Quarta-feira, 15.06.11
Dos seus discos, os únicos originais que tenho são os duplos Play it Again Erroll (de 1974) e The Elf. The Savoy Sessions (de 1976). Só os comprei depois da morte de Erroll Garner, em 1977 – um pianista que sempre me deu a ideia de ser bastante tímido e mais melancólico do que merecia. Isso deve-se à interpretação do seu tema mais famoso, «Misty», um monumento do jazz que passa de década para década (é de 1954) transportando a beleza quase cinematográfica que os ouvidos de hoje lhe atribuem. Há quem lembre o seu piano a acompanhar Charlie Parker em «Cool Blues» (nunca ouvi essa versão), que devia ter sido brilhante e inesquecível; mas a verdade é que «Misty» é incomparável, como o prova o filme de Clint Eastwood, Play Misty For Me. Erroll Garner completaria hoje noventa anos.
[Na coluna do Correio da Manhã]

8 comentários:
Apesar de o vídeo não o indicar (não contém ficha técnica), esta é a versão de "Cool Blues" com Erroll Garner ao piano: http://www.youtube.com/watch?v=5pVxWdnInWY&feature=related´
(É muito mais interessante do que a que Clint Eastwood escolheu para o filme sobre Parker, "Bird".)
De 3dJSP a 15 de Junho de 2011 às 16:43
Estava a ler a sua apreciação de "Misty" e dei comigo a pensar - isto aplica-se que nem uma luva à versão de " The way you look tonight" .
Mas este génio do piano possuía o dom da "transmutação musical"...
Cpmts.
Parabéns Sr. Ministro.
Afinal ainda há esperança para este país.
Abraço
TSC
Ainda que off-topic, muito boa sorte. Vai precisar dela.
De
AMCD a 19 de Junho de 2011 às 22:36
Este cidadão anónimo deseja-lhe um bom trabalho na Secretaria da Cultura. Terá menos tempo para dedicar-se ao blogue, se tiver algum que lhe sobre, mas enfim, agora é a cultura do País que se sobrepõe.
Que seja ousado: "Uma vida não questionada não merece ser vivida", dizia Platão.
Bom trabalho.
De henedina a 20 de Junho de 2011 às 01:22
Devo dar-lhe os parabéns, fjv ?
A cultura democratizou-se e descentralizou-se, apesar de ainda ser Lisboa, Lisboa, Lisboa e depois Porto, Porto e o resto do país.
Ser secretário de estado da cultura num governo de troika precisa de muita imaginação espero que tenha tb sido por isso que o PPC escolheu um escritor e, espero, nenhum nepotismo. O poder corrompe, cuidado. E atenção aos jantares não queremos um secretário de estado morto. E ponha lá na agenda as Correntes quero continuar a vê-lo lá.
De Free Soul a 21 de Junho de 2011 às 22:45
podes-me enviar o link do teu perfil? adoraria seguir-te.
beijos e boa noite.
De Resumindo morreu aos 60 e tal a 23 de Junho de 2011 às 02:08
é curiosa essa sanha de dar vida aos mortos
se tivesse vivido teria 90
se tivesse renascido numa terra favorável teria 34
se estivesse em lista de espera ainda não teria sido enterrado
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