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por FJV, em 21.11.05
||| Os beijos na escola, de novo.
Parte da discussão sobre este assunto degenerou em debate jurídico. Nada contra. Mas tratava-se de uma oportunidade de tratar da tolerância e do embate entre lei e costume, por exemplo. Não estava em causa a lei mas sim a ideia de tolerância. O Filipe Nunes Vicente, contando uma história pessoal, expôs o problema com clareza: «Passámos a fazer exactamente o mesmo, só que com a janela fechada.» Quem nunca fechou a janela? Simplesmente, há aqui outro problema: o do uso desproporcionado da força, a julgar pelo relato dos jornais e por testemunhos entretanto escutados, com a inevitável tendência provinciana para criminalizar um comportamento não criminalizável. Nesta matéria sou pelo mais fácil: a escola devia ter fechado os olhos e não devia ter aceite nem discutir nem tomar conhecimento do assunto. Às vezes, tolerar é apenas usar do mais elementar bom-senso.

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5 comentários

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De p a 23.11.2005 às 19:04

Esta noticia recordou-me a falta que faz uma revista que vai acabar no dia 31 de Dezembro de 2005. talvez para sempre.

Sinto-me triste, o nosso país caminha para o abismo. Não é só um beijo que não é permitido entre duas adolescentes, são intermináveis questões em que a falta de tolerância nos mata a pouco e pouco a vontade de "fazer algo".

Passaram 3 meses, e já tenho saudades de Eng Física... dos numeros, da "outra realidade", de um mundo diferente, em que tinha à partida uma "vida garantida", onde não tinha que me preocupar comigo, mas acima de tudo com os outros!
Poderia ser investigador, ou um quadro tecnico de uma qualquer empresa... um trabalho estimulante de qualquer forma e acima de tudo: longe de tudo e de todos (e que me garantia sustentabilidade financeira...).

Não sei se no nosso país (no nosso "mundo"????) valerá mesmo a pena o debate. Se vale... é apenas para alguns. Por isso, percebo como esta questão foi tratada: tal como todas as outras, extremaram-se as posições, ostracizou-se a diferença.

Eu acho fantástica esta posição "severa", quando são "autorizadas" (como F.J.V disse: fechando-se os olhos...): actos primitivos de "acasalamento" em Publico, sim, mesmo na escola: são inumeros os grupos de rapazes e raparigas que se colocam em posições de perdadores sexuais... sim, aquela atitude de se formarem os grupinhos e falarem das meninas(os) que passam, dos seus seios, das suas nadegas... tudo isto é mais comun do que toda gente quer admitir. Já frequentaram as festas nocturnas? As discotecas? Já foram à queima das fitas de Coimbra (na zona do rio?)? Lembram-se do show erotico na Queima que despontelou em actos sexuais? Ou as estudantes que se despem em cima das barracas? Sao festas pagas com dinheiros do estado... nunca ninguem se importou muito... (já agora, sabiam que uma garrafa de agua num recinto de uma festa academica custa muito mais que um fino?).

Para além das adolescentes que se declaram homosexuais, tantas outras se bejam por simples prazer ou brincadeira e nunca nada se disse... mas, será que ouve algo mais do que isso? (sim, o "bom" povo insinua que sim...) bem, não seriam as primeiras a fazê-lo... meus caros, muitos nem saberão as filhas que têm em casa! Isso é bem mais comun do que possam imaginar!

Basta uma boa dose de bom senso, até porque há coisas que como fiz questão de chamar a atenção,e bem mais "problemáticas", colocam restriçoes à liberdade.
Um beijo, uma relação... não são pessoas livres? Basta de hipocrisia, fazendo-nos crer que o mundo tá xeio de gente de virtude, de gente de bem... são mesmo isso: "gente".
Será que as pessoas sabem o que é o Amor, e o que é a Paixão? Será, que as pessoas estão conscientes das diferenças radicais entre estes dois conceitos? Será...?

"A vida do homem não pode "ser vivida" repetindo os padrões da espécie; é ele próprio - cada um de nós - quem deve viver. O homem é o único animal que pode estar aborrecido, que pode estar enojado, que pode sentir-se expulso do paraiso."
"A ética (ética="a arte de viver")humanista, em contraste com a ética autoritária, distingue-se por um critério formal e outro material. Formalmente, baseia-se no principio segundo o qual só o homem por si próprio pode determinar o critério relativo à virtude e ao pecado, e não qualquer autoridade que o transcenda. Materialmente baseia-se no principio segundo o qual o "bem" é aquilo que é bom para o homem e o "mal" aquilo que lhe é nocivo, sendo o bem estar do homem o único critério de valor ético." Erich Fromm Ética e Psicanálise

Resumindo, a suposta "ofensa" à dignidade social é um embuste (quase de certeza que a maioria dos alunos não reprovam o comportamento das colegas...). Talvez esta questão suscite algo mais profundo: a nossa escola prepara pessoas? a nossa escola prepara pessoas capazes de avaliarem os seu actos, de serem responsáveis por eles, de serem cidadão integros, de serem sere - humanos com uma "bagagem" que lhes permite ousar na vida e permitir o nosso crescimento?
A minha resposta é: não.
Não confundir com a difusão de moralismos!! Nada disso!
O que estou a tentar "transmitir" (e confesso que com muita dificuldade, não só por ser alguém que não sabe nada, nada de nada, mas também porque estou mergulhado numa gripe horrivel!)é a necessidade de que nós, não só jovens, tenhamos a possibilidade de "saber pensar" pela nossa propria cabeça e saibamos assumir as opções na nossa vida, e acima de tudo, que saibamos aceitar as opções de cada um!!!


E, para terminar este comentário sem nexo (peço imensa desculpa a F.J.V, por profanar este seu cantinho com a minha ignorancia, com a minha ignorancia de jovem e de pessoa), gostaria de dar os parabens por uma revista que a máquina de lavar cérebros presente na "engrenagem" do nosso país vai fechar, sem honra, sem glória e desprestigiando aquilo que eu designo (e sempre disse a todos os que contactaram comigo) como a melhor revista de jornalismo português (até À edição numero 150): a GRANDE REPORTAGEM! E, um forte agradecimento ao ultimo dos seus directores: F.J.V.
Guardo esta revista como um reliquia. Releio muitas vezes os seus artigos! Relembro a isenção, a excelente qualidade da investigação, do texto, do grafismo... TUDO!
As coisas "boas" estão a acabar. Especialmente para quem, como eu, tem muitas dificuldades de aceder à "cultura alternativa" pois sou da boa gente do "povo"... essa massa cinzenta horrivel, e que nenhuma elite deste país se digna a olhar.

Desculpem o "tom de revolta".

Eu estou profundamente triste.
Acabei de cruzar os braços.

Eu... que um dia pensei..."talvez eu possa mudar um bocadinho do mundo", ou melhor: eu, que pensei que podia, que devia, participar um pouco "nesta" coisa que chamamos vida! sociedade!

Há dias como hoje, que chego a casa e penso: não vale a pena.
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De Luis M. Jorge a 22.11.2005 às 18:11

"Entre Lubamgo e Menongue, próximo de Xangongo, nas margens do rio Cunene, Nhangana Sousa Tavares (como é conhecido entre os Sobas) ressonava a sono solto à sombra de um baobá, enquanto o fiel Belarmino, com uma folha de palmeira, afastava os marimbondos. A seus pés jaziam dois leões esventrados, com chumbo na moleirinha, e uma alcateia de hienas, todas vivas, tentando ferrar o dente no Simba Rei da Selva, mais tenro agora que não podia protestar. As hienas, como o leitor reconhece, não se incomodam com a presença de um fumador.

Nhangana Sousa Tavares acordou sobressaltado quando a lider da alcateia, por engano, confundiu a juba do felino com a barba de três dias do seu carrasco e glamoroso jornalista do "Público", em khakis. Infelizmente a bicha aproximou-se demais, levando um balázio na testa que a pôs com dono, embora sem cabeça - era assim que, na sua opinião, deviam ser tratadas todas as bichas. E por falar em "Público", aquele não era dia de dormir! Estava a crónica aprazada para sair na sexta-feira, ao lado do Prado Coelho e do Pedrinho da pé-primária, o doutor da Casa Pia, sempre pronto a salvar mais um mocetão de corpo feito das garras de um pai de família. Ele odiava aqueles tipos efeminados de falinhas mansas. O gordo do Coelho, infelizmente, já era uma instituição. Mas o Strecht, pá, que fosse dar banho aos miúdos, mais o Diabo que o carregasse. Um homem nem era livre, com tanto constrangimento!

De que falaria hoje? De animais, como era costume? Não. Ali em Angola apetecia-lhe fauna mais grossa que os políticos da metrópole. De bichas? Não. Disparar para um paneleiro é como atirar a um gambozino: nunca se sabe se ele está à nossa frente ou, lagarto, lagarto, atrás de nós. Falaria de gajas? Não. Diriam logo que falava muito e mordia pouco. E se as gajas fossem políticas? Não. Por cada Amaral Dias havia duas Odetes, e com cada Odete uma Roseta, e atrás dela a Pintassilgo, que era como a Madre Teresa, e lá se estragava a masculinidade de um tipo, com pau de Cabinda ou sem ele.

Mas... E se as gajas que fossem bichas? E se ele falasse de lésbicas?!

Na aula de Geografia, em Vila Nova de Gaia, duas adolescentes olharam para a parede, onde velho o mapa das colónias, legado por Salazar, as encheu subitamente de um inexplicável terror."

Não percais a Segunda Parte do imortal folhetim "DONA POMBINHA E AS LÉSBICAS - uma novela sobre a Roménia do Século XXI".

Disponível Aqui (http://ofrancoatirador.blogspot.com/)
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De NUNO FERREIRA a 22.11.2005 às 01:38

tanta discussão por causa de um beijo? De um beijo em público? Um...
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De Assumida Mente a 22.11.2005 às 01:30

F.J.V., eu não diria "às vezes"... eu diria sempre, tolerar é sempre um acto de bom-senso!...
E já para não questionar o sentido que faz usar o termo "tolerar" por referência a comportamentos que são habituais, banais e pacificamente aceites entre qualquer jovem heterossexual na flor da idade!
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De Nónio a 22.11.2005 às 00:18

O artigo de Saraiva sobre isto é arrepiante
Leia no Nónio

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