Passam hoje 400 anos sobre a data da impressão do primeiro exemplar da Bíblia do rei Jaime I (James) de Inglaterra. Na tradição latina o assunto pode não ter muita importância; mas, na verdade, é um marco quer para a teologia, para a política ou para a literatura posteriores (os grandes autores do cânone, em língua inglesa, seguem esta versão). Trata-se da primeira tradução integral, rigorosa e comentada da Bíblia para a língua popular, ou vernácula. A partir daí, a Bíblia passou a estar disponível para discussão, deixando de ser um texto reservado à liturgia e ao clero. Mais: pela primeira vez no Ocidente, houve uma preocupação literária e estilística na sua tradução. Ao mesmo tempo, no mundo católico da época, pelo contrário, ler a Bíblia podia ser um ato de heresia fulminante.
[Na coluna do Correio da Manhã]
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