Portugal caiu no índice da Transparency International dedicado à percepção da corrupção – do 32º lugar, desceu para 35º (entre 180 países). Não é muito. Nos corredores das polícias e dos tribunais não se fala de outra coisa, como se a tivessem descoberto agora mesmo. Como sou moderadamente conservador, a coisa não me aflige. Lendo Camilo e Eça, para não ir mais longe, a coisa está lá, armada e integrada no código genético da tribo. Mário Soares, para desculpar os seus, chama-lhe coisa comezinha. É a opinião do português médio, para quem um “arranjo” se resolve com outro, desde que não toque na casta nem na família. Com tantos juristas aos saltinhos, fingindo preocupar-se com a lei para não ferir os amigos, suspeito que no próximo ano desceremos ainda mais no índice.
[Na coluna do Correio da Manhã]
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