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por FJV, em 21.09.05
||| A noite, o que é?, 53.
Há um código conhecido: acordar de madrugada. Cheiros. Uma janela aberta perto do mar, das árvores. Escrever para catalogar o mundo, diante de muros entreabertos. Acordar de madrugada para cozinhar, beber água, passear pela casa. Quando se acorda de madrugada há um código impresso nos dedos, no coração, na vida dos outros. Deixamos uma marca, ouvimos uma música. Deixamos um rasto.

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por FJV, em 21.09.05
||| A noite, o que é?, 52.
Uma casa onde os amigos chegavam e havia comida na mesa, nos armários; cerveja, água, café, o aroma do café, árvores, gente que passa na rua, um baralho de cartas, ruído dos aviões, poemaas de Cecília Meireles. Nunca estamos preparados para as grandes recordações. Aquelas que mudaram a nossa vida, ou apenas aquelas que a nossa vida foi capaz de mudar.

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por FJV, em 21.09.05
||| Religião aberta.
Depois de ter lançado a colecção Ciência Aberta há muitos anos, a Gradiva lança a Religião Aberta. O segundo volume é uma pequena preciosidade, de Danièle Hervieu-Léger, O Peregrino e o Convertido.

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por FJV, em 21.09.05
||| Arquivos.
A partir de amanhã os arquivos do Aviz estarão fora do ar.

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por FJV, em 21.09.05
||| Ela despedia-se da vida.













Ela despedia-se da vida, era a Páscoa. Melhor: as urzes
floridas ainda, sobrevivendo – um vento, as matérias
do medo, colinas de pinheiros, alegorias, orações.
Minha tia. Aconchegou-se ao casaco de lã e sorriu.

Procurámos a água da serra, uma fonte no meio da pedra,
o silêncio no meio da tarde, eu sabia que ela se despedia
da vida, das urzes, da serra que mais se inclinava
sobre o que amou: os rios, os lagos, os livros, a comida.

Minha tia. Não a morte, mas a luz, entrara pela porta
da Páscoa. A estrada de Montalegre coberta de geada,
tímidos açudes como na poesia clássica – eu gostaria
de ser outra coisa, na verdade, evitar a morte sem adorno

e sem a presença de Deus. Falaríamos de coisas vagas,
riscos de sombra, cinza das nuvens, as ervas do rio,
os nomes familiares. A ferida alastra, chamando a morte,
cruel, como se Deus tivesse dois nomes diferentes.

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