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por FJV, em 20.09.05
||| A noite, o que é?, 51.









Quando voltar a escrever sobre a noite é porque alguma coisa mudou em mim, ou alguma coisa regressou, ou alguma coisa aconteceu. Geralmente, isso não tem explicação. As pessoas liam o que eu escrevia e procuravam um sinal. Eu dizia: «As coisas não têm sentido, não têm explicação. O que se escreve não tem sentido, ou só tem sentido muito depois, organizados os restos, o que sobrou, o que ficou para lembrar.» Voltar a escrever sobre a noite. Sobre os ruídos, as formas, a folhagem que se via pela janela, os livros acumulados na mesa, os diálogos curtos. Uma forma qualquer de dedicação, de heroísmo.

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por FJV, em 20.09.05
||| A noite, o que é?, 50.
É de noite que as coisas vêm. As recordações, a folhagem rente aos muros, as obsessões, o ruído dos bichos, animais nocturnos. As coisas vêm. Nem é fácil nem é difícil. Apenas o que são: aromas, frutos, coisas perdidas e sem nome, despedaçadas, intensas, formidáveis, versos em prosa, diálogos, palavras cruzadas. Eu digo que as coisas vêm, mas não é verdade; são apenas marcas na pele, hábitos, nomes, enumerações. Não são memórias, sequer. São feridas, rumores, mais enumerações ainda, como resumos da vida inteira e que, com o passar do tempo, se podem transformar num pesadelo. Estou numa varanda, sentado, olho em frente: é um exercício de ficção rudimentar; o que vem à memória às vezes são coisas que não devia recordar, vindas do fundo da noite, quando a noite não tinha esta ordem, nem outra, nem nenhuma. E era só noite. Amável. Amável noite, amável sotaque, amável língua desconhecida, incerteza. Livros de palavras cruzadas comprados em papelarias de aeroporto, em quiosques de bairro.

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por FJV, em 20.09.05
||| Adeus.




A Simon Wiesenthal, consciência da shoah. Obrigado.

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