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por FJV, em 28.09.05
||| Corpo, traiçoeiro.
Os textos dos blogs médicos deviam ser mais lidos entre nós. Às vezes leio as experiências descritas pelo J., ou no Blogame Mucho, por exemplo, e volto atrás para ter muita misericórdia por ele, pelo corpo imenso dos que sofrem. O sofrimento é mais real do que parece, mais inútil, menos metafísico. E nasce um grande respeito por aqueles que, tocados por doenças terminais, resistem até onde podem; ou desistem, com ou sem dignidade. A dignidade é boa para observar nos outros. Mas morre-se bastante sem que a dignidade nos devolva a vida. Não tem nada a ver com tranquilidade, com esperança, com determinação. Morrer com dignidade, morrer em silêncio, deixar um rasto de coisas por fazer. Não há mais nada, em certas alturas.

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2 comentários

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De monica a 30.09.2005 às 23:05

o besugo / blogamemucho traz-nos de facto - entre outras coisas - esse lado interior e doloroso da medicina mas não o compare a J., por favor, que nos traz a medicina paternalista, endeusada, coisa superior, irritante
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De Rogério Charraz a 29.09.2005 às 14:14

Caro Francisco,

Antes de mais, e por ser o primeiro comentário que aqui deixo, deixe-me dar-lhe os sinceros parabéns (ou na sempre mais simples versão brasileira "parabenizá-lo") pelo espaço. Desde há cerca de um mês que sou mais um dos leitores assíduos.

Ontem segui a sua sugestão e espreitei o "Blogame Mucho" com seus textos bruscamente sensíveis e tocantes.
Lá diz o povo na sua infinita sabedoria que só a morte não tem remédio. A mim o que me assusta não é a morte mas o "deixar um rasto de coisas por fazer", ou seja, deixar de viver...

Um abraço,

Rogério Charraz

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