armas nas Lojas Insinuante ou Bahia.
A propósito de umas declarações de Raimundo Fagner («Onde tem muito artista falando, já se sabe que não é coisa boa»; «É tudo um bando de Maria-vai-com-as-outras. Ficaram gritando ‘Lula-lá!’, ‘Lula-lá!’ e, depois que o Lula fez essa cagada toda, não aparece quase ninguém para comentar.»), Tutty Vasques assina, no No Mínimo, uma crónica com que dói concordar. É este o link.

Ler também o artigo de Alberto Dines no Observatório da Imprensa.

Para entender o referendo do dia 23, ler o dossier da Folha de São Paulo. O jornal O Globo também tem um especial sobre o assunto.

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por FJV, em 18.10.05
||| Estupidamente correcto.
Uma das coisas mais incómodas é a falta de sentido de humor. Gosto do desprendimento que gera o riso e da liberdade que não se deixa ferir pela ortodoxia. Não tenho grande opinião sobre aqueles que não riem por razões morais. Longe de ser politicamente correcto, é estupidamente correcto. Piadas machistas, anedotas sobre judeus ou comunistas, histórias de loiras e piadas sobre portugueses e brasileiros. Gosto. Rio bastante. Gosto do riso. Provavelmente há coisas a salvo do riso, mas também há circunstâncias em que nada está a salvo. Nunca imaginei que aquele conto mínimo gerasse comentários e mails tão correctos sobre o seu tom machista.

Curiosamente, a Rita enviou-me, por mail, uma outra versão. Aí está.
«O mais curto conto de fadas do mundo.
Era uma vez um rapaz que perguntou a uma rapariga:
Queres casar comigo?
Ela respondeu:
Não.
E a rapariga viveu feliz para sempre, pegada ao vibrador, sem marcar a hora para a depilação, e sem ter de aturar a sogra, a bola, os ciúmes, os jantares com os colegas do gajo, os boxers espalhados pelo quarto, os pêlos na banheira. Fim.»

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por FJV, em 18.10.05
||| Questões morais. (Actualizado)
Recentemente, no Minho, em alguns restaurantes, dei largas a um atavismo fatal: perguntei, no fim do jantar, se havia «aquela aguardente gelada». Eu gosto. Gosto de grappa gelada e gosto de aguardente de vinho verde gelada -- e prefiro largamente esta. Invariavelmente, o empregado de mesa curvava-se ligeiramente e murmurava: «Sim, temos uma, ali, mas é caseira.» Pois que viesse. Provei algumas, magníficas. Informaram-me, hoje, que essa venda é proibida e que a multa anda pelos 1.000 euros. Eu acho uma ignomínia. Desconheço as razões mas vou investigar. Será uma das minhas micro-causas pessoais. Uma micro-causa alcoólica, mas uma micro-causa, apesar de tudo.

ADENDA: Não se trata da proibição de aguardentes caseiras, mas de aguardentes geladas.

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por FJV, em 18.10.05
||| Gripe.
Ontem, os responsáveis da saúde mantinham o espírito em alta. Achei perigoso, com o avolumar de notícias, que um secretário de Estado afirmasse que a temporada de caça se ia manter porque estavam a «monitorar as aves». Os responsáveis políticos não devem ser alarmistas, compreendo. Há pouco, na BBC, dizia-se que «já está na Grécia, amanhã ou depois chegará à Itália». Ouço dizer que «vão morrer 50.000 pessoas em Inglaterra» e que em Portugal o número chegará aos 11 ou 12 mil -- é um número e tanto, não apenas uma estatística. Desta vez falem claro. Não se preocupem com o grau de alarmismo. Falem claro. Não vão perder eleições por causa disso. Não descem nas sondagens porque toda a gente percebeu que as galinhas da Roménia não são comandadas de São Bento.

P.S. - O Henrique, do Restaurante Galito, diz que este ano não vai vender pombos, codornizes, perdizes ou tarantolas. Não sou consumidor, mas é um sinal.

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por FJV, em 18.10.05
||| O cantinho do hooligan.




O Manuel acha que ando comovido com as agruras do FC Porto e que, também para mim, o bombo de serviço é o treinador. Não é assim. Explico porquê. Sou um hooligan sem importância; gosto de ver o FC Porto ganhar porque sou adepto do meu clube e, hoje em dia, pouco mais. Hoje de tarde na TSF e na Antena Um, e ontem à noite na SIC Notícias, ouvi comentadores discretearem com sabedoria sobre a crise na SAD do Sporting e no sistema táctico do FC Porto; frequentemente os oiço falar de futebol como o Prof. Marcelo fala sobre política. Não percebo, hoje, como é possível falar durante 37 minutos sobre «questões político-estratégicas dos três grandes» (foi o tempo de Rui Santos ontem na SIC); compreendo a ideia -- mas, pessoalmente, não seria capaz. Já participei como «comentador residente» em dois programas de tv sobre futebol, mas acho que nunca se tinha chegado a um espectáculo desta dimensão. Saber se a jogada de Luís Filipe Vieira deixa Pinto da Costa em apuros ou se o equilíbrio de forças dentro da SAD do Sporting está quebrado e são necessárias eleições antecipadas parece-me política dos pobrezinhos. Num desses programas em que participei disse, a abrir, que não ia discutir off-sides ou penaltis por assinalar e que não ia debater a originalidade da gestão de Vale Azevedo. O que é assunto de polícia é para ser tratado na polícia, o que é negócio é para ser tratado pelos negociantes, o que é futebol é para ser tratado a falar de futebol.
A minha perspectiva é, assim, fraquinha. Admito que seja importante apreciar a gestão desportiva do Sporting e o contributo do kit Benfica para a gestão de Luís Filipe Vieira, tal como acompanhar os desaires de Pinto da Costa e a rouquidão arrastada de Dias da Cunha. Só que, hoje, isso não me interessa. Por isso chamo a esses textos sobre futebol «o cantinho do hooligan»: só me interessa o jogo. Acho que o tempo de Pinto da Costa já passou e que ele se devia retirar. Tal como acho que as questões do Apito Dourado dizem respeito à justiça e à polícia -- e se tiverem efeitos desportivos, que o decidam logo.
O futebol alimenta três jornais que precisam de vender papel; se o Benfica não vem na primeira página, não se vende. Alimenta uma indústria de televisão. Alimenta o negócio da publicidade. Etc. Saber se é mais importante ter na mão a comissão de arbitragem ou contratar o Samuel Etoo ou o Drogba é coisa que não discuto. Eu preferia ter o Drogba a marcar golos (digo e escrevo há anos sobre a falta que faz um goleador no FC Porto...). Viciar a comissão de arbitragem é, para mim, assunto de polícia de costumes. Essa gente não me interessa. Sei que podem viciar jogos, aldrabar resultados, torpedear contratações; os tribunais comuns que julguem essa gente, e depressa. Quanto mais depressa melhor. A mim, o que me interessa é perceber a razão por que Co Adriaanse deixou no banco jogadores como o Diego e o Quaresma e o Hugo Almeida entrou tão tarde; quero saber porque não jogaram o Jorge Costa ou o Pedro Emanuel; quero saber porque é que joga o Bosingwa e não o Sonkaya; quero perceber porque é que mantemos (nós, o FC Porto) jogadores como o Pepe, o Postiga e o McCarthy e não se contratou um rapaz goleador nem se treina alguém para marcar um miserável pontapé de livre. E não percebi as razões do treinador nem as razões do clube. Agora, se Pinto da Costa tem culpas, isso não sei. Admito que possa ter, mas já não me interesso pelo assunto. Essa gente toda tem uma importância fatal, eu sei. Mas quando vou ao estádio pago bilhete como toda a gente e quero que a minha equipa ganhe. Sou um hooligan.

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