O país anda chocado com cenas de violência com honras televisivas mas convém lembrar que as agressões entre “jovens” são comuns e estão na base de filmes fatais e de “histórias de iniciação”. Guerras de gangues não são de hoje – James Dean e Marlon Brando deram corpo a essas histórias. Mesmo violência entre raparigas não é uma novidade. Estes episódios só são novos para quem tem se obstina em desenhar Portugal com as aguarelas da pacificação e tem horror às notícias da “vida real”. O problema é que, agora, os idiotas de todas as idades se juntam na internet com toda a liberdade – antigamente gabavam-se dos seus pequenos crimes apenas em silêncio; agora têm o palco digital. O ‘país real’ fica à distância de um clic e, na verdade, não é bom de se ver a todas as horas do dia.
Gosto muito de ouvir alguns sociólogos e psicopedagogos comentar “casos reais”; a principal razão tem a ver com o fato de não parecerem ser deste mundo, se bem que se esforcem. De repente pintam o cenário como se fosse a catástrofe, uma espécie de fim do mundo organizado em ondas de violência juvenil. A ideia de que os atos de violência são praticados por jovens que imitam a “violência dos adultos” ou por raparigas que imitam a “violência dos rapazes” é uma ideia interessante, mas, como se sabe, despropositada. Nesse mundo, os jovens eram pacíficos como cordeiros, as crianças um modelo de inocência, e as adolescentes um retrato de anjos que vestem de saias. Infelizmente, a realidade também tem partes de cenas filmadas no YouTube com agressões entre jovens. São muitas.
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