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por FJV, em 12.08.06
||| O estado das coisas.
Misturar tudo, não reconhecer diferenças de argumentação entre quem defende o direito de Israel à segurança, a ter fronteiras seguras e reconhecidas internacionalmente, e quem não reconhece o direito à existência de um estado palestiniano, é fazer batota. Não se pode duvidar da necessidade absoluta da existência de um estado palestiniano democrático, onde as pessoas vivam decentemente, façam negócios, vão às escolas e às mesquitas, frequentem a praia e escolham os seus representantes. Mas nada disso pode levar ao branqueamento de quarenta anos de hipocrisia dos estados vizinhos de Israel ou das intenções do Hamas e do Hezzbollah.
Em 1945, um povo excluído e indefeso, condenado a morrer pela Europa fora em campos de concentração, sonhava apenas com a sobrevivência. Essa sobrevivência passou, depois, pela criação do estado de Israel. O estado palestiniano nunca existiu por responsabilidade dos países árabes da região, que não o permitiram — e que invadiram Israel horas depois de David Ben-Gurion ter lido a declaração de independência. Dessa invasão resultou uma derrota militar a que a boa consciência europeia chama ainda hoje «a primeira humilhação» ou, na moderna sociologia jornalística, «fonte de ressentimento». Para não haver humilhação nem ressentimento, os judeus de Israel teriam de se deixar aniquilar pelos exércitos que os atacaram. Assim se evitariam o 11 de Setembro, Almadinejad, o empobrecimento das sociedades do Médio Oriente e uma geração de bombistas-suicidas. Daí decorre a pergunta que muitos fizeram no pós-11 de Setembro: e se não existisse Israel?

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