Com uma subtileza muito hipócrita (mas necessária), costuma distinguir-se entre o que é do domínio da política e o que é património da moral. A distinção vem a calhar quando se nota o esforço para distinguir o que pertence à justiça e o que cabe na zona da política. Não espanta que a justiça seja entregue aos tribunais, aos magistrados, aos advogados e aos comentadores dos códigos, entre outros. Mas causa apreensão que a política seja cada vez mais propriedade dos juristas em geral, entaramelados em leis, processos e casuística adjacente. Esta esquizofrenia está a fazer escola e o objetivo é simples: levar os cidadãos a evitar a política com receio de ferir um princípio jurídico se pronunciarem frases que ultrapassem o hendecassílabo. Deve ser uma campanha negra, deve.
[Na coluna do Correio da Manhã]
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