
Amanhã comemora-se mais um aniversário do filósofo Bento Espinosa, Baruch Espinosa na sua forma hebraica; de origem portuguesa (da Vidigueira) nasceu em 1632, na Holanda, onde a sua família se refugiou para fugir da Inquisição portuguesa. Foi excomungado pela Sinagoga Portuguesa de Amesterdão em 1656 por defender que a Bíblia não deve ser tomada à letra; pelo contrário, é uma alegoria sobre a história, tal como Deus é uma espécie de representação da própria Natureza. Tivessem sido aceites as teses de Espinosa e não andaríamos, em 2009, 350 anos depois, a discutir o dogma banal da crueldade divina ou atrapalhados com a distinção entre ética e política. Jorge Luís Borges escreveu-lhe um poema belíssimo sobre “o homem que engendra Deus”. Não aprendemos a sua lição.
[Na coluna do Correio da Manhã]
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