Sexta-feira, 10.06.11

 

E só para vos fazer inveja: o novíssimo romance de Fernando Sobral, Ela Cantava Fados, mal Julho dobre para Agosto. E o novo livro de J. Rentes de Carvalho, notai bem, Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, na mesma altura.



FJV
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3 comentários:
De vicente a 10 de Junho de 2011 às 14:55
Desejando meter as mãos e os olhos - principalmente - nesse da Pola!


De FJV a 10 de Junho de 2011 às 15:42
Como eu o compreendo...


De Mariah a 12 de Junho de 2011 às 03:03
Vai aí um trechinho d’As teorias selvagens, de Pola Oloixarac, para aumentar, nos leitores, o desejo de leitura.. E, eu desejo, ao JFV, que seu próximo romance seja uma microetnografia política, com a experiência de deputado...

"Ocorreu o impossível: a jovem promessa, a tigresa ambiciosa das aulas (moi) sentiu interesse pela besta velha, o relegado professor Augusto. E agora, ensuite, tudo é diferente. Meu romance invertido com García Roxler deu uma virada decisiva; e com o dom para a ação que só se adquire nas faculdades humanísticas, e o brio da minha juventude, lancei-me a investigar as possibilidades de sua teoria. O próprio García Roxler concordou em me enviar uma cópia de um artigo seminal publicado em Rivista di filosofia continentale, que depois devolvi ao autor acompanhado de um sucinto elogio e um prolongado anexo de notas. Coloquei mãos à obra de imediato, postergando investigações talvez mais urgentes. Escrevia com letra pequena, seráfica, em papéis que arrastava comigo para todos os lados; depois traduzia meus arroubos para a dócil caligrafia eletrônica, bem mais legível. Logo aderi a essa ilustre teoria do Tempo que despreza as representações lineares e deixa todo tempo, passado e futuro, por escrever. Consegui artigos impossíveis de se encontrar publicados em New Haven, Río Cuarto, Aix-en-Provence e Leipzig, uma transcrição de "Sonham as pinturas rupestres com estruturas sintáticas?"; também comprei um peixe (Yorick, um Betta splendes vermelho) porque cedo ou tarde precisaria de companhia. Não conseguia parar.
Os picos de intensidade, os momentos em que minhas intuições se exibiam mais ou menos apreensíveis ao olho humano, aconteciam depois do jantar e também logo cedo pela manhã; só durante as horas rosas, e até a hora violeta (de 16h a 19h), minha mente se dava um descanso. For a destes intervalos, minhas unhas não cresciam: o tamborilar do teclado constante as erodia. Usava munhequeiras para evitar cãibra na zona carpal. Lia, discutia em voz alta, apagava premissas, desfazia conclusões; lia os textos de Augustus, as aulas de Augustus, voltava para minhas notas, riscava, corrigia os erros na margem e voltava a escrever.”



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