O grande romance sobre o amor apaixonado entre duas mulheres é português e escreveu-o Agustina Bessa-Luís em 1989. Leva o título Eugénia e Silvina e é um notável retrato sobre a culpa e o processo judicial que decorreu (em Viseu) em redor do caso. Na época, o romance passou despercebido e ao lado dos debates que hoje estão na ordem do dia – Agustina era “reaccionária”, “de direita” e vivia longe da gritaria. Hoje, vejo na televisão debates sobre a homossexualidade com gente que acha que descobriu a pólvora cívica. Sexo e política nunca se deram bem, ainda que se conheçam à esquerda ou à direita. A arma dos intolerantes é chamar homofóbico a quem, reconhecendo o direito à união entre homossexuais, não dispare foguetes ou tenha dúvidas. Ontem como hoje. Vem na literatura.
[Na coluna do Correio da Manhã]
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