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por FJV, em 03.03.06
||| O senhor Ministro.
O senhor Ministro dos Estrangeiros não achou que «fosse necessário, para consumo interno, falar no problema da violência». O senhor Ministro dos Estrangeiros já tinha assinado, lá fora, um documento condenando a violência contra as embaixadas dinamarquesas; portanto, os portugueses mereciam apenas um aviso e um ralhete de Sua Excelência sobre a licenciosidade -- não estava para gastar tinta com o pessoal. Como aqui escrevi, isso foi um mau sinal. O sinal de que o senhor Ministro dos Estrangeiros (de dedo espetado na nossa direcção) lá fora condena a violência, mas que cá dentro se limita a avisar-nos sobre o que ele gostaria de fazer a quem se atrevesse a desenhar cartoons.

O senhor Ministro dos Estrangeiros também insiste que apenas tratou de reparar «as ofensas enormes que tinham sido feitas a toda a comunidade islâmica com a publicação dos cartoons». E que a comunidade de incendiários de bandeiras e de assaltantes de embaixadas tinham respondido com justificada e justa indignação. Ficámos cientes.

{Adenda} Ler o texto de Paulo Gorjão: «Aparentemente, essencial, «para consumo interno», era «lamenta[r] e discorda[r] da publicação de caricaturas de Maomé». Mas, seguindo a mesma lógica, valerá a pena recordar que, se a memória não me falha, o comunicado que Portugal havia votado na véspera fazia também referência negativa às caricaturas?»
Ver a nota de Vasco Pulido Valente. Ver também o comentário no O Insurgente.

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2 comentários

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De migas (miguel araújo) a 03.03.2006 às 22:56

Caro FJV.
Em primerio lugar (e se já passou pelo meus espaço) sabe que me assumo de tenra idade como democrata-cristão, tendo apenas passado o meu tempo de militância centrista, quedando-me agora pelo simples roupão, chinelo, sofá e jornal.
No entanto, sobre este seu excelente post, apenas permita-me algumas linhas.
É um facto que o comunicado e a justificação do MNE são incoerentes e revelam um ministro a mesno neste (des)governo socialista.
Embora contra a publicação das caricaturas, sem falsos "politicamente correstos" acho que as liberdades (todas as que quisermso) têm limites. No bom-senso, no respeito pelos outros e pelas suas convicções (sejam elas religiosas ou futebolísticas). No entanto, acho que as argumentações do MNE algo de irracionais. Assim como para mim, nada, mas mesmo nada, justifica qualquer fundamentação violenta.
No entanto, acho que este infeliz acontecimento apenas serviu para alimentar a politiquice interna. Porque na comunidade internacional, quem é que leva a sério o que se passa em Portugal, ou o que o seu MNE comunica?!!!
Serviu apenas para durante 3 horas, a nossa respeitável A República se allheasse da realidade concreta do país e da europa, parasse para descansar (tipo pausa para Kit-Kat) e não tratasse dos verdadeiros problemas nacionais.
O que se assistiu foi a uma triste troca de galhardetes que pela parte do (meu) cds apenas serviu para aumentar o rancor e o "recalcamento" político pelo seu ex-lider fundador tornar-se governante socialista.
Cumprimentos
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De Ultraperiférico a 03.03.2006 às 15:47

A questão da violência é de tal gravidade, que as contradições (ou o que quer que seja) do "Senhor Ministro dos Estrangeiros", são irrelevantes. Creio que é preciso não esquecer que no Islão é a PALAVRA, no "Ocidente" é a IMAGEM. É mais que óbvio que o Islão sabe tirar partido da excitação dos jornalistas ocidentais perante a inexpugnável defesa do direito à informação, "em directo do cenário de operações", sejam cartoons, sejam as subsequentes manifestações de rua, sejam os outros "cenários" do costume. A imagem, que tanto nos deslumbra, e eles sabem-no, chega-nos assim "em primeira mão". Sendo assim, falamos de quê? Falamos de liberdade de informação, ou falamos de responsabilidade na informação?

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